- Como você me avisa uma coisa dessas em cima da hora? – minha mãe repetia isso pela quinta vez, enquanto eu secava a louça.
- Ele também me avisou em cima da hora, mãe. – disse sorrindo, o jeito como ela estava desesperada era hilário, por mais que uma parte de mim, também estava elétrica para que as coisas corressem rápidas.
Assim que ela chegou, fui logo avisando sobre a visita, ela nem mesmo trocou a roupa e fomos direto para o mercado, depois de escolhermos o que era melhor para fazer, praticamente voamos e voltamos para casa. Enquanto ela preparava a lasanha eu dava um jeito naquela casa, não que estivesse muito bagunçada, na verdade já era para estar arrumada, - isso se ninguém tivesse me prendido, durante boa parte da tarde. – pensei. A cozinha estava limpa, e guardei o ultimo prato no armário.
- Nem acredito que deu tempo de fazer tudo. – falei, me encostando à quina da pia.
- Ah, graças a deus, não quero que ele pense que somos desorganizadas. – minha mãe dizia, dando uma olhada no forno, conferindo para ver se estava tudo ok. – Agora vou tomar um banho, e você devia fazer o mesmo. – eu sabia que nessa correria deveria estar toda suada. – Que horas mesmo ele disse que vinha? – já estávamos subindo a escada, e na verdade ele não disse nada, mas pelo tempo de seu treino que começou as 18h00minh, acho que duas horas era o tempo suficiente.
- As 20h00minh. - falei mesmo incerta.
- Tempo o suficiente. – ela disse entrando em seu quarto. Mas antes de fechar a porta me lançou um olhar. – Estou muito feliz que vocês tenham se acertado. – na verdade eu não tinha falado nada para minha mãe, mas ela com certeza já sabia. Apenas dei um sorriso. Ela entrou em seu quarto e eu no meu.
Tomei um banho que me relaxou bastante, depois dessa ducha revigorante, abri a porta do meu guarda roupa, me sentindo muito, e bota muito nisso, indecisa. Eu não tinha tantas roupas novas, na verdade fazia um bom tempo que não entro em um shopping, minha mãe falou alguma coisa de me dar dinheiro no final do mês, e eu já sabia exatamente o que eu iria fazer.
Ainda indecisa, resolvi por um vestido rosa forte, que às vezes parecia vermelho, dava um contraste e tanto com os meus cabelos castanhos. Ele tinha alças finas, mas seu pano casual não fazia as coisas parecer chique e nem formais, estava mais para uma festinha apenas para os amigos, ou uma ida em um parque. Calcei uma rasteirinha trançada branca, sequei os cabelos com o secador, e parti em meu costumeiro penteado, de lado. Passei delineador, rímeu, e um glos incolor.
Olhei-me mais uma vez no espelho e gostei do resultado, dei um sorriso bem cheio de alegria, as coisas em fim estavam dando certo. Assim que sai do quarto, ouvi barulho na cozinha. Minha mãe tirou a lasanha do forno e pôs sob a pia. A olhando bem, vi que ela também se arrumara para ocasião, estava de jeans a blusa verde escuro com detalhes de rendas, fazia todo toque final, deixando aquela combinação bem legal. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, e passou apenas um batom rosa bem fraco.
- Nossa você está linda. – ela disse, antes que eu pudesse falar.
- Digo o mesmo de você, Sra. Gomez. – brinquei, e notei que estava um pouco nervosa.
Não era para eu estar assim, nem de longe, já o conheço bastante. Mas o problema é que minha mãe não o conhece, e a primeira impressão que as pessoas têm do Justin, é que ele é um ignorante, arrogante e frio. Mas eu sabia que isso tudo era fachada, na verdade ele não queria parecer fraco na frente de ninguém, não depois que a escola em peso sabia que sua mãe havia morrido, mas isso nem chegava perto de como ele queria provar para ele mesmo que era forte, e agüentar toda culpa sozinho.
Minha mãe me fitou como se tivesse percebido algo, mas antes dela falar qualquer coisa, a capainha tocou, deixando não só eu como – para minha surpresa – ela tensa.
Ela foi até a porta, e antes de acompanha - lá dei uma espiada no relógio e vi que já passava das oito, fui até ela, mas a mesma já estava dando espaço para ele entrar. Senti meu coração acelerar um pouco, e um sorriso se formou em meus lábios assim que o vi. E lá estava ele, com uma camisa pólo branca, calça jeans escura, supras cinza, e me surpreendi por ele não estar usando a jaqueta inseparável, mas como o tempo estava abafado, suspeitei que fosse por isso, ou ele não queria causar má impressão. Mas o que me surpreendeu mesmo foram os dois buquês de rosas vermelhas que ele segurava.
Tinha um sorriso de canto nos seus lábios, e eu percebi, era um sorriso tímido! Deus, nunca em minha vida eu achei que veria um sorriso assim em seus lábios! Ele me entregou um buquê, e mesmo que eu ainda estivesse sorrindo, eu ainda estava surpresa por ver aquela expressão em sua face. O outro buque ele deu para minha mãe, e agora prestando mais atenção nela, eu vi seu rosto maravilhado, com certeza o achando muito bonito, na verdade lindo. Por que era a mais pura realidade.
- Boa noite. – ele disse tanto para ela quanto para mim. – Sou Justin Bie-, Taylor. – essas palavras agora eram lançadas em direção á minha mãe, e vi que seu pequeno sorriso tímido deu lugar a uma estranheza ao mencionar ‘Taylor’. Até eu me sentia estranha com aquilo, mas minha mãe não. Na verdade se ela estava um pouco tensa, isso se dissipara, agora ela estava bem feliz, confortável e muito bem receptiva. Acho que a beleza do Justin estava á cima de qualquer expectativa que ela tinha, não que ela ligasse muito para aparências, mas ela estava impressionada, assim como todos naquela instituto, que por mais tempo que o Justin estude lá, as meninas nunca deixaram de dizer o quão bonito ele é. Eu sabia que quando ele já tivesse ido embora minha mãe iria me puxar pra um canto, e perguntar de que planeta ele era. Sorri com aquilo.
