OBS.: Sasuke, na verdade, é Justin. A autora é retardada e colocou esse outro nome, não sei o por quê. Podem ler agora :)
Acordei ouvindo as batidas na porta. Abri os olhos, percebendo que estava em meu quarto.
- Selena você vai se atrasar. – reconheci a voz da minha mãe, por mais que sentisse minha cabeça latejante.
Levantei e vi o mundo girar a minha volta, voltei a me sentar, esfreguei os olhos para ver se a tontura melhorava. Não ajudou em nada, mas eu tinha que ir para escola, e pela hora estava bastante atrasada. Entrei no banheiro meio cambaleante, a água gelada fez com que eu despertasse mais. Vesti o uniforme o mais rápido possível, penteei os cabelos, e passei apenas um batom.
Descer as escadas rapidamente não foi uma idéia muito inteligente, minha nuca latejou em resposta. Quando fui até a cozinha para beber pelo menos um pouco d’água, já havia um em cima da mesa junto ao comprimido, de baixo do copo estava um bilhete.
Para ressaca.
Era a letra da minha mãe, lembrava-me de já ter feito isso varias vezes com ela. De certo modo isso me deixou com vergonha de mim mesma. Mas não acho que ela esteja com raiva, e nem eu deveria ficar. Até porque quem nunca errou? Na verdade nem fora tanto assim um erro. Apenas exagerei, e pela dor de cabeça que estou sentindo agora, espero nunca mais exagerar.
Saí de casa em passos rápidos, nunca cheguei atrasada, e não era uma coisa que uma bolsista deveria fazer, se bem que já perdi as contas de quanto Ash interrompia a aula com sua chegada. Em quanto caminhava percebi alguns garotos olharem em minha direção, um assoviou e outro até me ofereceu uma carona. Eu sabia que tinha exagerado na bebida ontem à noite, mas só fora agora que uns fleches piscavam em minha mente. “Mas o que diabos...?!” Eu só podia estar louca. Imagens com eu dançando de uma forma nada indicada para menores passavam em minha cabeça. A cara de ódio do Sasuke. Eu beijando o Taylor! Onde eu estava com a cabeça?
Como se fosse um quebra cabeça, minha mente começava a montar os acontecimentos desde que cheguei naquela festa. Os barulhos do corredor. Suas palavras. E depois aquela cena do corredor. Um gosto amargo me invadiu, estavam nítidas as sensações horríveis que tive depois de ver a cena do corredor. Não estava com nenhum pingo de remorso e muito menos medo. Ele sabe que eu vi, se ele quisesse contar o meu segredo, que contasse então. Minha mãe tinha melhorado e era isso que importa agora.
Passei pelos portões do Instituto, o porteiro não chamou minha atenção, me deu apenas um ‘bom dia’, como sempre fazia. O pátio estava vazio, apenas poucas pessoas que entravam na escola com a mesma pressa que eu.
Subi as escadas, andando rápido pelo corredor. Bati na porta já sentindo as bochechas corarem. O prof. Rafhael abriu a porta, o que me fez ficar temerosa, mas ele parecia estar de bom humor. Quando entrei um silêncio se instalou automaticamente, o que me fez ficar ainda com mais vergonha.
- Bom dia professor. – falei rápido enquanto me dirigia para minha carteira.
- Nada disso. – ele falou, fazendo com que meus pés parassem. – O teste só será aplicado daqui á 40min, que tal a senhorita explicar por que chegou atrasada? – ele se escorou em sua mesa e ficou de braços cruzados esperando que eu falasse. Eu sabia que não iria me safar dele! Ninguém se safa, seja bom aluno ou não.
- Conte para turma o porquê você se atrasou. – ele olhou para turma, coisa que eu não tinha coragem de fazer nesse momento. – Acho que todos vão gostar.
Hesitante, olhei para frente, e vi que Ash sorria um pouco por causa de minha timidez, Demi parecia estar na expectativa. Desvie meus olhos, se não acabaria desmaiando de tanta vergonha.
- Er, eu acordei tarde. – disse olhando para meus pés.
- E por que senhoria? Conte mais. – e o sarcasmo em sua voz era evidente.
- Por que cheguei tarde de uma festa. – falei agora lhe encarando.
- E que festa não é Seleniita? – reconheci a voz de Jaden. – Você estava mais gostosa do que nunca. – ele tinha que falar isso?
- De nerd á piranha. – ouvi a voz estridente de Jasmine. Não hesitei e olhei em sua direção, ela ajeitou os óculos (ela só usa o oculos quando tá na sala) enquanto me lançava um sorriso cínico, era ruim saber que ele estava bem ao seu lado, mas ignorei.
- Pelo menos eu não sou assim 24 horas por dia. – falei.
- O que você esta querendo dizer com isso? – ela disse aumentando o tom de voz.
- Ainda por cima é burra. – disse dando uma risada debochada. A turma inteira riu da cara vermelha de raiva que ela ficou.
- Já chega! – Raphael falou. – Pode se sentar Sr. Gomez, vamos logo dar continuidade a aula.
Fui para o meu lugar, assim que me sentei Ash logo puxou meu braço. Lançava-me um olhar cheio de ansiedades, chegava ser até engraçado.
- Quem é você, e o que fez com a minha amiga?- perguntou aos sussurros. – Nunca te vi encarar a Jasmine daquele jeito. – completou ainda me lançando aquele olhar super aprovador.
- Ela mereceu. – falei simplesmente. Nunca iria contar o verdadeiro motivo por eu estar agindo desse jeito com a ruiva. E ela realmente mereceu.
Ash apenas sorriu, e continuamos a prestar atenção aquela aula, por mais que o professor não tenha mais nada o que explicar no final do ultimo semestre. Ele já havia dado toda matéria, apenas fazia uma pequena revisão. Depois de algum tempo, em fim nos entregou os testes. Quando o ultimo aluno entregara, fomos liberados para o intervalo, para depois assistirmos mais um “treinamento”.
Enquanto seguíamos em direção ao refeitório, me sentia tão monótona. As meninas riam e conversava ao meu lado, eu só ria disfarçadamente ou assentia, mas na verdade não escutava nada, minha mente parecia vagar em varias direções, sobre tudo que ocorrera ontem. Mas eu botava varias barreiras para que ela não atravessasse e me fizesse reviver tudo o que ocorrera. Porem tudo em que eu pensava era em como o dia parecia tão normal, é claro que algumas pessoas me lançavam olhares estranhos, pelo o que tinha feito na pista de dança, mas não era disso que eu estava falando. De repente eu queria que todas aquelas pessoas soubessem o que estava acontecendo comigo, nem minhas próprias amigas que estavam ao meu lado sabiam o que eu estava sentindo, era como se eu fosse completamente desconhecida ao lado delas, ao lado de todos. Há semanas atrás eu era apenas uma garota que se esforçava para terminar o terceiro ano com boas notas, e ir ganha uma bolsa para fazer uma boa faculdade. Mas agora? Tudo tinha mudado. Essas pessoas ainda me tinham como aquela garota gentil e inteligente, mas infelizmente era muito mais que isso.
