Continuava ali sentada no chão da biblioteca esperando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, as lagrimas ainda caiam quentes pela minha face, pela minha volta só havia o livro e as fotos da minha mãe espalhadas pelo chão.
Por que isso estava acontecendo logo comigo? Já não era suficiente ter uma mãe alcoólatra? Mas não, eu tinha que também ser um brinquedo nas mãos do Justin. Só podia ser um pesadelo! Limpei as lagrimas que teimavam em cair, eu tinha que ser forte! E alias não ficaria aqui chorando por causa daquele maldito, ele não merecia.
Comecei a juntar as fotos da minha mãe guardei o livro em algum canto qualquer da biblioteca, queria chegar à sala e ficar um tempo sozinha, se Ashley me visse nesse estado com certeza saberia que estive chorando e iria me questionar até que eu falasse, e isso não contaria para ninguém! Ninguém saberia dessa humilhação.
E era com esses pensamentos que passava pelos corredores vazios, torcia veemente para não ter ninguém na sala, meus pensamentos eram aturdidos e meus passos cada vez mais rápidos, eu simplesmente queria não poder pensar ou imaginar o que me esperaria amanhã, quando dei por mim estava dentro da sala, olhei o ambiente vazio notando que parecia enorme quando não havia alunos.
Sentei no meu lugar vazio e fiquei fitando a claridade que entrava pela janela, precisava daquele momento de silencio e calma, as coisas ultimamente estão acontecendo tão rápido e são incrivelmente perturbadoras, minha mãe e eu já não nos falamos á uma semana, ela continua com a mesma rotina de sair de noite e só voltar no outro dia, as vezes me pergunto que se eu me rebelasse e trocasse os papeis ela em fim mudaria, mas eu sempre dizia para mim mesma que não podia ficar me prejudicando, mas agora que estou sem saída em relação á Justin já não sei o que pensar.
O sinal do fim do intervalo tocou acabando com os meus poucos minutos de paz. Logo o pessoal entrava na sala, mas eu não virei para encarar ninguém não queria me deparar com os olhos dele.
- Selena!- era voz de Ash, o interrogatório começaria. - Onde você estava? Procurei-te por toda parte. - ela sentou do meu lado, mas não a encarei eu sabia muito bem que meus olhos estavam um pouco inchados. - O que aconteceu?- mesmo não me encarando ela sabia que eu estava mal. Sua voz foi branda.
- Não é nada. - olhei para ela e dei um sorriso forçado de canto. Ela não insistiu. Eu sabia que estava sendo injusta com ela, mas como eu poderia dizer que o garoto que ela é apaixonada estava me ameaçando para eu ficar com ele, e o pior eu não tinha saída.
A aula do prof Gabriel passou em um silencio confortador, quando deu o horário da saída eu me sentia aliviada, parecia que aquele Instituto me sufocava.
Quando cheguei em casa não tinha apetite nenhum, tudo que mais queria era um banho e depois passar o resto do dia trancada no meu quarto.
....
Minha noite havia se tornado cenário para os meus pensamentos.
‘Um dia.’ – foi o que ele disse. As palavras ainda ecoavam na minha mente.
Eu estava prestes a aceitar um ultimato para pisar em meu orgulho e ser usada por um garoto egoísta e mimado. Minha razão estava dividida, entre eu ser um brinquedo nas mãos dele, ou minha mãe passar pela vergonha e desprezo pelas pessoas de LA.
Sorri amarga. Não havia jeito, ele tinha ganhado. Não adiantaria ficar se martirizando por algo que já tinha decidido. Faria isso pela minha mãe, ao contrario do Uchiha eu não conseguia pensar em mim mesma. Para mim a pessoa mais importante na minha vida vinha em primeiro lugar.
O relógio anunciava 3:00h da madrugada, afoguei minha cabeça no travesseiro forçando-me a parar de pensar nisso e dormi, alias era amanhã que iniciaria meu pesadelo.
....