- Bem, sem formalidades, sou Mandy, e Selena já falou muito de você Taylor. – era tão estranho vê-la o chamando por esse nome sem nenhum estranhamento na voz.
- Na verdade eu não falei tanto assim não. – disse, e que eu me lembro era verdade. Justin me olhou ergueu a sobrancelha, mas tinha um sorriso.
- Ah, não seja mentirosa, ficou o dia inteiro falando dele, enquanto fazíamos as unhas. – minhas bochechas queimaram. De fato eu falara bastante dele, mas não era ‘tanto’ assim. – Agora chega disso, a janta já está pronta e não tem por que esperar.
Justin pareceu gostar da forma de ser da Sra Gomez, ela era totalmente sem formalidades e eu sabia que devia ser bem tenso em sua casa, ainda, mas com apenas seu pai. Imaginar os dois sozinhos naquela mesa gigante sem nem mesmo olhar um para cara do outro, fazia um pouco de tristeza passar por mim. Mas espantei esses pensamentos, não era hora de pensar sobre isso.
- Bem – ele começou dizendo, percebi que não tinha mais nem um pingo de timidez em suas feições. – Eu estava mesmo com fome. Depois de treinar tanto, estou faminto.
Já caminhávamos em direção a cozinha, a minha mesa não era nem a metade da mesa que tinha na casa dele, mas vi que ele mal notara, e ver aquele conforto em sua face me deixou feliz. Ele não ligava para coisas superficiais e eu admirava isso.
- Treinando? – minha mãe perguntava desconfiada, enquanto botava a lasanha na mesa, e eu vi os olhos de Justin quase brilhando. Depois do treino com certeza ele deve ter ido bem rápido para casa e se arrumado sem ter tempo de comer nada. Para uma pessoa forte como ele? Deveria comer direto. Sorri um pouco, mas só eu notei, e seus olhos agora estavam em mim.
- Selena não te contou que sou do time de futebol americano? – ele perguntou, agora olhando para minha mãe. – Na verdade sou o capitão. – e vi um pouco de orgulho em sua face.
- Nossa, não sabia que meu genro tinha todos esses atributos. – a voz da minha mãe era brincalhona. Ela pegou uma garrafa de vinho, botou para Justin que aceitou prontamente, eu também aceitei, mas só um pouco, na verdade ela não me ofereceu, eu que insisti. O por quê? Eu não sabia, mas de todas as bebidas que experimentei até hoje, por mais que sejam poucas, o vinho fora o que eu mais gostei. Já minha mãe ficou no refrigerante, deveria ser proibido ela ver as pessoas bebendo, mas por incrível que pareça ela estava totalmente confortável, creio que já está mais que curada.
- Selena quer ser escritora, - vi um lampejo de surpresa passar pelos seus olhos negros. – Ta, ela não te contou, mas na verdade ela queria ser bailarina, mas depois de uns desastres nas aulas de balé, ela mesma pediu para sair. – dei um sorriso bem significante para minha mãe, ela estava me deixando com vergonha mesmo, e Justin estava adorando, e cara, ele estava se vingando pelas perguntas que fiz a Ryan hoje.
- Que tipos de desastres? – ele perguntou parecendo bem interessado.
- Tornozelo bem machucado. – e antes que eu pudesse impedir ela falou, cheia de graça.
- Mãe! – eu disse. – Mas os desastres vêm do sangue, assim como o papai que tropeçou no tapete e caiu com tudo. – eu falei já tendo um sorriso em meus lábios, e lembrar daquilo me fazia dar gargalhada, não só eu como ela também ria, até Justin.
- Por causa de um tapete? – ele disse ainda sorrindo, e eu adorava aquele sorriso extremamente aberto, deixando todos seus dentes á mostra. Eu apenas afirmei com a cabeça enquanto continuava rindo.
- Sabe Taylor, se ele estivesse aqui iria te interrogar muito. – a voz da minha mãe serena e com resquício das gargalhadas que ela dera antes. – Por isso vou ter que te interrogar, preparado? – ela disse, dando um pequeno sorriso de mistério.
Há essas horas todos estavam comendo, eu já tinha acabado, para dizer a verdade, minha mãe parecia estar no final também, Justin estava no seu terceiro pedaço, e podem ter certeza que ainda tinha bastante no tabuleiro. Mas por mais que estivéssemos no meio de uma refeição, isso não impediria minha mãe de começar seu interrogatório, até por que não tinha por que ter formalidades.
- Você já decidiu o que quer fazer? Que faculdade? – e até eu estava curiosa.
- Bem, futebol americano é o que eu queria fazer, mas vou fazer advocacia e cuidar de uma parte dos negócios da empresa do meu pai. – ele falava serio, e gostei de saber que mesmo com todas as diferenças entre ele e o pai, ele inda planejava ajudar no negócio da família.
- Sabe? Eu não ligaria se você continuasse a jogar. – falei, sinceramente. Até por que eu sabia que era disso que ele realmente gostava. Ele me lançou um olhar profundo, e segurou minha mão que estava em cima da mesa.
- Eu sinto que se eu fosse até mesmo um pintor sem nenhum talento, você não ligaria. – sua voz tão serena quanto estava em sua casa. E ele tinha razão.
- A ultima coisa que minha filha liga é dinheiro. – disse minha mãe e parecia feliz por eu ser assim. Vendo que a atenção agora estava em cima de mim, olhei para minha mãe.