Decidi afastar tais pensamentos da minha cabeça, não valia mais a pena, as coisas já tinham acontecido mesmo. Quando chagamos ao refeitório, o lugar já estava repleto de alunos como sempre, todos com aquele ar companheiro e gentil. Líderes de torcidas sentando com meninas campeãs de olimpíadas de matemática. Alunos populares puxando assunto com aqueles tímidos que ninguém sequer sabia seus nomes. Tudo tão falso... Balancei a cabeça negativamente enquanto sentávamos á uma mesa.
- Selena estava radiante ontem. – Demi falava sorrindo e olhando para mim. – Eu não sabia que dançava tão bem.
- Isso por que ela sempre teve vergonha. – disse Ash. – Eu já estava bêbada, mas ainda consigo me lembrar de algumas coisas. Como alguém, beijando outro alguém. – ela me lançou um olhar significante.
- Ué, eu estava alterada. – falei me sentindo um pouco tímida.
- Até parece que foi só isso. – A fhsalou e encarando com desconfiança. – Você estava caidinha por ele á muito tempo, e só estava enganando a todos nós.
Apenas balancei a cabeça negativamente. Antes que pudesse responder alguém fechou meus olhos. Mas não pediu para que eu adivinhasse quem é, apenas escorregou as mãos pelo meu rosto, e quando virei para encarar a pessoa me deparei com um rosto bem perto do meu, e antes que eu pudesse evitar seus lábios colaram no meu. Ash e Demi davam gritinhos histéricos.
- Até que em fim. – falou a ruiva enquanto Taylor sentava ao meu lado. Chaz já estava ao lado de Demi, e Russo estava ao lado de Ash.
- Para com isso. – eu falei sentindo minhas bochechas queimarem, não esperava que Taylor fizesse isso no meio de todas aquelas pessoas, mas fora apenas um selinho, mas me deixou surpreendida. Ele entrelaçou sua mão na minha, e um arrepio me percorreu ao me lembrar de quem estava fazendo isso ontem. Eu não ousei olhar em nenhuma direção. “Não tem por que olhar Selena”, uma voz falara na minha cabeça, lembrando-me que não existia mais nada entre eu e ele. Na verdade nunca existiu, não para aquelas pessoas. Nós não passamos de uma mera lembrança vaga, que infelizmente nunca sairia da minha memória. Agora da dele...? Bem isso é outra historia, com certeza encontrará uma garota bem mais interessante que eu e logo eu também não iria passar de uma coisa que nunca existiu. Sem pensar acabei apertando a mão de Taylor na minha. “Isso sim é real.” – disse para mim mesma. Ele não pareceu perceber, e eu tratei de me preocupar apenas com as pessoas á minha frente.
- E quando Taylor irá visitar a Sra. Gomez? – falou Ash sorrindo.
- Outch. Está muito cedo para pensarmos nisso. – falei.
- Ela esta certa. – disse Taylor me olhando. – Não tem por que apressar nada. Na verdade eu nem sei o que esta acontecendo entre nós. – ele disse me laçando um olhar significativo. Eu queria poder lhe dizer que podia ser um namoro. Mas eu não pude. Por que eu realmente não sabia, as coisas estavam todas embaralhadas em minha cabeça. Não queria me confundir e nem confundir ninguém.
- Acho melhor deixar as coisas acontecerem. – disse, e não pareceu uma má idéia aos seus olhos.
- Só me avise se eu estiver pegando muito em seu pé. – ele disse sorrindo. E eu pude ver uma covinha se formando em seu rosto.
- Pode deixar. – falei mais descontraída.
Depois do fim do intervalo todos foram para a quadra, seria o treinamento das lideres agora, mas nós continuamos no mesmo lugar. Conversamos mais, todos descontraídos, até a hora dos meninos jogarem.
Eu, Ash, Demi, e agora Miley ,que nos avistou quando entramos na quadra, nos sentávamos nos bancos da arquibancada. Os garotos botavam a roupa do time. Logo o treinamento começara como sempre a estratégia perfeita, todos pareciam muito unidos, e agiam conforme tivessem ensaiado.
- Ah como eu estou doida para ver o jogo final. – falava Ash toda empolgada.
- É daqui á uma semana. – explicava Miley que também parecia ansiosa. – Esse lugar vai ficar lotado.
- Eu com certeza vou vim. – dizia Demi. – Eu odeio tudo isso, mas se não vim será o mesmo de não ter estudado aqui todos esses anos. E ainda por cima estudamos na mesma sala da metade desses garotos que estão jogando. – eu sabia que devia ser difícil para Demi ter que vim aqui e ficar vendo Joe direto, mas ela estava certa. – E Chaz também joga muito bem, não vou ficar entediada e..- vi seus olhos se estreitando enquanto olhava para quadra. Então deixei de encarar sua face e vi que algo de errado estava acontecendo.
Parecia que estava acontecendo um bate-boca entre dois jogadores, um empurrara o outro com força o fazendo cambalear, então o que quase caiu acabou tendo o capacete no chão e vi que era Taylor, e me surpreendi, afinal o que eu tinha perdido? Nunca o vira entrar em uma briga, e quando o adversário tirou sua proteção da cabeça vi que era Justin, e meus olhos quase saíram das orbitas. Mas o que estava acontecendo? Antes que os outros garotos chegassem para separar os dois, Justin fora para cima de Taylor desferindo dois socos em sua face estava prestes a acertar mais um quando Ryan lhe segurou o impedindo.
- Taylor deu um passe errado, aí do nada Justin veio para cima dele. – Disse Miley que também encarava toda confusão. Pessoas a nossa volta gritavam animadas pela briga, mas eu não achei nada legal quando Taylor se levantou e deu parar ver sangue saindo de seu nariz. – Ele não deveria ter feito isso. – Miley balançava a cabeça negativamente. Vi que Ryan dizia alguma coisa no ouvido de Justin, mas ele ainda parecia furioso.
- Ele deve ter agido assim por stress. – disse Ash. Ela nunca botaria a culpa em Justin pelo que ele fez.
Mas eu sabia. Sabia que era bem mais do que estresse, ele só estava querendo uma oportunidade para fazer isso. Mas por quê? Será que estava com orgulho tão ferido?! Devia ser difícil ver que perdeu algo que era seu para outro. Mas eu não sou um objeto Justin. – eu queria lhe dizer isso. Por que o que ele fez ontem ninguém teria feito, olhou em meus olhos forjando sinceridade, e me disse que seria difícil me esquecer. Mas só foi eu virar minhas costas para ele se agarrar a outra. Por que ele fazia isso? Por que batera em Taylor para mostrar que estava com raiva por me ver com outro? Por que faz parecer que esta com ciúmes? Quando na verdade tem uma namorada e não tem vergonha de exibi-la para a escola inteira. Enquanto eu era apenas uma sombra, uma sombra que nunca viraria alguém ao seu lado.