Em quanto me arrumava notava meu reflexo diante o espelho, minha face não emanava nenhuma emoção tudo que fazia era forçado e pacato, quando botei o pente na penteadeira vi o gloss incolor que sempre passava antes de ir para escola e hoje eu simplesmente não tinha vontade nenhuma de usar.
Quando cheguei no Instituto logo avistei Ash conversando com Demi parecia que elas estavam se dando bem. Tentei botar minha melhor cara no rosto, alias minha amiga não merecia ser tratada mal pelos problemas que eu estava passando.
Assim que ela me viu sorriu, e eu corri para abraçá-la, estava precisando disso. Queria tanto poder contá-la o que estava acontecendo, ouvir seus conselhos, tentar encontrar uma saída com ela que no momento eu não conseguia encontrar sozinha.
- Olha se não são as pobretonas unidas!- disse a voz super irritante de Jasmine. “Droga” Será que até fora da sala ela vinha me perturbar.
Encarei-a com raiva ela apenas me deu um olhar desafiador, mas logo encarou Demi.
- Ué Demi, agora você faz caridade?
- Por que você não se manda Jasmine, não esta vendo que está bancando a ridícula?- Demi disse sem medo.
- Ridículo é ficar vendo a cara dessas pobretonas todos os dias, ainda mais da nerd.- ela me deu uma olhada de cima á baixo. - Não sei o que Jaden viu em você. - estava doida para falar que não era só Jaden que dava em cima de mim, mas é claro que não disse nada, alias estava passando por muitos problemas agora, e não perderia meu tempo com ela.
Antes que eu saísse o sinal tocou. Ela me deu um olhar superior e saiu sendo seguida pelas suas ‘escravas animadoras de torcida’.
- Deixa essa ridícula pra lá- Ash falou, seguimos para sala onde o Profº josh iria iniciar aos 2 primeiros tempos de historia.
A aula estava passando tranqüila, e mesmo tentando esquecer as coisas simplesmente era impossível, e eu não podia negar o fato de estar um pouco nervosa, alias Justin seria o primeiro garoto com quem eu me relacionaria e no momento não sabia o que realmente ele queria comigo, se é somente algo de 1 dia ou uma semana, é claro que ele não seria nem de longe o garoto que eu imaginava dar o primeiro beijo, mas a vida não á justa e o pior ele ainda tinha namorada. Eu não sabia o que pensar e na realidade queria deixar isso de lado, mas fica difícil quando a hora do intervalo estava próxima. Minha mente estava um turbilhão de pensamentos a maioria eram imagens que meu cérebro projetava de Justin me agarrando naquela biblioteca, balancei minha cabeça artudida querendo me livrar disso.
Estremeci quando o barulho estridente do sinal soou.
- Espero que façam o dever para próxima aula. - que dever? Eu mal havia escutado sobre o que e o professor falava.
- Selena você esta bem?- Ashley me perguntou visivelmente preocupada.
- Sim.- forcei um sorriso. Respirei fundo, e agora? Como faria para sair sem que ela desconfiasse? ‘Maldito Justin!’
Eu não poderia dizer que iria á biblioteca, e se ela fosse atrás de mim? Eu não poderia arriscar. Mordi os lábios nervosa, eu tinha que pensar em algo. Notei que os alunos já esvaziavam a sala.
- Ash tenho que falar com o diretor sobre uma faculdade que fiquei interessada. - disse a primeira coisa que veio na minha mente.
- Se quiser eu vou com você. - ela falou em quanto guardava as coisas na mochila.
- Não. Não precisa.- falei rápido demais, eu não poderia deixar meu nervosismo á mostra. Ela me olhou visivelmente desconfiada. - Acho melhor você fazer companhia para Demi em quanto vou lá. Eu acho que ela ainda esta triste com o fim do namoro.- Vi ela olhar Demi vindo em nossa direção.