- Mãe, eu acho que está na hora da próxima pergunta. – falei, e eles dois pareciam saber por que de eu estar falando isso.
- Acho que depois do que eu vi, não tenho mais nada para perguntar. – e eu senti minhas faces corarem, e Justin parecia um pouco tímido também. Ele olhou para nossas mãos entrelaçadas, mas não a soltou.
- A senhora por ter certeza que farei qualquer coisa para Selena ser feliz. – notei que ele parecia um pouco tenso, mas suas palavras eram bem determinadas. E um frio passou pela minha barriga, as coisas pareciam tão serias e firmes agora. Há uns dias atrás era tudo tão incerto, parecia que eu não tinha controle de nada, tudo parecia tão escorregadio, e toda vez que eu queria imaginar um futuro com ele, isso fugia das minhas mãos.
Minha mãe pareceu um pouco surpresa com suas palavras. Se ela estava esperando apenas um garoto, como um primeiro namorado, como se as coisas não fossem serias, isso sumiu assim que Justin disse aquelas palavras. Ela via algo grande em nossa relação, e isso era como tomar um soco no rosto, por que na verdade a ficha ainda não tinha caído. Ainda tinham tantas coisas para serem resolvidas... Mas ele estava aqui não estava? Ele queria que desse certo, e não só hoje, nem só amanhã, era bem mais, além disso.
“Você é a única que faz eu me sentir livre”. –, lembrei - “Eu te amo”
O frio na barriga cresceu, era real!- minha mente praticamente gritou. Era muito real. Algo se agitava dentro de mim, mas logo parou a assim que a capainha tocou. Já era quase dez horas da noite, e eu me perguntava quem deveria ser. Minha mãe fez prontidão de se levantar, mas eu levantei antes.
- Deixa que eu vou. – falei ainda me sentindo estranha, por tudo que tinha ouvido, e por tudo que em fim tinha me dado conta. Eu me sentia feliz, não e entenda mal, muito feliz mesmo, mas tanta coisa já tinha acontecido que eu ainda não sabia como agir. Aquela mão tão firme sobre a minha, mas ainda tinha o seu pai, sua namora e...
- Ahs? – disse quase tomando um susto assim que abri a porta de casa e dei de cara com minha amiga loira. Minha voz até saiu alta por causa do susto.
- Eu sei que está tarde, mas eu tive que vim. – sua voz parecia preocupada. – Taylor foi lá em casa hoje, parecia muito confuso, falou coisas sem sentido. – e eu gelei por um minuto, mas pela expressão de Ahs, ela não sabia de nada. – Bem, eu só entendi que você foi ver ele hoje, então eu fiquei a tarde inteira pensando, vim aqui mas cedo mas você não estava. E depois de me revirar na cama descobri que só conseguiria dormir depois de matar minha curiosidade. – bem a cara de Ahs mesmo. Então algo se passou pela minha cabeça.
- Por que você não me ligou? – eu perguntei, era tão simples.
- Horas! Se, aconteceu alguma coisa grande, eu queria saber das coisas cara a cara e não pelo telefone. – ela dizia como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
Ela realmente não sabia como estava complicando ainda mais a minha situação, se antes eu estava me sentindo confusa com tudo, agora eu me sentia desesperada, mas eu não podia demonstrar. Caminhei um pouco para frente, para fechar a porta atrás de mim, para conversamos aqui fora, a noite estava limpa, e o tempo estava quente, então ela não ia questionar. Mas eu vi quando ela pareceu notar como eu estava vestida. Mas antes mesmo de eu fechar a porta ou ela fazer alguma pergunta, minha mãe apareceu bem atrás de mim.
- Asheley! . – e eu podia imaginar o rosto surpreso e contente da minha mãe. – Não poderia chegar em outra hora. O namorado de Selena está aqui, mas eu acho que você já deve conhecer Taylor de qualquer jeito.
Vi as pupilas de Ahs se dilatarem um pouco.
- O que? – ela disse quase não acreditando. – Taylor está aqui?
Bem se ela não acreditava que ele estava aqui, era eu que não acreditava no que estava prestes a acontecer. Como as coisas poderiam mudar tão drasticamente?! Vi Ahs entrando em minha casa, e meu coração bateu acelerado, tudo estava perdido. Se o olhar de decepção no rosto de Taylor me fez me sentir triste, o olhar na face de Ahs faria eu me sentir a pessoa pior do mundo.
Mas quando chegamos à cozinha, ele não estava. Eu senti o ar voltar para os meus pulmões. “Ele deve ter escutado.” – pensei quase fechando os olhos de alivio.
- Ué, onde ele deve ter ido? – perguntou minha mãe desconfiada.
- No banheiro, - falei naturalmente.
- Nossa Selena, se antes eu estava curiosa, agora estou quase arrancando os cabelos. – Ahs dizia e eu via um pouquinho da angustia dela. Seus olhos passaram meramente pelo relógio da cozinha. – Mas que droga! Se minha mãe souber que eu saí da cama á essas horas com certeza irá me matar. – Ahs disse, e me lançou um olhar. – Mas amanhã você não escapa, nem você e nem o Taylor. – ela falou o nome dele um pouco mais alto. Dei um sorrisinho, mas era super forçado.
Minha mãe a acompanhou até a porta, e Justin logo saiu do banheiro. Fui até ele e o abracei com força.
- Nossa eu pensei que esse seria o fim. – falei, e ele me abraçava com a mesma intensidade.
- Quando ouvi você falando o nome dela, eu quase levantei, mas sua mãe estranharia, mas quando ela foi até você, aí sim fui direto para o banheiro. – ele parecia ver humor nisso, mas na verdade estava tão nervoso quanto eu.
- Estaríamos perdidos. – disse agora, me inclinando para trás, e encará-lo.
- Calma, já passou. – ele disse, mas eu ainda estava nervosa.