Alguém do time apareceu ao lado de Taylor lhe dando um pano para que ele estancasse o sangue, e seguiu em direção a enfermaria da escola – assim eu pensava. Ryan não segurava mais os braços de Justin. Mas eu vi quando ele olhou em minha direção, Ryan seguiu seu olhar e balançou a cabeça negativamente, confirmando todas as suspeitas que eu tinha em relação aquela briga. Só naquele olhar eu vi uma raiva imensa, mas podia ver certo tipo de angustia. Ele virou a face para o outro lado antes que alguém percebesse. Mas senti Miley me encarando, e quando lhe olhei vi que havia confusão em seus olhos perolados. Porem eu não demonstrava nenhuma emoção que me denunciasse então ela apenas olhou para frente - quem sabe descartado qualquer hipótese que sua mente tivesse criado, dentre aquela troca de olhares.
Com a confusão o resto do treinamento fora cancelado. Os alunos foram liberados, mas eu tinha que fazer uma coisa antes de ir embora. Fui em direção aos corredores do Instituto, e quando achei a porta a abri. O ambiente todo branco, com algumas macas, e cortinas azuis separando uma das outras. Taylor estava sentado logo na primeira, uma senhora de meia idade de pele morena e cabelos castanhos, fazia um curativo em seu nariz, e botava uma bandagem em um corte que havia em sua sobrancelha. Justin com certeza não estava brincando. Quando a senhora saiu de sua frente, vi que Tayor notara em fim minha presença, mas ele não deu um dos seus belos sorrisos que sempre me dava. Eu estranhei um pouco aquela atitude, mas depois de entrar numa confusão dessas, ninguém ficava feliz. Sentei ao seu lado.
- Como ele fez isso? Eu não vi, mas me disseram que foi por que você deu um passe errado. Ele com certe-
- Ele me falou de você! – e aquilo me fez parar de falar imediatamente. Os olhos castanhos de Taylor me mostravam que o que disse não era nenhuma piada.
- O que? – perguntei sem acreditar.
- Antes mesmo de entrarmos na quadra, quando não tinha mais ninguém no vestiário, ele me perguntou se eu estava me divertindo com você. Eu não entendi muito bem a pergunta e não dei muita importância, ele parecia sempre estar zangado comigo, na verdade nunca nos demos bem. – explicava Taylor, ele olhava para um ponto no chão.
- Quando fomos jogar no meio da quadra, enquanto alguns tentavam lançar a bola, ele chegou perto, sempre com aquele sorriso na cara, e sabe o que ele me disse? – então ele me encarou e pela primeira vez vi raiva em seus olhos. – Disse que enquanto eu tocava minha musica idiota você estava lá transando com ele! – eu abaixei os olhos sentindo meus olhos encherem d’água. – Eu acabei me desconcentrando e dei um passe errado. Falei que não acreditava nele, que ele só podia ser um filho da mãe maluco. Mas então ele veio pra cima de mim com tudo, me falando para me afastar de você se não ele me quebrava todo, e aí acabamos brigando. – sua respiração estava ficando agitada enquanto ele falava, já a minha parecia nem existir.
- Sabe, eu não entendi muito bem a situação, tudo estava girando na minha cabeça, era muita coisa, eu estava bastante confuso. Então eu me perguntei, ou ele está louco, ou o que ele falou é verdade. Mas eu não queria acreditar. Mas foi aí que eu lembrei. A festa na casa do Ryan, você sumiu de repente. O jeito estranho que você ficou quando ele estava do seu lado lá no refeitório, as sumidas que você deu ontem na casa dele! Selena por favor, diz que é mentira! – ele disse a ultima frase um pouco mais alto. Uma lágrima rolou pelo meu rosto. Levantei os olhos e vi decepção estampada em suas feições.
- Me desculpe. – falei baixo.
- Então o que aconteceu ontem foi o que? – eu evitei seu olhar. – Ele estava lá, não estava? Na hora em que você me beijou, ele estava lá assistindo tudo, não foi? Você só fez isso para deixar ele com ciúmes, para ele largar a namorada?
- Me desculpe, por favor. Mas as coisas não são assim como você está pensando. – eu falei, mas vi de que nada adiantava, sua expressão era inabalável.
- Naquele dia que eu estava cantando para você, você estava... transando com ele?! – mas uma lágrima escorreu, e eu vi que ele parecia estar sofrendo também. – Aproveitou para rir de mim também?
- Não! Eu juro. Você não entende! – eu tentei tocar em seu braço, mas ele se afastou.
- Você não é a pessoa que eu pensei que fosse. – sua voz era dura. – A pessoa que ninguém pensa que você é. Acho melhor você ir embora. – falou agora sem me encarar. Eu engoli em seco.
- Por favor, não conta nada a ninguém. – falei num sussurro e receosa. Eu sabia que estava sendo baixa, mas eu não queria que as coisas ficassem ainda piores. Ele deu um riso seco.
- Não se preocupe, por mais hipócrita que você está sendo, eu não vou me meter nisso.
Sai da maca, indo em direção a porta, raiva e humilhação me queimando por dentro. Antes de abri a porta, olhei para trás.
- Não tem nada haver com você. Eu nunca pensei em te magoar, só espero que um dia você me entenda. – sequei uma lágrima do meu rosto. E não lhe dei chances de responder, saindo e fechando a porta atrás de mim.
...
Sai daquele corredor sentindo a raiva explodindo dentro de mim. Como ele pode fazer isso comigo? Como Justin podia ser tão baixo? Como ele podia ser tão egoísta!
Fui em direção a saída da escola passei pelos portões, as coisas não poderiam ficar assim. Ele não tinha o direito de fazer isso comigo. Caminhei em passos rápidos até o ponto de ônibus mais próximo. Só de pensar na decepção impregnada na face de Sasori fez meu sangue ferver. Ao passar por uma esquina, e ver a rua onde costumava deixar o seu carro quando nos encontrávamos no bosque, olhei apenas por intuição e me surpreendi ao ver que ele estava de pé ao lado do carro, e parecia impaciente. E ao levantar os olhos e me ver, ele enrijeceu a postura. Veio em minha direção, mas não antes que eu, que avancei com tudo em cima dele.
- Seu idiota! – falei enquanto batia em seu peito, ele segurou meus pulsos. – Como você teve coragem de falar àquilo para o Taylor. – disse, tentando soltar meus pulsos de suas mãos.
- Calma Selena– ele disse me empurrou em direção à parede me imobilizando, para que eu parasse de me debater. Mas eu continuei. Minha raiva apenas aumentando. – Eu quero falar com você, droga! – ele já começava ficar impaciente.
Parei por um instante lhe encarando, minha respiração acelerada. Reparei que a raiva que vi em seu rosto lá na quadra, havia se dissipado. Ele estava estranhamente calmo.
- Como você teve coragem? – falei, encarando seu rosto, ainda sem acreditar no que ele tinha feito.
- E você acha que é fácil ver você com outro? – ele falou agora demonstrando um pouco de raiva, mas isso não alterou muito sua calma, como antigamente.
- Agora a culpa é minha? – falei lhe encarando com rispidez. – Eu nunca cheguei para Jasmine e falei nada. Até por que eu mandei você me esquecer! – vi que sua expressão mudara um pouco, ele demonstrava um pouco daquela angustia agora. Mas então ele riu secamente.