- Sim ela está. - Ash concordou. - Mas não demore. – ela riu para Demi, eu apenas dei um leve aceno e sai, ainda pude escutar ela perguntando á Ash onde eu estava indo. Mas agora havia outras coisas que eu deveria me preocupar, como por exemplo, me encontrar com um garoto arrogante e grosso que me esperava na biblioteca.
Tomei cuidado para que ninguém me seguisse e a cada passo que me aproximava do meu destino sentia minhas pernas bambas. “Você tem que ser forte!” – eu falava para mim mesma. “Não o deixe achar que você está com medo.” – eu tentava ser mais determinada possível. E foi com esses pensamentos que entrei na área escura da biblioteca. Eu ainda me perguntava por que na hora dos intervalos o lugar ficava com a iluminação tão fraca assim, mas isso era uma assunto para mim se preocupar depois.
Andei calmamente até chegar na ala J, e ainda na entrada do corredor daquela ala, pude ver ao fundo o formato do corpo dele, ao longo que eu me aproximava podia ver seu corpo encostado na parede, os braços cruzados e sua face carrancuda. Com certeza por eu ter me atrasado.
Parei em sua frente o encarando, e fazendo de tudo para não demonstrar medo.
- Por que demorou tanto?- ele falou visivelmente enraivecido.
- Estou aqui, não estou?- falei seria.
- E então, Selena? Qual foi sua decisão. - ele perguntou com o semblante ainda serio.
Eu apenas olhei pro chão, como ele ainda tinha coragem de me perguntar isso? Eu não tinha escolha, e se antes estava me fazendo de forte na frente dele, agora foi tudo por água á baixo.
- Eu aceito. - disse ainda olhando para o chão.
- Escolha inteligente a sua. - ele murmurou se aproximando de mim. Mordi os lábios nervosa, e logo senti as costas da mão dele ergue meu queixo me fazendo encará-lo. Na hora em que meus olhos encontram os dele senti minhas pernas ficarem bambas novamente. Imediatamente recuei um passo. Ele riu percebendo que eu estava assustada.
- Err..- tudo o que eu mais queria agora era falar e adiar cada vez mais o que estava por vir. - E o que você pretende fazer comigo afinal. - disse dando mais um passo para trás, daqui á pouco nem sabia mas em que direção estava.
- Não seja ingênua Gomez. - ele disse sarcástico dando um passo a minha direção. Recuei mais uma vez. Um sorriso brotou em seus lábios finos.- Não fuja. Por acaso esta com medo? - ele deu mais um passo ficando mais próximo á mim, quando fui recuar mais uma vez, minhas costas bateram contra parede, e eu fiquei completamente sem saída. Ele me encurralou escorando ambas as mãos na parede; eu precisava fazer algo, dizer alguma coisa, olhei para o chão um pouco perdida me sentia completamente apavorada, e o pior parecia que ele gostava da situação. Olhei-o apavorada.
- E-e sua namorada?!- perguntei gaguejante.
- Ela?- ele disse em desdém. - Ela não me interessa. Você sim interessa!- e quando ele deu mais um passo, não havia mais nenhum espaço entre nós. Seus olhos estavam fixados em meus lábios e sem permissão ele me beijou. Eu fiquei ali paralisada de olhos abertos. A mão dele apertou meu pulso.
- Corresponda. - ele disse entre os dentes.
Ainda nervosa eu entreabri meus lábios trêmulos. Der repente já sentia a boca dele na minha, no momento meu coração estava á mil, era algo diferente para mim e ao mesmo tempo estranho, era como experimentar um sabor diferente, era como o doce e o amargo. E na hora em que a língua dele enroscou na minha me arrepiei por inteiro, a mão dele que apertava meu pulso fraquejou, em quanto eu me deixava levar por ele o mesmo me conduzia calmamente não havia presa e nem arrogância algo que me surpreendeu, sua mão que ainda estava em meu pulso escorregou, e quando nossas línguas mais uma vez se enroscaram, a mão dele se entrelaçou com a minha. Separamos-nos aos poucos, e quando abrimos os olhos parecemos entrar em certo tipo de transe, ao mesmo tempo em que nossas respirações se chocavam nossos olhos se prenderam uns aos outros. Senti minha mão direita formigando, foi quando notei que estava entrelaçada á dele. Foi isso que me despertara, soltei minha mão bruscamente da dele e ele pareceu acordar.