- Eu só quero que as coisas se resolvam logo.
- Elas vão se resolver acredita em mim. – apenas afirmei com a cabeça. Minha mãe entrou na cozinha e nos separamos de súbito.
- Asheley parecia bem curiosa mesmo. – minha mãe falou sorrindo, sem perceber clima que pairava no ar. Mas antes que ela percebesse dei um sorriso, forçado.
- Acho que ela não vai conseguir dormir. – falei, minha voz leve, por mais que por dentro de mim havia um turbilhão de angustia e confusão.
- Já deve está na minha hora. – Justin disse. – Olha, foi uma noite muito boa mesmo. - ele parecia sincero.
- E amanhã tem escola. – minha mãe disse, mas eu sabia que se sentássemos e começássemos a conversar ela nem olharia para o relógio.
Fomos até a porta e o acompanhamos. O abracei mais uma vez, era tão bom senti-lo e saber que era real, e saber que nada disso era brincadeira, saber que tanto eu quanto ele estávamos vivendo aquilo juntos. Eu não estava o amando sozinha, ele me amava também.
- Acho que vou dar um pouco de privacidade á vocês. – disse minha mãe, e vi um sorriso maroto em seus lábios.
Ela fechou a porta e ficamos, ali, naquela rua, onde não havia mais ninguém, as pessoas estavam dormindo deixando só a luz da varanda acessa, e o único carro de luxo ali era o dele. Mas nada disso importava. E eu vi isso em seus olhos. Logo seus lábios vieram, e os sentimentos traiçoeiros que me mandava ondas de sensações estranhas, como se nada fosse verdadeiro, se dissipou. Por que o que eu estava vivendo agora, era verdadeiro, e por mais que parecesse irreal, eu sabia que não era. Algo em seus olhos, em sua palavra e seu lábio, confirmava tudo isso. Eu sabia, era assustador, e eu não devia ter vergonha por me sentir assim. Mas as coisas iriam se resolver, tudo iria se resolver...
Separamos-nos e ele me encarou, aquele olhar tão profundo, que me prendia cada vez mais.
- O que aconteceu? – não entendi bem sua pergunta. – Lá na mesa, quando eu falei aquilo para sua mãe, sua mão ficou gelada. – era incrível o quanto ele era perceptível, me pergunto quando ele notou que já estava apaixonada por ele.
- Só estava um pouco assustada. – falei sinceramente. – Eu acho que a ficha ainda não tinha caído. – disse e ele pareceu entender.
- É novo para mim também. Mas eu sei que é real, quando olho para você. – sorri, e senti meu coração bater forte contra meu peito.
- Eu também sinto isso. – falei, me perguntando desde quando pensávamos iguais.
Beijamos-nos mais uma vez, e sua mordida em meu lábio inferior, me fez saber que se estivéssemos em seu carro, as coisas já estariam mais quentes. Até por que tudo era assim com ele. Quente feito brasa. Ele era feito de emoções, reações, desejo, ânsia. E eu sabia disso, mas parecia que o que ele sentia por mim ultrapassava qualquer luxúria. Sua mão que estava em minha cintura, não saiu dali, e sua boca não desceu para o meu pescoço onde ele sabia que encontraria reações fácies do meu corpo.
- Nos vemos amanhã. – ele disse me dando um selinho, e se afastando indo em direção ao seu carro. Esperei até que ele partisse, e então entrei em casa.
E para minha surpresa, - ou nem tanto, - minha mãe estava espionando da janela da sala.
- Mãe! – falei, vendo que ela nem se quer negou.
- Sou uma mãe preocupada! – ela disse fingindo estar um pouco ultrajada. – Taylor é um bom rapaz, mas até um bom rapaz tem seus defeitos. E eu queria ver se ele não te levaria para o carro ou coisa assim. Até por que ele achava que eu não estava olhando, vai que ele fingiu ser um bom rapaz apenas para me impressionar? – agora eu sabia exatamente de onde eu tinha puxado todas as desconfianças pelas pessoas.
- Mas ele é um bom garoto. – ela falou, agora com a voz serena. – Tanto ele quanto você teve sorte de encontrar um ao outro. – sorri, ela tinha razão. Por mais que o jeito que começamos, não fora o jeito certo, ainda tinha todo o resto da historia que compensava toda mágoa que um dia eu senti dele.
Depois eu fui dormir, percebendo que esse dia fora um dia tão longo que parecia ter acontecido em uma semana. Fechei os olhos sob minha cama, sabendo que isso era apenas o começo.
...
Quando cheguei ao Instituto os alunos já se encaminhavam para suas próprias salas, por isso Ahs não teve tempo de me interrogar. Nosso professor logo aplicara os dois testes. Depois disso os alunos já se encaminhavam para o refeitório.
- Demi , a senhoria aqui. – e Ahs disse apontando para mim. – Nem para avisar que o Taylor iria visitar minha tia Mandy.
- Não acredito. – Demi falava surpresa. – Meu deus, vocês são rápidos, não duvido nada que daqui á alguns meses vocês fiquem noivos.
- Que exagero. – falei, por mais que me sentisse desconfortável.
O negócio era mais difícil do que eu pensava. Ao mesmo tempo em que eu ficava triste por Taylor ter se afastado, uma coisa boa veio com isso, ele não iria nem falar um oi sequer comigo, então ele ficaria afastado, e eu manteria a mentira. Mas minhas amigas também notariam que para um namorado que fora na minha casa ontem, ele estaria muito afastado. Mas eu diria que era por timidez e nervosismo por causa dos jogos, mas mentiras têm pernas curtas. Eu odiava ter que fazer isso, só deus sabia, mas agora do que nunca eu precisava fazer isto. Por que logo a verdade viria então às coisas não precisavam ficar complicadas antes disso.
Eu e Demi fomos para uma das mesas, enquanto Ahs pedia seu lanche na cantina. Mas o que eu não esperava era que Chaz e Taylor se juntassem á nós. Não que ele tenha falado comigo, nem nada, na verdade ele nem olhou na minha cara, aquilo doeu um pouco, mas logo decidi afastar esses sentimentos para longe.
- Caraca! Estávamos falando de você agorinha mesmo! – Demi falava, não notando o clima estranho entre Taylor e eu. Mas então ela continuou – Asheley falou que você estava na casa da Selena ontem, já pedindo a mão da Selena em casamento para Sra Gomez?
Eu continuava olhando para frente, as coisas estavam se complicando antes mesmo do que eu pensava. Então, hesitante, o encarei. Ele estava serio, uma surpresa inicial tomou conta de suas feições assim que Demi falou, mas agora eu sabia que ele havia ligado os pontos. Ele sabia exatamente quem realmente esteve em minha casa. E aquela decepção de ontem voltou em suas feições, e notei um pouco de tristeza ali. Saber que depois de tudo o que me contou ontem, eu ainda levei Justin a minha casa, e pior o apresentei com o seu nome... É Selena, você está cada vez mais baixa. – esse pensamento me assombrou, mas o olhar de Taylor só confirmava a minha mente acusadora.
A coisa mais inteligente agora, era inventar uma desculpa e sair, antes que Taylor explodisse e começasse a falar tudo o que ele pensava de mim, mas antes que eu falasse qualquer coisa, Taylor se levantou.
- Vou me aquecer para o treino. – falou, e sua voz estava um pouco abafada, e eu sabia que era pela raiva. Demi que parecia distraída enquanto conversava com Chaz, parou de repente e achou a atitude de Taylor um pouco estranha, na verdade se Ahs estivesse aqui exigiria respostas. Ele foi em direção a quadra, e eu me senti horrível!
Ahs logo chegou e o clima que estava estranho desapareceu, a conversa começou a fluir. Depois de assistimos aos treinos, cada um foi para um lado, eu fui para minha casa. Justin e eu decidimos que íamos nos ver todas as tardes, tanto na sua casa quanto na minha.
E assim se passou a semana...
Taylor se manteve afastado, e eu nem precisei inventar nenhuma desculpa por que ele mesmo disse que estava nervoso por causa dos jogos, mas as vezes quando ele estava um pouco mais perto com alguns amigos, eu via aquele olhar, que me fazia sentir culpada. Ahs perguntou varias vezes o que tinha acontecido naquele dia em minha casa, eu apenas dava respostas vagas, e depois disso ela entendeu, silenciosamente, que eu não queria falar, então minha amiga por mais incrível que parece, deixou a historia quieta. Até por que os jogos seriam sábado, e todos estavam excitados, jogadores treinando cada vez mais, líderes cantando suas musicas de co e salteado, e alunos totalmente excitados!
Hoje era sexta, e não era por que os jogos iam ser amanhã que eu estava nervosa, e sim por que hoje o pai de Justin em fim estaria em casa, ele disse que o mesmo estava em uma viajem, que nas suspeitas de seu próprio filho, era uma viajem de tudo, menos de negócios. E com a chegada dele hoje, Justin não vai adiar nem mais um dia, e vai ter a ‘conversa’, que ele disse que teria. Já passava das quatro eu não conseguia prestar nem mais um pouco de atenção no que o livro de geografia dizia.
Tomei um banho, mas nem isso me relaxou. Mas tarde quando a porta abril eu sabia que não era ele, por que o mesmo sempre batia. Era minha mãe. Tentei esconder todo meu nervosismo, perguntando como havia sido seu trabalho, tudo o que eu queria era me distrair.
Só quando se passava das nove, escutei leves batinas na minha porta. Minha mãe já estava na cama, mas eu ainda fiquei na sala, dizendo estar interessada pelo filme, que nem sabia o nome. Abri a porta de vagar, e ver sua face me fez ficar angustiada.
Ele logo entrou e se sentou no sofá, parecia inquieto, passou as mãos pelos cabelos, parecendo exasperado. Sentei do seu lado, eu não precisava perguntar, mas mesmo assim falei.
- O que aconteceu? Você falou com ele? – perguntei, e quando ele olhou para mim, havia tudo em suas feições, menos satisfação. “Ele não tinha conseguido” – pensei, era o obvio.
- Falei. – ele disse, talvez percebendo que eu já estava me dando conta dos fatos.
- E o que acontece agora? – perguntei, temendo sua resposta.
- Se prepare para o inferno. – foi como se ele falasse uma piada, mas não tinha um pingo de humor em sua voz. Isso era um aviso verdadeiro.
- Eu disse tudo a ele Selena. Falei que se ele insistisse no acordo idiota, eu pegaria minha parte da empresa que eu tenho direito então daria pra o pai da Jasmine ,e fim do contrato! – ele estava com raiva, mas muitos outros sentimentos passavam por suas feições. – Mas então ele se sentiu ofendido dizendo que fazer parte desse contrato era o mínimo que eu deveria fazer, - então ele desviou os olhos dos meus. – Eu disse que nunca seria feliz enquanto esse contrato existisse, e sabe o que ele disse? – seus olhos cor de mel me encararam, e ver tristeza neles fez um nó se formar na minha garganta. – Ele disse que já sabia disso desde o inicio. Ele disse que por isso que fez a porra desse contrato!
Horror me abateu. Eu nem podia imaginar o que diabos realmente aconteceu naquela mansão hoje, mas ver os olhos de Justin tão tristes acabaram comigo. Logo ele! Logo ele que não demonstrava nenhuma fraqueza? Logo o garoto que eu cismava em chamar de frio e arrogante? Ele parecia estar em um abismo prestes a cair, e sem nem mesmo pensar eu lhe abracei, e ele me abraçou com muito mais força, como se pudesse amenizar a dor que estava sentindo. Eu pensei que ele iria chorar, mas tudo o que ele fez foi enterrar a cabeça no meu ombro.
- Eu não me importo com mais nenhuma opinião dele, Selena. – então ele desfez o abraço, apenas um pouco para poder me encarar. – Eu só me importo com você! – e o nó que estava preso, logo se desfez quando uma lágrima desceu pelo meu rosto. – Não chora, por favor. Eu odeio quando isso acontece, ainda mais sabendo que é por minha causa. – ele limpou a lágrima que escorreu.
Eu queria dizer que não era por causa dele, era por causa da situação em que estávamos, e vendo ele enfrentar tudo isso por nós, me deixava tanto feliz quanto triste. Eu só queria que as coisas fossem mais simples.
- Eu vou resolver tudo, pode deixar. – sua voz parecia mais calma.
Minhas lágrimas cessaram.
- Eu sei que vai, eu acredito em você. Nem que demore mais tempo, eu espero. – falei, mas ele balançou a cabeça negativamente.
- Nem mais um dia Selena. – e eu senti uma firmeza tão grande naquilo, que eu sabia que era verdade.
O abracei mais uma vez, beijando seu rosto, queixo, lábios. Tanto eu quanto ele parecíamos mais calmos. Tudo estava um turbilhão e era muito que as coisas ainda não tenham ficado ruim entre nós, na verdade tudo isso parecia nos fortalecer a cada dia.
Levei ele até a porta e eu não sabia que tinha acordado a minha mãe ou não, mas ela não deu as caras para confirmar nada. Ele me deu um beijo da testa, mas eu segurei seu pulso antes que ele fosse.
- Não bebe nada hoje, por favor. – eu sabia que toda aquela angustia e desespero só aliviariam quando ele bebesse, era sempre assim que ele fazia. E eu odiava isso. Ele me olhou, eu sabia que era difícil, mas ele tinha que fazer isso. Não que ele fosse um alcoólatra, mas ele tinha que parar aliviar as coisas no álcool.
- Vai ser difícil. – ele confirmou minhas suspeitas.
- Por favor, amanhã é o grande dia, é o seu jogo. A só bebida vai te prejudicar. – falei e notei um pouco de desespero em minha própria voz.
- Eu vou tentar. – e foi tão vago quantas as minhas respostas para Ahs. Mas havia um pouco de firmeza em seus olhos. Fui até ele e lhe dei um pequeno beijo, era tudo o que eu podia fazer, e com o coração na mão o vi entrar no carro e partir.
Dormir não foi uma tarefa fácil, fiquei rolando na cama, por minutos, ou até horas. Tudo que queria saber era se Justin já havia se acalmado, não queria nem imaginar se ele tinha visto o pai ou não depois que saiu daqui. Do jeito que ele saiu daqui, não duvido nada que ele enfrentaria o pai mais uma vez.
Por fim consegui dormir, só pesando em que ocorreria amanha.
...
Acordei, com pequenos raios do sol batendo contra o meu rosto, lembraria de trocar as cortinas finas azuis da janela do meu quarto. Sorri, ao lembrar que algumas vezes, nem precisei da luz do sol para me acordar. Tomei um banho, e botei um short e uma blusa branca de alças finas. Minha mãe já estava na cozinha, e pelo cheiro gostoso, com certeza ela preparava panquecas. Peguei dois pratos, botando ambos em cima da mesa. Ela já havia acabado, e logo sentou em uma cadeira, de frente para mim.
- Ele veio aqui ontem, não é mesmo. – ela afirmou, com certeza tendo ouvido a voz de Justin nitidamente.
Apenas balancei a cabeça, afirmando, enquanto mordia um pedaço da minha panqueca.
-Aconteceu alguma coisa? – sua voz era um pouco preocupada.
- Nada de mais. – disse, mantendo minha voz despreocupada. – Não deu para ele vim mais cedo, então ele veio apenas me ver. Coisa rápida. – pelo olhar da minha mãe, notei que ela não acreditou. Com certeza não só ouviu, também deve ter espiado alguma coisa também.
- Vou ter que trabalhar hoje também. – me avisou, e só agora notei que ela estava comendo rápido. – Talvez nem de tempo de ver o jogo de hoje à noite.
- Com certeza aquele instituto vai estar lotado. – falei, sabendo que vai ser um grande evento. – Asheley vai passar aqui em casa de tarde para irmos juntas, e pegar lugares. Pena que não da para guardar nenhum.
- Vou chegar cansada, de qualquer jeito. – ela falou, - Mas queria ver se Taylor é tão bom quanto parece ser. – sorri de lado. Mas foi mais por puro alivio, eu não transmitia, mas ela trabalhar hoje um golpe de sorte, por que depois de conhecer Justin, como Taylor, e ver o nome verdadeiro na camisa dele hoje, com certeza seria muito desconcertante, e teríamos que explicar as coisas antes de tudo tenha se resolvido.
Minha mãe foi trabalhar. E enquanto eu ficava sozinha, e arrumava algumas coisas em casa, minha mente vagava em preocupações e ansiedade. Ele não me ligou no decorrer do dia, e aquilo me angustiava, queria saber se estava tudo bem. Hoje seria um dia importante para ele, e só de lembrar que ele disse que resolveria as coisas o quanto antes, me fazia pensar que ele podia estar nesse momento brigando com seu pai, ou até mesmo desfazendo o acordo com pai da Jasmine.
Já era de tarde, e eu me arrumava para ir à ‘Grande Noite’, pois é assim que as pessoas se sentiam. Mas, em minha opinião o nosso time venceria, assim como já venceu tantas outras vezes. Botei uma calça jeans, uma blusa preta, e tênis. Por mais que eu tenha acordado raios de sol mais cedo, agora com a tarde veio um ar frio, e a noite parecia ficar ainda pior. Peguei meu casaco azul por prevenção. A campainha tocou e eu sabia que já deveria ser Ash, e viria junto com Demi.
Quando abri a porta e as vi, juro que elas pareciam tão ansiosas e contentes como nunca já vi antes.
- Vem logo! – Ash falava apressada, fechei a porta ainda sorrindo. Entrei no carro, Demi dirigia, Ash ia na frente com a ruiva, e eu no banco de trás.
- Nossa Ash, parece que a qualquer hora você vai explodir de ansiedade. – falei, enquanto a ruiva dava partida.
- Claro! É o grande jogo, eu não deveria estar tão ansiosa, até por que é o Justin que é capitão. – e vi seus olhos sonhadores. – O saco vai ser ver que a cada ponto que ele fizer, a Jasmine vai querer da um beijo nele! – ela fazia uma cara completa de nojo.
- Vai me dizer que se você o namorasse, não faria a mesma coisa? – Demi falava olhando de relance para Ash.
- Mas é obvio, mas ela parece que faz isso para se amostrar. – nisso eu tinha que concordar, eu de fato me sentia como Ash, ou até pior. Mas mantinha minha face neutra. Demi pareceu ficar seria.
- Eu acho que ela não faz isso para se amostrar não. – ela olhava para frente, mas mesmo assim dava para saber que ela parecia chateada. – Ela gosta mesmo dele. E tudo o que ele faz... Bem vocês já sabem.
Olhei para minhas mãos que estavam uma sobra a outra por cima das minhas pernas. Ok, eu sabia que ela gostava dele, talvez até o ame. Mas ninguém sabe da verdade por de trás disso, ela o obrigava a ficar com ele. Justin não a ama, ele disse que me ama!
- Se bem que nunca mais ouve fofoca dele saindo com outras garotas. – Ash falava meio pensativa. Ainda dirigindo, Demi deu uma risada sem humor.
- E é aí, que está o problema! – tanto eu quanto Ash nos inclinamos para perto dela, completamente desentendidas. – Miley falou que Jasmine foi a casa dela nesses dias, e como sempre chorando. É verdade que Justin não anda saindo com muitas garotas que nem antes, mas Jasmine afirmou que ele ainda sai com alguma! Se, é só uma, e essa garota fez com que ele parasse de sair com as outras, então ele pode estar gostando de verdade dessazinha! – engoli em seco, então falei a única coisa obvia que estava faltando nisso tudo.
- Se ele realmente gosta dessa garota, então por que não larga a Jasmine de uma vez? – falei, por que sabia que elas não teriam respostas para isso. Mas para minha surpresa Demi tinha sim.
- Por que Jasmine é a única que agüenta chifres dele. Você acha que ele arriscaria largar a ela pela outra? Sendo que com a Jasmine ele já tem uma garantia que pode galinhar à vontade, enquanto que a outra deve estar só sendo enganada, por um namoro que nunca vai acabar. – ela começou a estacionar o carro, e eu percebi que quase já não havia vagas. Mas não era isso que estava na minha mente agora, e antes que eu falasse qualquer coisa, minha amiga loira falou por mim.
- Então ele não deve estar gostando, de verdade dessa garota misteriosa!- mas eu consegui notar um pouco de receio em sua voz.
- Eu não sei. – Demi desligou o carro. – Mas, se ele gosta ou não gosta, a verdade é que ele nunca deixará de ser um cretino, só está enganando as duas.
Abri a porta do carro e sai, com um pensamento que me assombrou. “Depois que te tive, nunca mais dormi com ela!” - lembrei. Mas, mesmo assim naquela noite que estava em sua casa, eu vi com meus próprios olhos. Eles já estavam prestes a entrar no quarto. Não! Pare de pensar nisso! – disse mentalmente para mim mesma. Ele foi a minha casa ontem, ele não parecia nenhum mentiroso. Ele estava arrasado. Não tinha o porquê encher minha mente com esses tipos de pensamentos.
Ash puxou o meu braço e o de Demi, se ela estava preocupada com qualquer coisa, isso sumiu assim que passamos pelos portões do Instituto. E agora eu percebia as coisas ao meu redor. O pátio tinha uma quantidade á mais do que normalmente, mas eu sabia que nada se comparava com que estava no ginásio.
- Será que vamos conseguir algum lugar bom? – perguntei, na verdade queria ver aquele jogo de perto. Queria que ele soubesse que estava lá por ele.
- Miley chegou bem cedo, ela veio junto com o Ryan, e falei com ela que guardasse os lugares para nós. Vamos ficar na área vip. – a ruiva sorriu maroto.
- Eu sei que tem os telões, mas nada melhor do que ver eles de perto! Vai ser incrível! – Ash falava com os olhos brilhando.
Entramos no ginásio, e estava lotado, mas ainda havia alguns lugares. Estava bem cedo, deveria ser umas 18h30min, o jogo só começaria daqui á uma hora. Subimos alguns degraus da escada que dava para os assentos da arquibancada. Olhamos ao redor que encontramos Miley logo á direita. Ela acenou assim que nos viu. Tinha um lugar vago de seu lado direito, e dois do seu lado esquerdo. Eu sentei no direito, e Demi e Ash se arrumaram do lado esquerdo.
Olhei para minha frente maravilhada. Estávamos na primeira fileira! Dava para ver a coisas nitidamente, eu nem minhas amigas com certeza não íamos perder nada desse jogo. O pessoal da escola fez um belo trabalho. A grama verde, os quatro telões todos botados em cada canto da área onde os garotos iriam jogar. Em lugar vago que separava uma arquibancada da outra fora feito uma cabine para que uma pessoa cuidasse da parte eletrônica onde monitorava os telões e os pontos feitos por cada time. Estava tudo perfeito, e a cada minuto o lugar enchia ainda mais de pessoas, até pouco tempo antes de tudo começar, não havia um só lugar perdido nas arquibancadas, e pessoas sentavam nos degraus das escadas, ou simplesmente ficavam em pé.
Quando em fim deu a hora, antes que os jogadores entrassem em campo, a nossa diretora apareceu segurando um microfone, eu a via de uma distancia de poucos metros, mas ela aparecia nos telões para que todos a vissem.
- Hoje é uma grande noite! – ela disse sua voz forte. – Todos estão unidos como um só, cada um torcendo por seu time. Cada um transmitindo sua força para cada jogador hoje. – e ela praticamente gritou. – E que vença o melhor! – e quando terminou todos gritaram movidos por energia e motivação.
Assim que ela saiu da vista, as lideres tanto do nosso time, quanto do time adversário entraram por portas diferentes. Fazendo todos ficarem em delírio, a maioria masculina, por suas saias pequenas, e a outra pela alegria que vinha junto com elas. E quando todas já estavam posicionadas torcendo e movendo seus pompons, os garotos em fim entraram e todos nós gritamos. Seus nomes gritavam em branco, enquanto suas blusas eram vermelhas, e todo o resto da roupa. As roupas dos adversários eram verdes, e seus nomes escritos atrás de preto. Não conhecia nenhum, até por que eram de escola diferente. Uma escola de elite como a nossa. Nós sabíamos que entre as pessoas nas arquibancadas, ainda mais na parte vip, havia homens que assistiriam ao jogo para escolher os melhores alunos para lhe propor uma faculdade. Eu sabia que meus amigos dariam o seu melhor.
Enquanto eles se ajeitavam, eu o vi, Justin não tinha botado a proteção na cabeça ainda, e eu estava a poucos metros dele, era como se estivéssemos de novo no refeitório da escola, trocando olhares à espreita de todos aqueles a nossa volta. Dei um leve sorriso quando aqueles olhos cor de mel miraram os meus, eu queria gritar ‘Boa sorte’, mas não podia, mas espero que ele tenha lido isso em meus olhos. Ele respirou fundo, tinha coisas que ele queria me contar, não era uma cara muito preocupada nem nada, era só apenas mais uma informação. Mas antes de botar o protetor na cabeça ele deu um sorriso de canto, e meu sorriso se alargou ainda mais com isso.
Ryan veio até nós correndo, e se aproximou de uma barra de madeira, que separava as lideres da primeira fileira da arquibancada. Miley se levantou dando alguns passos. Ele a abraçou com força, e eles se beijaram apaixonados. Isso deveria ser proibido, mas Ryan não estava nem aí. Eu achei aquilo bonito, mas um lado bom queria que as coisas entre eu e Justin fosse assim essa noite, mas nossa relação não era tão simples como a de Ryan e Miley.
- O amor é lindo! – dizia Ash olhando a cena. Miley logo se sentou.
E depois que todos os jogadores estavam em seus lugares, o jogo em fim começou! Eu não entendia muito de futebol americano, mas eu sabia nosso time tinha um bom adversário. Todos gritavam animados, e quando um time estava prestes a marca um ponto a torcida ia ao delírio.
- O time desse ano, realmente é um forte. – falou Miley um pouco alto para que eu escutasse.
- Mas o nosso vai vencer! – Ash gritou. Na verdade todos estavam gritando. Eu apenas sorri completamente ansiosa e elétrica com aquele jogo.
Então houve um movimento brusco entre dois jogadores do mesmo time. Para ser mais exata, do nosso time!
- Ah esses dois de novo não... – falei lendo nos nomes que estavam atrás da camiseta de ambos. Taylor e Justin.
- Eu não to acreditando. – e Demi falou exasperada.
- Mas o que diabo aconteceu agora? – Ash perguntava irritada.
- Nada! – falou Miley. – Não aconteceu nada! Eles só estão discutindo, e só faltam brigar mais uma vez.
Dessa vez Ryan e Chaz vieram entrando no meio de ambos, não sei o que eles falaram, mas fizeram com que os dois em fim parassem de falar obscenidades um para o outro.
- Assim eles vão acabar perdendo chances de serem escolhidos para uma faculdade. – falei um tanto triste e irritada por causa daqueles dois. Mas o que será que um falara pro outro dessa vez?! Se fora Justin que provocara, teríamos uma boa conversa.
O jogo voltou com tudo, parecia haver ainda mais adrenalina entre os nossos jogadores do que nunca, eu não sei se fora por causa da briga, mas Taylor e Justin estavam ainda mais rápidos, e quando o ruivo lançou a bola para Justin que ia a mil por hora, então fora ponto certo para nosso time. Todo mundo gritou uns de alegria e outros de raiva. E nossa torcida predominava, e eu sabia que se essa noite continuasse assim, eu sairia rouca daqui. Tudo era transmitido nos telões para todos verem nitidamente, e eles deram um replay no momento exato em que Justin marcara ponto. Realmente uma cena gloriosa. Então as imagens dos telões mudaram. E foi aí que meu sorriso sumiu, e meu mundo desabou!
Por que não era mais Justin fazendo seu ponto glorioso. ..
Eu olhava sem acreditar. Não, não podia ser! Reprimi um grito, enquanto todos estavam paralisados olhando para aquela cena. Minha perna nua flexionada, enquanto Justin estava em cima de mim, e o movimento dos nossos corpos deixava explicito o que estávamos fazendo, meus seios colados em seu peito, minhas unhas cravadas em suas costas, eu gemendo alto, e ele arfando...
... Mas sim, eu e ele fazendo sexo, na minha primeira vez!
ESSA FANFIC É MAIS PERFEITA EVEEEEEEER! EU PRECISO DE MAIS CAPÍTULOS :(
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