- E como você queria que eu te esquecesse com você me provocando ontem na festa. Dançando daquele jeito, e beijando aquele idiota na minha frente! – senti as mãos dele tremerem um pouco enquanto segurava o meu pulso. – Você não sabe quanto controle eu tive que ter para não te pegar pelo braço e te puxar de lá. – e eu me perguntava se era para me dar uma lição ou me levar para o seu quarto. Mas outra coisa me veio em mente.
- Como você pode me dizer isso, enquanto você estava lá com a sua namorada tirando as roupas dela? – perguntei, tentando não deixar minha mágoa transparecer.
- Não era para você ver aquilo. – ele disse serio. Agora foi a minha vez de rir secamente.
- E você dizendo que não seria fácil esquecer... - e para minha surpresa minha voz saiu em um deboche puro. Ele pareceu se incomodar com a minha ironia.
- E não é Selena! – me surpreendi com a firmeza de suas palavras.
- Meio difícil de acreditar, não acha? – a minha ironia ainda estava lá.
- Você precisa saber das coisas. – olhei para ele confusa. – Você precisa saber que as coisas não são tão simples. – percebi que era difícil ele estar falando isso. Talvez um assunto que ele tinha repulsa em falar. Mas a minha raiva e magoa eram fortes.
- Talvez eu não queira saber Justin. – disse vendo a surpresa em seus olhos. Eu não queria que ele me contasse mais mentiras, não queria mais teatrinhos na minha vida.
- Eu não acredito em você. – ele disse firme. – E eu também não quero que você pense o pior de mim. – olhei para o lado, evitando seus olhos, não queria que ele visse a surpresa estampada em minha face. Olhei para ele encarando seus olhos, e não vi nenhuma falsidade neles. “Mas eu me enganara uma vez”, - pensei. Suspirei, pensando em da mais um voto de confiança.
- Ok. – falei por fim. Ele soltou meus pulsos e segurou minha mão, meu principal reflexo, fora puxá-la. Porem não queria que o clima ficasse pior. – Onde estamos indo? – falei quando ele abriu a porta do carro para mim.
- Para minha casa. – disse já ligando o carro.
- E por que temos que ir para sua casa. – falei um pouco receosa. Aquilo era perigoso de mais, e se ele tentasse alguma coisa? Ou pior, e seu eu me entregasse?
- Esta com medo? – ele disse dando um sorriso de lado quase imperceptível.
- Não. – mas eu estava mentindo, e ele sabia disso.
- Bem, se você quiser, nós ficamos aqui, no carro, esperando algum amigo seu passar, e nos ver juntos. – ele disse cruzando os braços atrás da cabeça. Revirei os olhos.
- Esta bem! – falei, sabendo que ele tinha razão.
...
Quando chegamos à mansão, me senti estranha. O que diabos eu estava fazendo ali? E quando ele começou subir as escadas eu sabia exatamente onde estávamos indo. Parecia que ele estava prestes a brincar comigo mais uma vez, e eu estava tornando tudo tão fácil. Deus, ele estava agarrando à namorada ontem e eu vira a cena, eu lhe disse para me esquecer, por que eu decidi esquecê-lo, e aqui eu estava. Como as coisas podiam estar assim? Parei antes de subir o primeiro degrau da escada, ele olhou para trás me encarando, e vi que ele sabia exatamente o que eu estava pensando.
- Se quiser nós podemos ficar aqui mesmo na sala. – ele disse ainda me fitando. Mas de certa forma eu não queria parecer tão patética.
- Vamos logo. – falei começando a subir as escadas, ele não disse mais nada apenas veio ao meu lado.
Ao chegar no corredor não disfarcei quando evitei de olhar para o lado direito, só de estar aqui, era como se aquelas imagens invadissem minha mente sem permissão, e com ele aqui do meu lado só pioravam as coisas. O quê quer que fosse que ele tinha para dizer tinha que ser uma coisa muito importante.
Abriu a porta do quarto, eu entrei sem hesitar, mas talvez devesse. Não esperava que as lembranças fossem tão nítidas, mas infelizmente essas eram boas. Até mesmo o cheiro do quarto fazia me lembrar de tantas coisas. O criado mudo que um dia tinha sobre si uma garrafa de uísque, as persianas entre abertas, a cama... Não esperava me sentir tão mal, e um pensamento mesquinho me ocorreu, me dizendo que talvez ele estivesse fazendo isso de propósito, ele queria que eu sentisse saudades, mas outra parte me disse que pelo olhar dele, o que menos ele pensava era nisso agora.
Justin se sentou na poltrona, enquanto eu preferi sentar em uma cadeira que ficava meio metro longe. Ele parecia exausto, mas não fisicamente, parecia apenas cansado de começar a falar sobre ‘o assunto’. Eu apenas fiquei lhe encarando e aguardando que ele começasse a falar.
- Eu sei que você ficou confusa com o jeito que eu estava te tratando. E acredite não foi de propósito. – ele fitava algum ponto no chão parecendo estar perdido em lembranças. – Não era para as coisas ficarem mais sérias. Nunca foi esse o ponto. Eu queria você, a maioria dos garotos queria... Só que eu não pensei que fosse ter que descobrir um segredo da sua mãe para te ameaçar. Mas eu gostei. Você era difícil. Era bem mais interessante do que as outras. – ele sorriu de canto, mas eu estava começando a ficar um pouco nervosa com aquele assunto.
- Bem aí nós começamos a ficar. Não era para ter durado tanto tempo, mas durou. e não foi só isso... – então ele me encarou, mas não deve ter visto nenhum sinal de surpresa, até por que eu sabia desde o começo qual eram suas verdadeiras intenções.
- Eu estava começando a contar tudo para você, o que eu sentia, o que eu pensava. E você ficava me olhando daquele jeito, de como me entendia perfeitamente, e daquele jeito que me fazia acreditar que você sentia algo forte por mim. – ele olhou novamente para o chão, parecendo se lembrar nitidamente. – E quando você me pediu para terminar com a Jasmine, você foi a primeira garota que me fez considerar essa opção. – o que ele devia sentir pela Jasmine não devia ser qualquer coisa, mas então por que traí-la como ele fazia tanto?
- Mas quando aquele idiota declarou aquela musica para você...! Eu via como ele sorria para você na frente de toda escola, eu via como falava coisas que te faziam ficar corada. Eu observava tudo àquilo com raiva, por que eu não podia estar no lugar dele. - Jasmine. O sentimento dele para com ela, nunca o deixaria ficar do meu lado.
Sua voz era ríspida enquanto parecia relembrar dos fatos. Mas então ele deu uma risada um pouco seca. – E acredite ou não, mas você foi a primeira garota que me fez ficar daquele jeito possessivo. – isso sim era difícil de acreditar.
- Eu estava começando a odiá-lo, e descontava tudo nele quando estávamos treinando, e de certa forma ficava com raiva de você também! Eu não entendia o porquê de você não dar um fora logo nele. Mas quando ele começou cantar aquela musica, na frente da escola toda, então eu soube que não havia apenas amizade entre os dois.