- E agora, já posso ir?- perguntei em um timbre determinado.
- Pra que a pressa?- ele disse sorrindo.- Ainda nem começamos. - e antes que eu pudesse ter alguma reação ele pegou fortemente minha cintura trazendo de encontro ao corpo dele, e sem perder tempo os lábios dele já se encontravam nos meus. Dessa vez o beijo foi bem mais diferente do outro. Foi vulúmpio e urgente, em quanto uma de suas mãos estava em minha cintura, a outra pegou minha nuca fazendo o beijo ficar ainda mais profundo, o ar já me faltava mais ele parecia incansável, ele mordiscou meu lábio inferior o que fez me soltar um gemido de surpresa. E antes que ele pudesse me beijar mais uma vez eu o afastei. Não pude disfarçar minha respiração ofegante.
- O que foi agora?- ele perguntou irritado. Havia sim uma coisa que eu queria perguntar á ele.
- A sua namorada .- comecei um pouco hesitante. - Irá terminar com ela?
- E por que terminaria? - ele disse sem entender - Você não achou que só começaríamos a nos encontrar que eu largaria ela né?
- Mas você disse..-
- Selena por favor não seja tão ingênua. Não é por que te beijo que começarei a te amar. É só desejo- e ele disse assim mesmo, na cara lavada como se eu fosse uma qualquer.
- E o que, que você acha? Que serei sua amante particular?- perguntei com raiva.
- Se você prefere ser chamada assim. - quando eu acerte-lhe uma bofetada ele segurou minha mão.
- Sou eu que faço as regras aqui. O que eu quiser que você faça você obedecerá, se não você sabe o que acontecerá né?- ele disse frio em quanto olhava diretamente em meus olhos, mas eu não me rebaixaria.
- Pois você também precisa saber de algo. Eu não ligo se você gosta de mim ou não, aceitei essa proposta maldita pela minha mãe. Você pode me beijar me tocar; Mas nunca sentirei nada. Nem se quer desejo. - ele pareceu se surpreender com as minhas palavras, pois não teve resposta, e quando pensei que podia ir embora ele manda eu ficar.
- Me beije. - ele mandou. Dessa vez não me intimidei, olhei para ele vendo sua face impassível, como ele era mais alto do que eu fiquei nas pontas dos pés ele inclinou um pouco a cabeça, rocei meus lábios nos dele, ainda estávamos nos encarando e quando ele abriu passagem e nossas línguas roçaram uma na outra um frio na barriga me invadiu, e ele fechou os olhos, cerrei os meus também, minhas mãos que estavam nos ombros dele para mim não cair abraçaram seu pescoço, ele pareceu fraquejar sua postura fria e agarrou minha cintura, dando mais vida ao beijo e já não era mais eu que estava no controle mas sim deixando-me ser conduzida. A mão direita dele passeou pela minha coxa eu senti um pouco de calafrios, mas não podia fazer nada, poderia dar a desculpa que ele se zangaria comigo e o segredo da minha mãe estaria em risco, mas tenho que confessar que aquele beijo me prendeu um pouco, eu nunca tinha experimentado aquelas sensações e talvez elas me prendessem. Mas era só isso, curiosidades! Eu não podia me deixar levar por ele, seria forte e quando tudo isso acabasse, seria apenas uma pagina rasgada em minha vida.
Ele parou o beijo aos poucos.
- Quero que me encontre todos os dias. - me surpreendi.
- O que? - disse sem acreditar.
- Não questione. - foi tudo o que ele disse antes de ir embora.
Agora a única coisa que eu me perguntava era como isso seria daqui pra frente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário