quinta-feira, 25 de abril de 2013

Capítulo 3 - Segredo Desvendado


O barulho da porta batendo me acordou em um susto, esfreguei meus olhos tentando mandar o sono embora. Ainda cambaleante, desci as escadas e me deparei com minha mãe que acabara de chagar em casa. Seus cabelos negros e cacheados estavam emaranhados, e como sempre as roupas coladas e decotadas. Ela deu uns pequenos passos em minha direção, quase caiu, com certeza ainda estava sob efeitos do álcool. Ela me olhou dos pés á cabeça com um ar de deboche. Sei que ela deve ter visto minha pior face, alias as noites mal dormidas estavam acabando comigo.

- Olha só como estar desleixada. - ela falou em reprovação.

- Mamãe, esteve naquela boate outra vez? - perguntei seria.

- Sim, - falou convicta. - E já falei para não se meter na minha vida.

- E como a senhora quer que eu não me meta? Quando você sai nunca sei se vai voltar bem. As coisas hoje em dia estão muito mudadas e-

- Chega! Pra que ser certinha a vida toda? Seu pai foi sempre direito e honesto, e agora onde ele está? - havia muita mágoa dentro dela, mas dentro de mim havia muito mais.

- Eu prefiro viver minha vida sem arrependimentos. - disse olhando em seus olhos.

- É, mas nada importa mais pra mim. - sua voz saiu segura, e meus olhos se encheram de lágrimas.

- Nem eu? - ela não respondeu e senti meu coração se quebrando. Seus olhos verdes apenas me observaram por alguns minutos e depois ela subia as escadas indo para o quarto.

O nó em minha garganta já estava impossível de segurar, eu sempre tentava ser forte e dizer para mim mesma que minha mãe esta passando por problemas difíceis, mas tudo tem um limite.

Senti as grossas lágrimas escorrerem quentes nas minhas bochechas. Fiquei mais um tempo ali deixando que toda minha dor contida se esvaecer, e o tempo parou naquele momento, mas o bip do relógio me despertou para realidade, tratei logo de me arrumar e mesmo sem vontade fui para o Instituto, meus olhos deviam estar com olheiras e inchados, tanto de insônia como de choro.

Assim que chaguei na escola, encontrei Ash cabisbaixa sentada em um dos bancos de concretos que havia espalhados pelo pátio.

- Oi, - falei e mesmo sem querer demonstrar minha voz saiu triste. Sua face encarou a minha seriamente.

- Algum problema? - parecia preocupada.

- O mesmo de sempre. - Ash era a única que sabia da minha mãe, aliás eu e ela nos conhecíamos desde crianças.

- Selena, ela ainda não superou. - senti meus olhos se encherem de lágrimas novamente.

- É, mas isso esta acabando comigo!- uma lágrima escapou sem querer. - Não sei se vou aguentar por mais tempo.

- Você vai sim! -ela me olhou com admiração. - Você é a garota mais forte que conheço até hoje, e com certeza você vai superar tudo isso.

- Mas eu tenho medo! Já pensou as pessoas ficarem sabendo? Além de ser vergonhoso é capaz dela nunca ser aceita em um trabalho, ser criticada...

- Calma! Só eu sei disso. E também sei que sua mãe vai conseguir vencer esse problema.

- Obrigada amiga. - disse abraçando-lhe. - Agora, por favor, vamos trocar de assunto. Conte-me alguma novidade, mesmo que seja daqueles ‘populares’ metidos. - vi o olhar dela voltar a ser cabisbaixo.

- Você nem sabe amiga! - ela balbuciou. - O Bieber esta namorando.

Estava na cara que aquela noticia deixava Ash triste, mas á mim me deixava incrivelmente aliviada. Agora sim ele largaria do meu pé.

- E quem é a ‘felizarda’?- perguntei com sarcasmo.

- A mocréia da Jasmine. - a loira falou entre os dentes. Mas para mim eles bem que se merecem tudo farinha do mesmo saco, arrogantes e egoístas.

O sinal tocou e fomos para sala, eu como sempre tentava ao máximo prestar atenção no professor e esquecer um pouco o problema com a minha mãe.

...

E assim a semana se passou, eu e minha mãe não nos falávamos, o namoro do Bieber era a ‘novidade’ do colégio, Ash sempre me contava uma coisa nova que acontecia naquele Instituto e eu passava as tardes lendo o livro que a profª Raquel havia recomendado. Quando o lia parecia que eu viajava para outro mundo, onde existiam bailes, vestidos longos e únicos, mães doidas para casar suas filhas. Mas o que mais me chamava atenção era o romance cativante entre Elizabeth e o Sr. Darcy, mesmo quebrando todas as barreiras conseguiram ser felizes juntos. Sorri, as vezes queria ter nascido em outra época.

...


A manhã de segunda feira chegou, para muitos era um dia especifico de ressaca, para mim mais um dia normal. Desci as escadas e não encontrei minha mãe, mas não ficaria desesperada com isso, afinal a vida é dela não é mesmo? Chegando no Instituto encontrei Ash que estava com uma cara bem amassada.

- É a festa da Greyci deve ter sido divertida.- falei zombando dela.

- Posso estar com essa aparência horrível, mas te digo que foi muito divertida mesmo. Pena que você não foi não sabe o que perdeu.

- Bem eu acho que eu sei o que perdi.- falei, Ash sempre me chamava para essas festas, eu nunca ia, e nem sentia vontades. Ela deu um sorriso feliz.

- Fiquei com um garoto tão bonito. - falou sonhadora. Revirei os olhos. - Ele beija tão bem.

- Você lembra o nome dele?- perguntei, e ela fez cara feia.

- O que acha que eu sou?- ela fez cara de indignada. - Ta, ok não lembro o nome dele! Há mas que liga? O importante é que ele era uma gracinha.

- Aff, você não muda mesmo. - o sinal tocou e fomos para sala.

Hoje era aula de literatura, eu estava feliz tinha feito a redação e também gostei muito do livro, mas eu sabia que muita gente nem se lembrava disso, inclusive Ash que não tinha mencionado nada.

- Que caras são essas. - a professora disse se referindo a caras amassadas dos alunos.- Espero que tenham feito meu dever. - ela falou autoritária. Vi as pessoas se entre olharem. - Quero saber quem fez. - saiu mais como uma ordem do que um pedido.

- Eu comecei a ler ontem. - falou a voz irritante de Jasmine.

- Eu passei á uma semana, e você começou a ler ontem?- Raquel falava sem satisfação.

- Ué professora, temos o dever de outros professores para fazermos. Para senhora se dar conta, acho que ninguém conseguiu fazer o exercício. - Jasmine disse segura de si. Eu odiava cortar o barato das pessoas mas eu tinha que fazer isso, né? Mesmo sabendo que muitos ficariam com raiva de mim.

- Eu fiz. - respondi em alto e bom som. A professora olhou para mim orgulhosa.

- Viu só? Se Selena pode fazer todos vocês poderiam.
- Mas ela é uma nerd! - Karin falou como se eu fosse de outro planeta. Virei-me encarando-a sem medo, afinal estava cansada disso.

- Pelo menos gasto meu tempo com algo de útil. - falei dando um sorriso falso para ela.

- O que você disse lambisgóia?- ela praticamente gritou em quanto ajeitava o óculos em seu rosto.

- Chega! - Raquel se irritou. - Como quase ninguém fez o dever, formarei quartetos para que dialoguem sobre o que vocês sabem. - em tão ela começou a apontar para os alunos formando quartetos. Eu apenas recebia olhares enraivecidos de Jasmine, virei o rosto e ignorei-a.


_Selena, Demi, Ashley e Justin- formem quartetos. “O que?” eu já ia exclamar e dizer que tinha feito meu dever, só que a professora sorriu meiga para mim.- Eu sei que já fez sua tarefa, mas não se incomodaria de explicar um pouquinho do livro para seus colegas né?- eu já ia dizendo que a única do quarteto que era minha amiga era a Ashley .Mas era tarde, Raquel já estava escolhendo outro quarteto.

Os olhos de Ash brilhavam.

- Justin Bieber vai sentar com a gente. - ela falava baixo, porém sabia que a mesma estava prestes a soltar um grito de alegria.

- Não é pra tanto. - disse, mas ela nem se deu o trabalho de me responder, seus olhos azuis se fixavam em Justin que estava vindo em nossa direção.

O observei um pouco, sempre com um ar rebelde e arrogante até seu modo de andar parecia superior aos outros, a jaqueta de couro por cima da blusa do colégio era sua marca registrada, é claro que suas vestimentas estavam fora das normas, mas quem disse que isso importava? Ele era o grande Justin Bieber, o mais rico e o poderoso. Seus cabelos loiros levemente bagunçados em forma de um lindo topete e os olhos cor de mel eram marcantes em sua face de traços perfeitos. Eu tinha que admitir, ele era bonito e atraente, mas também por de baixo de sua beleza havia apenas arrogância, malicia, orgulho e etc...

As carteiras já estavam arrumadas, uma de frente pra outra, ele sentou á minha frente e Ash correu para sentar do lado dele, Demi apenas se sentou do meu lado. Parecia que a única contente naquele grupo era Ash, que não se intimidava a olhar indiscretamente para Justin. O silencio reinava, eu não fazia o mínimo esforço de falar algo, meus olhos estavam perdidos na capa do livro, Justin  ignorava Ash completamente, já Deni estava com a face abatida e os olhos castanhos estavam em outra dimensão. De repente ela suspirou alto.


- Vamos acabar logo com isso. - ela falou. - O que você achou interessante?- essa pergunta foi direcionada á mim. Por que tinha que ser logo á mim?

- Err...- eu sempre dizia que era segura de mim mas na verdade, tinha coisas que me intimidavam. - O ponto de vista dos personagens. – disse sem tirar os olhos da capa do livro.

- Por que?- Demi parecia me interrogar.

- Eram paralelos. – disse olhando-a e perdendo um pouco da timidez. - Cada um tinha um modo de pensar, naquela época o ponto de vista de uma mulher era sempre ignorado ou apenas sem valor, mas Elizabeth era uma exceção ...- eu começa a explicar tudo o que tinha aprendido sobre o livros, e Demi anotava tudo em um pequeno rascunho, Ash fez o mesmo mas eu sabia que ela estava mais perdida do que barata tonta.

O sinal do intervalo tocou, olhei de relance para Justin e me deparei com seu olhar no meu, nós nos olhávamos pela primeira vez durante semanas, seus olhos sempre sérios, mas por um breve momento pude ver aquele olhar de desejo que ele tanto me dava quando estávamos á sós. Abaixei meu olhar e me surpreendi ao ver que as mãos dele estavam depositadas no livro, quando ia o perguntar, ela já não estava mais ali. Só havia Ash e Demi conversando entusiasmadas, guardava minhas coisas na mochila escutando elas falarem alguma coisa sobre a festa da Greyci.

Quando peguei o livro para guarda junto as minhas coisas, pude notar um pedaço de papel caindo dele. Agarrei o papel dobrado sem que ninguém visse, só podia ter sido o Justin á colocá-lo ali, balancei a cabeça negativamente e desdobrei o papel, mas nesse instante meu mundo parou.


‘Eu sei sobre seu segredo! Alias o segredo da sua mãe’ - o ar faltou em meus pulmões, do que Justin podia estar falando? Olhei para os lados, vendo se ela inda podia estar na sala, mas ele já havia saído.

- Selena você esta bem?- era voz de Ash.

- Sim. - disse notando minha voz sair trêmula.

- Ela esta pálida. - Demi disse se aproximando de mim. Escondi o papel entre a minha mão cerrada.

- Não é nada, só lembrei que o prazo para entregar o livro é hoje. - falei pegando o livro e saindo da sala. Ainda pude ouvir a voz de Ash me chamando, mas eu não voltei andei, mais depressa que pude até chegar à biblioteca. Mas alias o que eu estava fazendo ali? Eu não sabia talvez o desespero fosse tanto que não dava tempo para eu pensar. Desdobrei o papel mais uma vez e o li, não podia ser. O Justin só devia estar brincando comigo.

_Eu sabia que você viria. - soltei um grito de susto. Mas não havia ninguém naquela ala para me escutar.

Olhei para ele intrigada e ao mesmo tempo me forçando para ser segura de que aquilo era só uma brincadeira.

- O que significa isso? - minha voz saiu séria, e vi um pequeno sorriso se forma em seus lábios. Ele não respondeu nada apenas começou a andar se aprofundando naquela biblioteca escura, olhei para os lados vendo que não havia ninguém nos corredores, e temerosa o segui.

Ele parou na área onde tinha a letra J, no mesmo lugar onde nos encontramos pela ultima vez.

- Eu te avisei Selena. - ele ainda estava de costa para mim. - Mas você não me deu ouvidos.  - agora seus olhos cor de mel estavam direcionados nos meus. - Eu não sou de desistir facilmente. - e ele se aproximava ainda mais. Eu recuei dando um passo para trás.

- Não entendo. – disse mostrando o bilhete. Ele soltou uma gargalhada sarcástica.

- Saiba que eu não entendi muito no principio, na realidade me espantei. Alias quem ia imaginar que uma menina tão certinha e sensata poderia ter uma mãe dessas. - ele disse rindo debochado.

- Não fale da minha mãe desse jeito. - disse com raiva. - Você não sabe de nada!

- Há é aí que você se engana. - ele ria ainda mais. Como uma pessoa poderia ser tão sádica? No momento tinha nojo dele.


- É só um blefe. - disse confiante de mim mesma.

- Gomez, como você pode ser tão irritante e ao mesmo tempo tão bonita?!- os olhos dele se direcionaram para os meus lábios. Eu recuei mais uma vez. Ele apenas sorriu. Sua mão direita foi para parte interna na jaqueta de couro, tirando de lá um bolo de fotos. - Não é um blefe. - ele me entregou as fotos, receosa eu as olhei.

E não era um blefe.

Eram fotos da minha mãe em boates. Todas elas bem esclarecedoras e vergonhosas, a cada foto que eu passava meu olhar se dirigia á ele, o mesmo estava com um sorriso nos cantos dos lábios. Eu não aguentei ver todas aquelas imagens da minha mãe bebendo e dançando com outros caras, as lágrimas escorriam pela minha face. Eu não queria ver nada daquilo, joguei-as no chão. E me esforcei ao máximo para não desabar no choro na frente dele.
- Fico pensando no que as pessoas diriam se descobrissem isso. - a voz dele era cínica.
- O que você quer? - rugi. Vi o olhar dele brilhar em desejo.
- Você sabe muito bem o que eu quero. - senti minhas pernas fraquejarem. “não, isso só podia ser um pesadelo”.
Ele se aproximou com a face á milímetros de distancia da minha, quando eu ia recuar ele pegou firme o meu braço.
- Um dia. - ele disse com um tom autoritário. - Te darei um dia para pensar, quero que esteja aqui nessa mesma hora para me dizer sua decisão. Você sabe que se a resposta for não amanhã mesmo todos saberão sobre a reputação da sua mãe. - ele me soltou bruscamente e saiu, eu apenas desabei escorregando pela prateleira até me sentar no chão. Olhei para o mesmo vendo as fotos da minha mãe espalhadas por ali. Deixei que as lágrimas caíssem, enquanto pensava no que faria.
Tudo isso passaria por ela, mas será que valeria á pena? Eu sempre queria que ela superasse isso de uma vez, mas ela não fazia nenhum esforço. Peguei uma foto em que ela estava sorrindo, tive um reflexo dos momentos felizes que tivemos junto ao meu pai de como ela sorria se mostrando extremamente feliz.
- Farei isso por você. - disse baixo olhando para foto.

Capítulo 2 - O Início


Como tudo começou

Enquanto caminhava pelo corredor indo para o refeitório, relembrava de como tudo isso começou. No começo achei que era só impressão minha e que estava imaginando coisas, afinal por que o garoto mais popular do colégio, o grande Justin Bieber olharia pra mim? Mas mesmo assim ele me olhava e eu ficava cada vez mais confusa. Porem sabia disfarçar muito bem, só fui ter certeza mesmo quando tinha sido a primeira entrar na sala e lá estava ele e me olhou como nunca ninguém havia me olhado, parecia que ele podia enxergar através das minhas roupas, é claro que eu sempre desviava meu olhar o ignorava completamente, afinal ele só mostrava realmente interessado quando não havia ninguém olhando, mas eu entendia que garoto tão popular e rico como ele assumiria estar interessado na nerd pobretona da sala?
Mas o que ele pensava? Que só por que era o garanhão do instituto, o mais popular e rico eu ficaria toda feliz e sairia correndo atrás dele?! Com certeza ele esta muito enganado, eu tinha minha dignidade e orgulho e não era por um garoto que nem ele que me rebaixaria, conhecia muito bem sua fama, era só ele estalar os dedos e aparecia um monte de meninas no seu lado, ele ficava com muitas e depois nem lembrava o nome, Ash como sempre o venerava dizendo que daria tudo para dar um beijo pelo menos no rosto dele. Eu nunca contei para ela sobre o que estava acontecendo, eu sabia que Ash era apaixonada por ele desde que entrou no instituto e não queria magoá-la até por que não me orgulhava de sair contando que o Bieber estava afim de mim.
Aquelas olhadas sempre me incomodavam, mas era só ignorá-las pior seria se ele viesse falar comigo. Porem infelizmente esse dia aconteceu...
Eu estava numa área do instituto onde os alunos podiam pegar uns livros gramáticos e estudar, era um corredor onde havia carteiras de dois lugares, nesse dia eu e Ash estudávamos para prova, só que como de costume eu fiquei até mais tarde e acabei perdendo a noção do tempo, quando olhei para área não tinha mais ninguém ali, só eu. Não me preocupei alis não havia ninguém me esperando em casa e a escola era bem protegida nada poderia acontecer á mim. É eu estava bem enganada...
Tudo aconteceu quando estava muito absorta em um livro que nem ouvi seus passos, foi quando sua estrutura estava sentada do meu lado que pude notá-lo. O olhei de vagar querendo que aquilo fosse apenas projeção da minha mente, mas quando me deparei com sua face, ele olhava para mim com um sorriso nos cantos do lábios. Desviei meu olhar rapidamente virando para frente, eu estava um pouco ofegante e assustada, o que eu mais queria agora, era sair correndo da li, mas eu estava sentada no canto e ele do meu lado.
- Não tem medo de ficar aqui sozinha? - a voz rouca dele sussurrou em meu ouvido. Eu não respondi nada, só ficava cada vez mais nervosa. - Você deveria ficar - ele falou ainda mais perto, já podia até sentir sua respiração quente em meu pescoço. ‘Reage Selena, reage!’ eu falava para mim mesma. Sem eu nem perceber a mão esquerda dele pegou minha direita, que estava paralisada em cima do livro. O polegar dele começou a acariciar as costas da minha mão, sua face ainda estava continuava na cavidade do meu pescoço, e eu ali parada sem conseguir ao menos me mexer.
- Tão bonita... - ele sussurrou e minha mão começou a tremer levemente, nunca estive tão perto de um garoto desse jeito. _ Fique calma, eu só quero beijar a sua boca. - ele disse em um tom mais rouco do que de antes. Senti-o inalar todo meu perfume e tremi levemente, droga o que estava acontecendo comigo? Em seguida devagar seus lábios tocaram pele do meu pescoço. E aquilo foi a gota d’água.
Esse ato foi como um tapa na minha cara! O que diabos eu fazia ali parada em quanto deixava ele se aproveitar da situação?!
Tirei rapidamente minha mão da dele, ele inclinou a cabeça para trás e me encarou, em seus lábios havia um sorriso, com certeza estava achando graça da minha fraqueza diante á ele. Olhei para ele com determinação e o mesmo pareceu se surpreender.
- Desculpe-me, mas não estou interessada. - falei não dando á mínima para ele e comecei a juntar os livros.
- O que você disse? - o tom dele soou surpreso e indignado. Tô vendo que ele nunca deve ter recebido um não antes.
- O que você ouviu - respondi. - Agora se você me der licença...? - falei, mas ele se levantou e ficou de pé na minha frente.
- E por que não? - ele disse sério, de braços cruzados. - Você se acha alguma coisa só por que é a nerd da sala? - agora sua voz saiu zombeteira, uma coisa que eu não gostei nada.
- Eu não desprezo as pessoas pelos meus esforços. – falei com raiva. - E o motivo para eu não ficar com você é bem simples. Não sou qualquer garota que você possa botar em sua lista. - falei determinada, afastei a cadeira onde ele estava sentado e abri caminho para mim passar, mas antes de sair ele virou meu ombro, me fazendo encará-lo.
- Pode ir. Mas saiba que as coisas não terminam aqui. - virei meu ombro e sai sem olhar para trás.
E foi desde desse dia que as coisas realmente começaram, era muito estranho o fato dele sempre saber quando estou sozinha e começar a me atazanar com suas artes manhas e teimosias.
Cheguei ao refeitório e o horário do intervalo estava quase acabando, tive que engolir praticamente meu lanche, em quanto isso escutava Ash contando as novidades ou ‘babado’ como ela preferia falar.
- Menina, não tem a Demi? - ergui minha sobrancelha. - Aquela que tem o cabelo meio vermelho e grande. – Ash gesticulou com as mãos. Afirmei que sim, em quanto tomava meu suco de laranja. - Então, o Joe a pegou beijando o Kevin antes do intervalo, amiga você perdeu maior barraco! Ela disse que o Kevin á beijou a força, só que o Joe não acreditou e terminou o namoro na frente de todo mundo, tem que ver como ela chorou.
- Que garoto ridículo. – falei com raiva. - Ele não precisava terminar com ela na frente dos outros, com certeza deve ter feito isso só para humilhá-la. Orgulhoso de uma figa. -  falei enraivecida e automaticamente uma pessoa veio em minha mente. O olhar de Ash era surpreso.
- Selena Gomez ofendendo alguém desse jeito?! Rá, hoje com certeza chove. - ela falou brincalhona. Corei.
- Ah, Ash para de graça. - a vi rir da minha timidez. O sinal tocou e fomos para sala, os dois últimos tempos eram de álgebra, com o Profº Gabriel. Chegamos à sala de aula e a mesma já estava cheia, no final da sala podia ver os jogadores do time de futebol americano.
Sentei á minha carteira e Ash sentou ao meu lado, ela continuou a falar sobre as novidades dos ‘populares’ em quanto eu procurava meu caderno de álgebra em minha mochila, olhei nos bolsos maiores e até nos menores, em baixo da carteira e nada! Droga a onde estava meu caderno?
- Ash, meu caderno não está aqui. - informei-a. Será que algum engraçadinho pegou meu caderno para me provocar? E o pior, nada do professor chegar. Ash começou a me ajudar procurando em baixo das carteiras de outros alunos, ela ficou procurando em uma fileira e eu na outra.
Eu via detalhadamente em baixo das carteiras e nada de encontrar meu caderno. Minha intuição dizia que alguém havia pegado, mas mesmo assim eu continuava procurando.
- Procurando algo Selena?- uma voz zombeteira falou. Ergui-me e me deparei com Jaden, ele era um dos jogadores do time isso logo vi pelo uniforme, ele me olhava rindo zombeiro e em sua mão direita estava meu caderno. Prestei mais atenção em onde estava, no fundo da sala, então era a área restrita dos populares. Ao lado de Jaden estava Max estava serio e apenas olhava a situação no seu lado estava Justin é claro que meu olhar não demorou nem um décimo de tempo, e na frente Justin estava uma morena chamada Jasmine, ela estava sentada na carteira virada para os garotos, ela me olhou dos pés á cabeça e seu olhar foi de desprezo. Mesmo me sentindo um pouco humilhada e fora do meu lugar, ergui minha cabeça e olhei para Jaden.
- Me devolva. - pedi, e minha voz saiu mais baixo do que esperei. Ele apenas riu.
- Não. - ele falou ainda rindo. Notei seu olhar em mim. Ele botou as mãos no queixo e me analisou da cabeça aos pés. - És gostosa. – senti minhas bochechas corarem imediatamente. Ouvi uma risada cínica de Jasmine.
- É gostosa sim. – ele repetiu. - Todos do time comentam. – desviei meu olhar para chão, agora sim me sentia bastante nervosa.
- Ah, fala sério. - essa era voz de Jasmine. - É só uma nerd. - eu sabia que ela deveria estar me olhando com desprezo novamente.
- Então me diga em qual menina a calça da escola fica tão justa. - o olhar dele foi diretamente para minhas pernas. Meus olhos novamente alcançaram o chão.
- Jaden, eu sei que você não é lá essas coisas, mais, por favor, não se rebaixe á tão pouco. - as palavras de Jasmine fizeram todo meu orgulho ficar pisoteado. - E não vejo nada de mais á não se essas coxas exageradas. - eu não ia chorar, mesmo que o nó estivesse preso na garganta.
- Vocês...
- O que esta acontecendo aqui? - era voz do profº, olhei para ele e vi Ash ao seu lado, presumi que a mesma foi chamá-lo. O olhar de Gabriel pairou no meu caderno na mão do garoto de cabelos meio azulados. - Devolva o caderno para ela.
- Sim, senhor. – ele falou fazendo gesto de soldado. Depositou o caderno em minhas mãos e antes que eu me virasse vi a piscada que ele me deu e também tinha a impressão de alguém me olhando, eu sabia que era ele. Mas não virei para olhá-lo. Sentei em minha cadeira, e as palavras de Jasmine vieram á minha mente.
- Ah amiga não fica assim. - Ash me abraçou. - Eu escutei o que aquela megera disse, não liga é só inveja.
- Ela com inveja de mim? - falei sarcástica. - Logo a líder de torcida? Ash, eu sei que o que ela falou foi apenas a verdade. Mas não ficarei pensando nisso, aliás tenho muitas preocupações. - a abracei. E a mesma sussurrou:
- Ouvi muito bem o que aquele garoto falou. Gostosa né? - e ela ainda deu uma risadinha maliciosa. E é claro que eu já sentia quentura em minhas bochechas.
- Pára Ash. - reclamei e ela deu uma risada.

...
Cheguei em casa com o livro nas mãos, quando sai da sala de aula passei na biblioteca e consegui achá-lo começarei a ler hoje para adiantar logo as tarefas. Em quanto subia as escadas para chegar a meu quarto resolvi passar primeiro no da minha mãe, quando abri a porta não havia ninguém, com certeza deveria ter ido para casa de algumas de suas amigas e só voltaria amanhã. Quando meu pai morreu á 5 anos ela sofria com uma depressão aguda, foi muito difícil para mim e para ela, mas eu consegui superar, eu tinha que ser forte sabia exatamente que se meu pai estivesse em meu lugar teria sido forte. Mas quando achei que minha mãe estava superando, ela mudou da noite para o dia e se tornou essa pessoa de hoje em dia, não tem mais responsabilidades com nada, chega a hora que quer, não trabalha e acho que ela nem lembra que tem uma filha. Uma lágrima caiu em quanto guardava minhas coisas em meu quarto. Vivíamos apenas do dinheiro que meu pai tinha direito de receber depois da morte. Mas eu sabia que tinha que arrumar algo para trabalhar logo, seria difícil trabalhar e estudar no Instituto ao mesmo tempo, mas com um esforço eu conseguiria.
Tudo o que eu mais queria era que minha mãe procurasse ajuda e voltasse ser aquela pessoa admirável que ela era. Mas nem tudo é como nós queremos.
Dei uma arrumada na casa, tomei um banho e almocei. Passei a tarde lendo o livro que a Profª Kamila havia passado, se chamava Orgulho e Preconceito falava sobre o ponto de vista das pessoas naquela época e é claro sobre um romance entre duas pessoas totalmente opostas um julgando o outro, sem nem mesmo se conhecerem realmente. Mas não deu para ler o livro todo , alias já era noite e veria e tentaria dormir hoje. Mas era difícil quando não tinha uma pessoa tão especial que nem minha mãe ao meu lado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Capítulo 1 - Orgulho


Os ruídos estavam tão baixos, e o sol mal acabara de sair, sabia disso porque minhas cortinas eram finas. Tentei me levantar, eu tinha que acordar mesmo tido uma péssima noite de sono, fiz o maior esforço que pude, me levantei aos poucos forçando a minha mente recobrar os fatos, dei um pulo quando relembrei o motivo de ter ficado acordada a madrugada inteira, saí do meu quarto, desci as escadas rapidamente e cheguei na sala, botei a mão nos lábios me sentindo parcialmente aliviada.
Lá estava ela esparramada no sofá, devia ter chegado à pouco tempo, me aproximei um pouco, e não me surpreendi ao notar sua vestes, uma calça jeans colada no corpo, blusa com um decote avantajado, o batom vermelho sangue, e os olhos com o lápis de olhos borrado nas olheiras. Suspirei, era sempre assim, a pessoa com quem eu mais me importava, que passava horas acordada esperando sua chegada, o ser que me deu a vida! Desde a morte do meu pai ela vem agindo desse jeito, sempre vai para noitadas com suas ‘amigas’, e não superou o problema com o álcool. Sorri amarga, quando eu sempre dava sermão nela, ela vinha-me dizer que estava se divertindo. Então por que quase sempre a encontrava chorando? Eu sabia que no fundo ela não queria agir assim, mas quando bebe fica descontrolada e faz as coisas sem pensar.
Me agachei ficando da altura de seu rosto, acariciei sua face.
- Mamãe por que a senhora tem que ser assim? - sussurrei, em quanto ela respirava lentamente e dormia cansada.
Olhei para o relógio vendo que já era 6:30h, tinha que me arrumar e ir para o colégio.
O banho me relaxou, fiz minhas preocupações se afastarem um pouco, aliás todos diziam que eu era apenas mais uma nerd da sala, que tirava notas excelentes e tinha uma vida perfeita; realmente as pessoas não sabem o que dizem.
Depois do banho botei o uniforme, que era composto de uma calça jeans azul-marinho e a blusa branca da escola, calcei meu All Star preto e me olhei no espelho em quanto penteava meus cabelos. Não era por que eu tiro notas boas que vou me vestir mal ou usar meus óculos de leitura quando não for preciso, eu me arrumava casualmente mas também não era nenhuma escrava da moda, na verdade eu era bem simples. Deixei meus cabelos soltos, eles batiam no meio das costas e incrivelmente eram castanhos! Peguei minha mochila e antes de sair de casa deixei um café pronto para quando minha mãe acordar. Fui a pé mesmo, meu colégio não era perto, mas eu gostava de caminhar, assim que dei de cara com as grades da escola logo pude ver as grandes letras com o nome do colégio, Instituto Escolar de L.A. Acenei para o porteiro e entrei, o pátio como sempre estava cheio, nele havia varias pessoas, com vários tipos deferentes de estilos, todos eles em sua própria ‘turminha’ exclusiva. Logo pude avistar a cabeleira loira da minha melhor amiga Ashley, mais eu a chamo de Ash, não me surpreendi quando a vi olhando tristemente para rodinha exclusiva dos ‘populares’.
- Sonhando acordada? - perguntei. Ela me olhou e sorriu, mas logo sua face murchou.
- Rá, com certeza isso é um sonho. - ela voltou a olhar para o local anterior, eu também olhei e não vi nada de especial, só um bando de garotas que se acham um máximo, e um monte de garotos metidos e mimados.
- Ash, fala sério. - eu disse, e ela me olhou indignada.
- Selena, você e suas manias estranhas, como uma pessoa em sã consciência não vai querer ser popular? - eu revirei os olhos. - Ah, só de imaginar ir às melhores festas, ficar com os garotos mais bonitos, usar as melhores roupas. - ela falava tudo como se estivesse em um sonho.
- É só dinheiro Ash! Posso imaginar que a metade deles são infelizes. - dei uma olhadela para o grupinho e me deparei com um olhar que não me agradou, desviei os olhos rapidamente.
- Quem me dera ter só a metade do dinheiro que eles têm. - balancei a cabeça negativamente, na verdade eu e Ash tínhamos ganhado um bolsa de 3 anos no Instituto e agora estamos no ultimo ano. Lembro-me que eu e Ash ficávamos doidas estudando para ver se tínhamos chances de fazer a prova e ganhar a bolsa, no final conseguimos, aliás esse era o melhor colégio de LA e nada melhor de que esse Instituto para nos cursamos o ensino médio, o sinal tocou me tirando dos desvaneios.
Eu e Ash seguíamos para o corredor, em quanto guardava minhas coisas em meu armário, via as pessoas abrindo espaço para os ‘populares’ passarem, achava isso tudo uma palhaçada alias eles não eram um Deus, só eram um bando de mimados e egoístas, em quanto olhava aquela cena tive uma impressão de alguém me olhando, meu olhar se deparou com o dele novamente. Droga! Desviei meu olhar rapidamente.
Eu e minha amiga imperativa seguimos para sala de aula, o 1° e 2° tempo foi com a Profª Raquel que dava aulas de Literatura, Ash passou a metade da aula dormindo, no final da aula a professora passou um livro para nós lermos e fazermos uma redação explicando nosso ponto de vista dele, ela disse que o livro tinha 324 paginas e queria a redação para próxima aula, é claro que muitos protestaram, mas eu não estava feliz já que o livro era de romance. Verei se o encontro na biblioteca.
O sinal do intervalo tocou e todos já saiam da sala, Ash ainda reclamava sobre o exercício que Raquel havia passado.
- Pare de ser reclamona. - ralhei-a, vi a mesma fazer bico. - Verei se encontro o livro na biblioteca, guarde meu lugar no refeitório. – disse acenando já de longe em quanto dava passos rápidos em direção ao meu destino.
Assim que entrei não pude avistar a bibliotecária, em sua mesa havia uma plaquinha ‘horário de almoço’, bufei, mas acho que ela não reclamaria se eu desse apenas uma conferida para ver se encontro de uma vez o livro. Estava tudo quieto e a lâmpada estava com uma iluminação fraca, deixei isso de lado dava para enxergar muito bem. Procurei a letra J que indicava o nome do autor, comecei a procurar rápido, mas prestando muito bem atenção, já havia passado 5 prateleiras e nada de achar o nome da autora, quando estava prestes a desistir a iluminação fica ainda mais fraca, aquele lugar enorme estava praticamente escuro, me mantive em calma, com certeza era algum engraçadinho querendo me assustar, e o pior estava conseguindo. Olhei para o lado esquerdo angustiada querendo enxergar a porta da saída, quando estava para dar meu passo desesperado, senti uma respiração quente no nado direito do meu ombro. Paralisei.
- Assustada, Gomez? - aquela maldita voz! Com certeza a reconheceria em qualquer lugar, ainda mais a escutando muitas vezes essas semanas. Virei com raiva e me deparei com os olhos cor de mel dele.
- O que quer, Bieber? - disse frustrada e antes que pudesse desviar meus olhos dos dele, ele segurou minha face.
- Você sabe muito bem o que eu quero. - ele ainda continuava olhando diretamente em meus olhos, rapidamente inclinei minha cabeça para trás e me esvaneci de suas mãos.
- Já disse que esses joguinhos não funcionam comigo. - falei ríspida, e voltei minha atenção para os livros mesmo sem conseguir ler nada.
- Eu não sei pra que ser tão difícil, sei que muitas garotas, inclusive sua amiguinha, queriam estar no seu lugar. - ‘convencido’ pensei, mesmo sabendo que ele só falava a verdade.
- Sabe o que eu não sei? O porquê dessas cismas comigo! Você mesmo disse, pode ter quantas garotas que quiser. – falei voltando minha atenção novamente para os livros. Ele puxou o meu braço e me fez o encarar.
- Por que eu quero você! - seu rosto estava a milímetros do meu. Soltei-me de seu braço, e dei um sorriso cínico de canto dos lábios.
- Sei muito bem por que cismou comigo. - falei o encarando desafiante. - O seu orgulho simplesmente não aceita ouvir um ‘não’. Mas é melhor se acostumar com isso vindo de minha parte; Já lhe disse milhões de vezes que não sou nenhuma dessas meninas que você pode usar e descartar, então se eu fosse você desistia, por que só esta perdendo seu tempo. – falei tudo sem desviar meus olhos do dele, vendo a raiva estampada em sua face, quando estava pronta para sair, ele puxou meu braço novamente só que dessa vez o apertava forte.
- Isso não ficará assim Gomez. Você verá. - via a determinação em seus olhos, mas não me amedrontei, antes que pudesse falar alguma coisa ele saiu sumindo na escuridão.