- Justin, eu nunca –
- Eu acredito em você. – me cortou. – Mas foi difícil ver que eu estava te perdendo. Ver o quanto você ficou feliz enquanto ele cantava aquela musica, me fez ver que eu te perdi.
- Você está sendo egoísta. – falei com um pouco de raiva, ele falava parecendo como se eu fosse culpada. – Você namora a Karin, não sabe o quanto era difícil para eu agüentar isso.
- Mas eu fazia de tudo para não ficar com ela não sua frente, eu a evitava tanto.
- Mas não é difícil imaginar o que vocês faziam. – disse, me lembrando de quantas vezes eu ficava rolando na minha cama, imaginando que naquela mesma hora ele devia estar fazendo sabe se lá o quê, com a morena.
- Depois que te tive, nunca mais consegui tocá-la, era simplesmente impossível. Eu só pensava em você! – aquilo me surpreendeu, e notei que ele se aproximou automaticamente. Encostei minhas costas no encosto da cadeira, me afastando.
- Depois que dormi com você, então eu sabia. Eu fui fraco em te contar todas aquelas coisas, eu não deveria ter feito aquilo. – por que era mentira. Pensei. – Eu estava transtornado, e a bebida não ajudou muito. E no outro dia eu percebi. Era tarde de mais. Para nós dois. – eu não entendi muito, mas deixei que continuasse. – Não tinha mais volta, mas mesmo assim não tinha como ficar sem você. – estava começando a ficar um pouco confusa.
- Então marquei aquele encontro, eu não devia, mas eu simplesmente não conseguia ficar distante de você. E quanto mais eu te tocava, mas eu sabia que era um erro, eu só estava complicando as coisas. Eu sabia que no final não podíamos ficar juntos. – ele realmente parecia serio, ele não estava mentindo. Sorri tristemente com sua afirmativa.
- Você gosta dela de mais para largá-la não é? – disse com um misto de tristeza e raiva, mas tudo o que ele fez foi soltar uma gargalhada.
- Você está brincando, né? – perguntou me encarando. – Tudo o que eu mais queria era terminar com ela.
- Qual seria o outro motivo então? Por que você não faz isso então. – perguntei indignada, por que se ele queria tanto, por que nunca o fez?
- Eu disse que as coisas não são tão fácies como você pensa. – ele disse, e suspirou fundo. – Eu tenho que ficar com ela.
Aquilo foi como um banho de água fria. Ele era obrigado a ficar com ela?! Varias razões se passou ela minha mente, desde ela ameaçá-lo como ele fazia comigo, até ela ter uma doença e ele ter que ficar com ela por pena. Mas do jeito em que ele a traia na maior cara de pau, eu achei pouco provável.
- Selena minha mãe morreu por minha culpa. Meu próprio pai jogou isso na minha cara. – o encarei sem acreditar. – Ele simplesmente não liga mais para a empresa nem nossa herança, quem segura às pontas é o meu irmão mais velho lá nos Estados Unidos. – peraí ele tinha um irmão? E por que o pai dele ficara assim.
- Com a morte da minha mãe ele simplesmente passou a me odiar. Sempre faz de tudo para não ficar em casa. Meu irmão decidiu ir para os EUA melhorar as coisas, mas não era assim tão fácil. Depois de perde tanto dinheiro a toa com a empresa mal administrada precisávamos de uma boa quantia para meu irmão reerguer a empresa. E é aí que eu entro. – ele disse amargamente. – Todas as pessoas da alta, estavam sabendo o que estava acontecendo e certo dia um homem veio nos visitar e ao seu lado estava Jasmine, era o pai dela. Veio com o bláblá dizendo que sabia o que estava acontecendo eu fiquei junto ao meu pai na sala querendo saber até onde aquele senhor queria chegar. Foi então que ele disse que daria o capital para o meu, mas nada é de graça. Começou falando como ser da alta sociedade sempre tinha seus prós e contra, e em fim chegou ao ponto, falando que sua única filha já estava ficando na idade de assumir compromisso serio, que além do dinheiro com a junção de Jasmine e eu eles podiam fazer contrato e em fim reerguer a empresa.
O olhava chocada, na verdade nem sabia que esses contratos ainda eram feitos, então tudo era uma farsa. Mas por que ele não se impôs?
- Eu não pude fazer nada, e o meu pai também não pediu minha permissão. Era o mínimo que eu podia fazer, ele me disse isso quando Jasmine e seu pai foram embora, e eu sabia que ele estava certo. Sabe, não era fácil ter um futuro decidido, até por que depois da morte da minha mãe eu simplesmente pegava as garotas e apenas isso. Eu já tinha ficado com a Jasmine antes, eu vi que ela tinha ficado completamente apaixonada, fez de tudo para que ficássemos juntos, mas eu não a queria para um relacionamento serio até por que eu não gostava dela, eu não gostava de ninguém, simplesmente não conseguia. – ele me olhou de um jeito que eu mudara isso nele.
- Eu não me surpreenderia se ela tivesse convencido ao pai para fazer esse acordo com o meu pai. E isso me deixou com raiva, então assumimos compromisso, isso faz uns três anos. A empresa se reergueu, e mesmo com as farras de meu pai, nada mais a abala. Meu irmão faz um bom trabalho. Mas isso não significaria que eu e Jasmine seriamos um casal perfeito e feliz. Eu nunca fui uma pessoa presa, sempre fui livre, e mesmo com esse maldito contrato ela não iria me prender, e ela percebeu isso quando comecei a traí-la. No começo ela quis se impor até por que ela estava sendo humilhada perante todo instituto, por que todo mundo sabia o que eu estava fazendo. Mas eu era completamente indiferente, e disse se ela fizesse um escândalo indo reclamar com o pai, ela iria me perder. Então vem agüentando tudo isso, mas por culpa dela mesma. Se tem uma pessoa que pode cancelar esse contrato esse alguém é ela. Meu pai poderia fazer isso devolvendo todo o dinheiro, e insistindo muito. Mas ele nunca faria, por que esse é o preço que eu tenho que pagar por tudo que eu fiz. Por que foi eu quem desgraçou toda família.
Eu nem sabia o que falar. Absorvia aquilo tudo sem poder acreditar, sinceramente como o casal mais rico de todo aquele instituto de elite podia ter um segredo desses? Agora tudo fazia sentido.
- Agora você entende por que não podemos ficar juntos? – ele disse me encarando. – Bem, não do jeito que você quer. – completou.
Eu entendia, sabia que ele tinha motivos, que pelo visto eram bem fortes. Mas o que ele esperava? Eu teria que ser sua amante para sempre? Era simplesmente inaceitável, eu o amava demais para agüentar isso.
- Mas as coisas não podem ser assim. – falei por mais que tivesse pesar em minha voz. – Eu não posso ser apenas sua amante. Eu não quero ser uma sombra na sua vida. – disse me lembrando do quanto isso me deixava triste.
- Você nunca foi uma sombra Selena! – ele disse agora se inclinando para frente, e segurando minhas mãos. – Você foi a primeira garota que me fez querer algo serio. Você é a única com quem eu me sinto livre. – isso me pegou desprevenida. Ele fazia um leve carinho com os polegares nas costas de minhas mãos, e apenas com isso eu podia sentir um leve choque que fazia com que um frio passasse pelo meu ventre.
- Eu não posso Justin, sofreria de mais. – falei já sentindo um pequeno nó na minha garganta.
- Acredita quando eu falo que queria as coisas diferentes. E eu quero que elas sejam, mas para isso... Não seria fácil, mas eu vou tentar. Eu também não agüento mais, não quero te perder. Não quero deixar você ir. – ele se aproximou mais, encarando bem os meus olhos. – Eu te amo.
Eu queria muito ver um furo ali, perceber alguma coisa no mínimo detalhe, mas não tinha nada. Apenas dois onixes banhados de sinceridades, de firmeza. E um lado meu o odiou por isso, por que as coisas seriam bem mais simples se ele estivesse apenas brincando comigo. Mas era verdade. Meu coração batia forte em meu peito, e perguntas rodeavam minha mente. Como em menos de uma hora as coisas podiam mudar tanto? Há pouco tempo eu estava querendo bater nele, e xingá-lo pelo que tinha feito. E agora ele estava aqui me olhando daquele jeito tão intenso, que eu só pensava em dizer que também lhe amava. Não vou mentir, o que aconteceu ontem na festa ainda me magoava, mas eu também dei o troco. Taylor estava certo em dizer que eu queria deixar Justin com ciúmes, e queria deixar bem claro que tinha me perdido. Fora uma armadura em que eu criei, mas que agora desmoronava aos poucos.
Vendo que eu não disse nada, ele se recompôs se afastando um pouco e largando minhas mãos, deixou de me encarar por um momento, e sua face ficara indecifrável mais uma vez.
- Se você não quiser isso, eu te entendo. – ele olhava em direção a janela. – Não vou contar nada sobre sua mãe para ninguém. Você está livre. – dava para ver que ele parecia triste. – Eu não quero te forçar a ficar comigo. – então vi seus olhos encararem os meus. – Eu só quero que você seja feliz.
Meu coração palpitava forte, e minha respiração estava acelerada. Minha mente incapaz de acreditar nas palavras que saíram de seus lábios, eu sabia que surpresa estava explicita por toda minha face.
- Posso dizer para o Taylor que eu estava mentindo. Digo que te ameacei, eu sei que ele vai te desculpar. Ele é louco por você. – ele encarava a janela mais uma vez. Como ele podia falar isso? Eu já tinha dito que lhe amava, mas talvez depois de ontem ele duvidasse. – Se você quiser já pode ir embora... – não me encarou a dizer isso, talvez não querendo que eu detectasse a tristeza em seus olhos, porem ele mal sabia que o tom em sua voz o revelou.
- E por que eu iria embora logo agora? – disse percebendo que as palavras saíram um pouco falhadas. Ele me olhou de imediato. – Eu só posso ser feliz com você. – e senti uma lagrima descer pelo meu rosto.
Meu coração batia acelerado, e quando ele se aproximou mais uma vez, pude ver felicidade e alivio em suas feições. Deu-me um beijo rápido, grudou sua testa na minha.
- Eu pensei que fosse te perder. – sussurrou. Dei um ligeiro balançar de cabeça.
- Você subestima o que eu sinto. – falei baixo.
- Não mais. – ele disse, agora encarando meus lábios, um arrepio percorreu meu corpo.
O beijo começou lento, um querendo sentir o sabor do outro sem presa, mas isso não durou por muito tempo. Logo seus lábios estavam famintos nos meus, e eu correspondia com a mesma intensidade. Suas mãos na barra de minha blusa puxaram devagar, como se ele hesitasse em fazer isso. Dei uma leve afirmação com a cabeça, e sem demorar a blusa do uniforme do Instituto estava jogada no chão daquele quarto. Foi a minha vez de tirar sua camisa, e em seguida minhas mãos passeavam pelo seu peito. Ele me puxou para mais perto, me fazendo sentar em seu colo. Beijava-me com urgência, e suas mãos que estavam em minhas costas abriram o feixe do sutiã. Se afastando um pouco ele observou minha semi nudez, capturando cada detalhe.
- Eu nunca vou me cansar de dizer o quanto você é linda. – falou, me fitando, as costas de sua mão que acariciava minha face, desceu passando pelo pescoço, pelo colo, e quando passou pela parte sensível do meu seio, fez com que se arrepiasse apenas com esse toque.
Beijamos-nos mais uma vez, mas agora sua pele na minha entrando em contato, parecia que uma corrente elétrica passava por todo meu corpo, fazendo com que todos meus pêlos se eriçassem. Suas mãos foram até minhas coxas puxando meu quadril com força, e arfei entre nosso beijo ao sentir o quanto ele já estava excitado. Ele levantou da poltrona comigo em seus braços, me deitando na cama. E se livrando em seguida da minha calça jeans, e tênis que ainda estavam em meus pés.
Deitou por cima do mim, e me encarando com aquele olhar feroz que fez com que meu corpo estremecesse. Tirou a calça de seu corpo junto aos sapatos, olhei para o lado vendo peças de roupas espalhadas por todo chão do quarto, mas não tive tempo para pensar sobre isso, por que ele começou a beijar meu pescoço, e fechei os olhos arfando baixinho. Uma de suas mãos massageava o meu seio direito, enquanto a outra tirava a minha calcinha. Já estava ficando nervosa, eu sei que era meio estranho, visto que tínhamos feito isto já duas vezes, mas eu ainda ficava assim e parece que ele percebeu.
- O que foi? – e quase me assustei com a rouquidão de sua voz.
- Não sei. – falei sinceramente. – Me sinto tensa. – vi um sorriso de lado brotar em seus lábios. Só que estava repleto de malicia.
- Eu sei o que fazer. – falou baixinho, e mordeu a ponta de minha orelha em seguida.
Eu não fazia idéia do que ele tinha em mente, mas ele continuou a beijar o meu pescoço, e me concentrei apenas nisso. Então ele começou a descer os beijos, passando pelos meus seios, minha barriga, até eu descobrir o que ele estava prestes a fazer, e minhas pernas que estavam flexionadas e um pouco abertas se fecharam de imediato.
- Você está louco. – falei quase gritando. Um dia Ash me falara sobre sexo oral, dizendo que quando estava se amassando com um garoto em uma festa ele propôs que uma ‘troca’, dizendo para um fazer no outro, e como minha amiga é uma sem juízo aceitou, e falou que por pouco não transou com o tal garoto, por que a sensação foi tão incrível que ela viu estrelas. Eu já vira muitas estrelas com Justin, não precisávamos fazer isto, e se era estranha ficar tensa, multiplique isso por cem, e era isso que eu achava para o que ele estava prestes a fazer. Mas ele ria da minha vergonha.
- Você vai gostar, não vai se sentir mais tensa depois disto. – ele acariciava minhas coxas com as mãos, pronto para abrir minhas pernas, mas eu as mantinha bem fechadas.
- Não precisa fazer isso, você sabe que depois eu fico mais relaxada. – disse, e era verdade, era só questão de costume.
- Eu quis fazer isto desde primeira vez que dormimos juntos, mas eu sabia que você ficaria desse jeito. – ele disse. – Na verdade você não deveria reclamar, não faço isso em muitas.
- Nossa, era só isso que faltava para me fazer mudar de idéia. – falei irônica.
- Deixe disso, se você quiser que eu pare, vou para então. – ele disse, afastando um pouco minhas pernas, por mais duras que elas estivessem. Por que ele tinha que ser tão forte?!
Olhei para ele vendo que seu olhar era pidão, oh eu o odeio! – pensei por não conseguir dizer não para ele.
- Ok, mas eu sei que ainda vou me arrepender disto. – falei fechando os olhos, e relaxando as pernas, percebendo que sem o menor esforço ele afastou uma das outras.
Então começou, senti seus lábios bem... Lá! Eu sei que meu rosto estava pegando fogo, eu não acredito que ele estava fazendo isto. E me sentia ainda mais nervosa, meu coração batendo rápido. Parecia que o plano não era assim tão bom, - pensei, sentindo minhas pernas tensionadas, mas ele continuava acariciando elas. Sua língua passeou pelo meu clitóris e isto fez com que minhas mãos se enterrassem nos lençóis. Ele continuou, mais rápido e agora meu corpo se arqueava sem permissão, minha testa estava suada, e sem me conter mais soltei um gemido, minhas pernas estavam bambas em suas mãos, então ele introduziu um dedo depois outro, minhas mãos seguravam os lençóis com força eu abri os olhos apenas um pouco, e um frio na barriga se apoderou de mim, quando vi seus olhos me encarando daquele jeito. Ele começou com o vai e vem dos dedos enquanto sua língua continuava no meu clitóris, sem mais agüentar, senti os dedos dos meus pés se contraírem denunciando meu orgasmo.
Minha boca estava aberta, enquanto eu ainda arfava, mas logo senti seus lábios estando nos meus, sua língua invadindo minha boca de um jeito provocante, e eu pude sentir meu próprio gosto.
Ele estendeu a mão até o criado mudo abrindo a primeira gaveta e tirando de lá um preservativo. Lembrei-me que da ultima vez não usamos, mas ele havia ejaculado fora de mim. Tirou a boxe que estava usando, depois de botar o preservativo, me fitou, e eu vi o quanto ele estava se segurando. Mas ele me penetrou devagar, movi meu quadril lhe informando que ele não me machucava, meu corpo estava o mais relaxado possível. Ele sabia exatamente o que estava fazendo quando disse que depois do sexo oral meu corpo não estaria nenhum um pouco tensionado.
Seus olhos estavam nos meus, enquanto ele investia dentro de mim. E eu sabia que não era só sexo, seu rosto estava sereno, mas aquele havia ainda aquele desejo impregnado em seus olhos. Eu queria muito saber o que passava em sua mente, queria descobrir como ele começou a gostar de mim. Ele aumentou seus movimentos, e minhas unhas cravaram em suas costas, o vi arfar, e aumentar mais ainda. Meu quadril o acompanhava, e dessa vez eu não fechei os olhos, e ver sua face sufocando o prazer, me fazia estremecer. Quando o conheci era tão distante e frio, mas agora estava totalmente entregue.
Quando acabou ele deitou do meu lado e me aconcheguei deitando a cabeça em seu peito. Nossas respirações altas e aceleradas. Ele inclinou a cabeça e me beijou. Não estava serio nem distante ao contrario, estava ali fazendo um leve carinho em minha nuca e com o rosto tão sereno, que eu achei que fosse um sonho.
- Eu fico aliviado por ter te contado. – ele disse depois de alguns minutos. – Eu sempre ficava pensando que o que estava fazendo era errado, e que você não merecia.
- Mas como ficaram as coisas agora? – perguntei sustentando minha cabeça em minha mão, para poder encará-lo.
- Vou enfrentar o meu pai, não vai ser fácil, ele vai jogar a culpa toda na minha cara, e nunca vai aceitar o nosso namoro. – isso me deixou um pouco triste, mas eu preferia que as coisas se resolvessem. – Mas eu tenho minha parte de dinheiro naquela empresa, então posso pagar o pai de Karin, sei que vai ser um custo para me livrar disto, mas vou insistir até conseguir. Mas quando ela descobrir...
- Vai transformar a minha vida em um verdadeiro inferno. – falei completando a sua frase.
- Pode ter certeza que não vai ser só a sua. – ele disse. Uma coisa veio a minha mente.
- Ela nunca gostou de mim, mas tenho a impressão que ela já está cismada comigo. – falei lembrando como Jasmine me olhava estranho às vezes.
- Foi por descuido meu. – ele disse fazendo uma cara exagerada de culpa, eu ri um pouco. – Falei o seu nome uma vez quando estávamos juntos. – ele disse, e só de imaginar eles dois vinha àquela imagem no corredor. Espantei aquilo da minha mente. Então me lembrei de uma coisa que ele falou hoje.
- Mas você disse que não tinha mais dormido com ela depois, que nós, er..., fizemos sexo.
- Nessa época nós dois não tínhamos ainda transado. – ele falava com tanta naturalidade, que eu me perguntava com quantas meninas ele já tinha dormido.
- Então como você falou o meu nome, se ainda não tínhamos nem dormidos juntos? – disse achando aquilo estranho.
- Eu tenho boa imaginação. – ele disse e eu fiquei um pouco corada. – E para completar ainda tinha bebido. – balancei a cabeça negativamente.
- E quando é que você não bebe? – perguntei e minha voz saiu um pouco ríspida.
- Até você reclamando da bebida? O Ryan já vive no meu pé, agora você. – ele não parecia zangado, apenas reclamava um pouco.
- Lógico, será que você ainda tem um fígado? – perguntei, lhe encarando. Mas ele pareceu serio de repente.
- O álcool alivia às vezes. – e eu sabia do que ele estava falando, era a culpa que ele sentia da morte de sua mãe. Eu queria muito saber o que de fato tinha acontecido, mas agora não parecia uma boa hora.
- Mas não é a melhor saída. – eu disse, eu não queria bancar a autoritária, mas sempre que as coisas pareciam estar complicadas sempre o via com um copo na mão. E foi justamente assim que minha mãe começou com o seu vicio, e apenas eu sabia o quanto foi difícil para ela largar de vez a bebida. – Você sabe pelo que minha mãe passou. Não quero que aconteça o mesmo com você. – disse e vi que ele me encarou surpreso, e tinha ternura em seus olhos.
- Vou me controlar mais, te prometo. – ele disse beijando o topo de minha cabeça. Suspirei fundo, me lembrando de mais um problema que ainda tínhamos que encarar. – O que foi? – perguntou, percebendo minha inquietação.
- Ashaey. – falei, sentindo o peso de seu nome, Justin também percebeu que as coisas realmente não seriam de longe tão simples. – Quando ela souber... – minhas palavras morreram antes mesmo de eu completar a frase.
- Se ela for mesmo sua amiga ela vai te entender. – ele disse, mas com certeza ele não a conhece.
- Ela sempre foi apaixonada por você, desde que entrou naquele Instituto. – falei lembrando quantas vezes ela falava nele.
- É só ilusão, ela nem me conhece para estar assim tão apaixonada. – eu sabia que ele tinha razão, mas mesmo assim não seria fácil. – Vamos deixar as coisas acontecerem de cada vez, não adianta chorar por algo que ainda nem aconteceu.
O olhei surpresa, depois de tanto tempo ele estava parecendo tão sábio, que nem parecia aquele garoto mimado e arrogante.
...
Tomamos banho e depois de nos arrumamos, ele deu a idéia de assistirmos filme, fiquei um pouco hesitante, até por que não queria preocupar minha mãe quando ela chegasse do trabalho, mas ainda faltava muito para isso acontecer.
Fomos para uma sala onde fora reservada só para isso, tipo ele tinha uma sala apenas para ver filmes, com aquela tevê de plasma gigante, e a estante repleta de DVDs. Um sofá vermelho tomava espaço na sala, as persianas fechadas deixando o ambiente escuro. Ele escolheu um filme de suspense, e pediu para empregada preparar um lanche para nós dois, enquanto comíamos eu prestava atenção na historia do filme, mas depois de poucos minutos quando eu havia terminando, ele começou a me beijar, eu dizia que queria ver o filme, mas ele sabia que não precisaria insistir muito, e antes que eu me desse conta, ele estava por cima de mim, beijando o meu pescoço, minhas mãos estavam em seus cabelos, e meu corpo já parecia estar reagindo.
- Você não cansa, não? – perguntei, sentindo sua mão passear por dentro da minha blusa.
- Eu já disse que sou incansável. – disse, e agora distribuía mordidinhas pelo meu pescoço, - Ainda mais com você.
Ele alcançou outra vez o feixe do sutiã, mas dessa vez não tirou minha blusa, seus lábios estavam nos meus, suas mãos acariciaram os meus seios, e alguém bateu na porta!
Justin parou o beijo, e ainda de olhos fechados ele parecia totalmente irritado.
- Por que alguém sempre tem que atrapalhar, hein? – me disse já se levantando, eu ajeitava meu sutiã enquanto ele ia até a porta. Era a empregada.
- Ryan esta na sala. – ele me disse quando a porta já estava fechada.
- Só o Ryan? – perguntei um pouco desconfiada. Ele apenas afirmou.
Saímos da sala de filmes, e fomos até a sala principal onde o loiro estava no sofá, e quando se virou e nos viu, não disfarçou a cara de surpresa.
- Você aqui? – perguntou, mas ele estava sorrindo. – Até que em fim vocês se acertaram, não agüentava mais o Justin reclamando nos meus ouvidos. –agora foi a minha vez de ficar surpresa, olhei para ele, mas ele apenas revirou os olhos.
- Cala a boca! – ele disse parecendo irritado, mas eu suspeitava que fosse para disfarçar sua vergonha, por Ryan ter me contado este fato.
- Se eu não tivesse segurado ele hoje, nem sei o que faria com Taylor. – ele continuou, e vi que Justin estava ficado vermelho de raiva, ou vergonha? Mas eu estava adorando isso.
- É mesmo? E mais o que? – perguntei achando graça.
- Ficou revoltado quando moreno te beijou hoje no intervalo. – ele ainda ia falar alguma coisa, mas Justin jogou bem forte uma almofada em sua cara. – Ok. parei, esta bem? – disse, mas ele ainda estava sorrindo, e Justin ainda estava possesso.
- Fala logo o que você veio fazer aqui, bem agora!- dei uma cotovela nele, por não disfarçar nenhum pouco.
- Como você fez o treino ser cancelado, eles marcaram um agora de tarde. Eu te liguei antes, mas ninguém atendia, sabe?! – eu já estava ficando sem graça, mas mentalmente agradecia por eles não estarem falando explicitamente.
- Então é melhor irmos. – Justin olhou para mim. – Mas se você quiser eu posso dizer que estou doente. – e eu me surpreendi por saber que tenho todo aquele credito.
- Eu não quero atrapalhar ninguém – falei agora, me lembrando de outra coisa. – E eu ainda tenho que estudar para os testes. – vi Justin revirando os olhos.
- Miley foi estudar comigo hoje. Se não fosse por ela... – disse Ryan, e eu achei aquilo tão fofo, se eu viesse para estudar com Justin, com certeza ele não deixaria falar nada, e ia começar logo a me beijar.
- Você e essa sua mania de ser ner, er, estudiosa! – ele me olhou sorrindo, mas eu apenas devolvi um sorriso sarcástico.
...
Ele me levou para casa, mas antes de me deixar sair do carro, ele começou a me beijar, e se eu não interrompesse diria que ficaríamos ali, até o anoitecer.
- O Ryan já deve ter chegado ao instituto à maior tempão, e os seus amigos devem só estar te esperando. – falei, por mais que estivesse ofegante.
- Ok! Fazer o que né?! – disse, lhe dei um selinho antes de sair do carro. Mas quando estava fechando a porta do carro, ainda pude ouvir ele falar:
- Diz para sua mãe que o Taylor vai jantar na sua casa hoje! – e antes que eu pudesse responder ele já tinha partido.
Entrei em casa com um sorriso bobo no rosto, meu deus, minha vida era uma loucura! Como as coisas podiam mudar tanto? Joguei-me na cama assim que fechei a porta do meu quarto, uma alegria me consumia por dentro, e o sorriso não saia do meu rosto. Eu o amo, com certeza o amo!
Ouvi o barulho da porta, era a minha mãe, e corri descendo as escadas. Ainda tínhamos que preparar um jantar.
...
No próximo capitulo...
Eu não pensava que ele ia se dar tão bem com a minha mãe, conversávamos animados enquanto jantávamos, mas eu via certo desconforto em sua face toda vez que ela o chamava de Taylor. Alguém bateu na porta, mas quem devia ser...?
- Ash? – falei surpresa, minha mãe aparecendo atrás de mim.
- Nossa veio em boa hora, mas eu bem imagino que você já conheça o namorado da Selena.
...
- Soube que Taylor esteve na casa de Selena ontem, já pedindo a mão para o casamento? – Demi falava animada, olhando para Taylor, que parecia perdido, mas o seu olhar para mim foi ainda pior do que eu tinha imaginado., por que de alguma forma ele sabia quem esteve realmente na minha casa.
...
- Eu falei com o meu pai. – ele me dizia, e pela sua cara, eu sabia que devia ter sido tão ruim quanto ele falou, ou talvez pior.
- E o que acontece agora? – perguntei um pouco temerosa.
- Temos que nos preparar para o inferno. – disse.
Enquanto minha cabeça estava nessa toda reviravolta, a diretora ainda anunciava no microfone no meio daquele ginásio, que devíamos estar felizes e unidos por que com certeza no jogo dessa noite iríamos ganhar. Esta era a grande noite!
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