Depois do incidente na biblioteca eu fiquei o tempo todo calada enquanto Demi e Ash falavam de coisas banais; elas notaram minha diferença de humor, porem dei a desculpa de ainda estar sentindo um pouco de dor de cabeça. Eu ficava apenas parada no mesmo lugar, olhando em direção a elas, mas na realidade minha mente estava naquela biblioteca, relembrando varias vezes o que o Justin tinha me dito, o pior de tudo era saber que teria que encontrar com ele no dia seguinte e fingir que nada havia acontecido. Sinceramente isso seria bem difícil para mim.
Os dois últimos tempos passaram lentamente me torturando, só de saber que estava em um mesmo lugar que ele, fazia minha raivar borbulhar dentro de mim. Em fim o sinal tocou, eu suspirei cansada em quanto guardava minhas coisas. Ashley apenas sorriu me observando.
- Esta zangada com algo? - ela perguntou meio zombeteira. Tentei esconder um pouco o stress, e sorri de volta pra ela.
- Claro que não. Por que estaria? - encarei-a de modo desafiador. O sorriso dela foi murchando aos poucos em quanto ela me observava seriamente. - Algum problema?- perguntei um pouco assustada, ela nada disse apenas se aproximou, e tirou um pouco do meu cabelo que estava descansando no meu ombro.
- O que é isso?- seus olhos azuis analisavam a região do meu pescoço.
- Hun?- perguntei sem entender. De relance vi Demi se aproximando.
- Algo de errado?- ela perguntou meio confusa, em quanto via Ash me observando. A loira apenas se virou, e me olhou estranho.
- Não é nada. - ela disse.
Eu sentia a curiosidade queimar dentro de mim. Alias o que diabo a Ash estava vendo no meu cabelo/pescoço? Demi pareceu também muito curiosa e se aproximou.
- Tão escondendo o quê hein?- a ruivinha disse um pouco marota, ela entrou na frente de Ash e assim que olhou meu pescoço ou sei-la-o quê, ela pareceu ficar um pouco surpresa. Um sorriso malicioso formou em seus lábios.
- Oh! Com quem anda se atracando em Selena?- Demi disse em um tom de divertimento.
- O que? - perguntei confusa. Mas Ash apenas me deu um pequeno espelho que ela sempre carregava. Imediatamente peguei o espelho e me olhei, assim que vi meu pescoço branco imediatamente pude notar pequenas marcas vermelhas, meus olhos se esbugalharam e a lembranças de como essas marcas foram parar ali ainda estavam bem nítidas em minha mente. Mordi meus lábios me sentindo um pouco nervosa.
- Er..Eu não sei...!- disse a coisa mais estúpida que poderia ser dizer naquele momento. Elas me olhavam visivelmente intrigadas. - É ..Serio!- tentava á todo custo ser convincente.- Não faço idéia...!- elas não falaram nada, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde tocariam no assunto.
Nós nos despedimos e fomos cada um para um lado, mas parei bruscamente me lembrando que hoje sim precisava falar com a diretora. Caminhei de volta ao Instituto e fui a sala da direção, a diretora era uma mulher loira e robusta, ela era sempre curta e grossa, todos no Instituto sempre a respeitavam sem questionar. O assunto que tinha para tratar era rápido, eu tinha que pegar o comprovante de que estava cursando o 3° ano do 2° grau, só assim conseguiria aquele emprego que no momento era muito importante. Em pouco instantes eu já estava com o comprovante na mão e pronta para ir embora.
Caminhei por aqueles corredores enormes e desértos, não tinha sequer um aluno rondando por ali, deveria ter muitos habitando o campus que havia atrás da escola, mas dentro do Instituto mesmo não havia ninguém.
Decidi percorrer um dos caminhos mais longo para sair, alias não havia nada para fazer em casa, tudo estaria do mesmo jeito, vazio...
Virei á esquerda em fim de passar pelo ultimo corredor e descer o lance de escada que me levaria para fora.
O sol estava em seu ápice, em passos cansados seguia pela calçada, mesmo tentando á todo custo esquecer o que aconteceu hoje, mas não conseguia. Ele era um idiota, eu sempre soube disso, e não deveria ficar tão impressionada com o que ele disse, afinal já deveria esperar isso dele. Mas eu não sabia explicar, o motivo de estar me sentindo decepcionada e triste.
O resto do dia passou rápido, fiz algumas tarefas e vi um pouco de TV. Logo a noite chegara e na minha cama, eu ficava refletindo sobre minha vida. Minha mãe parecia estar morando em outra casa, só a via antes de ir para escola e mesmo assim mal nos olhávamos, ao mesmo tempo em que me sentia triste, uma pequena raiva tomava conta de mim, já estava cansada dela viver nessa vida miserável se entregando cada vez mais a bebida. Papai com certeza iria sentir vergonha das atitudes imaturas da minha mãe. Mas ele já não estava aqui, só havia eu para salvar ela, e eu faria isso. Alias não viveria minha vida de arrependimentos.
...
Estava sentada no sofá, ainda era bem cedo para ir ao Instituto, mas mesmo assim já havia me arrumado, tudo o que fazia era esperar a chegada ‘dela. ’
O sol mal acabara de nascer quando ouvi o barulho do carro, em seguida veio risadas, e logo a porta de minha casa estava se abrindo. Engoli seco me sentindo um pouco nervosa, mas eu já havia decidido, meus braços estavam cruzados e eu olhava fixamente para TV que estava desligada. Ouve um pequeno momento de silencio antes dela fechar a porta, com certeza deveria estar um pouco surpreendida deu estar acordada tão cedo. Encarei-a sem medo, mas ela desviou os olhos, e começou a se encaminhar para escada.
- Então é assim?- perguntei mantendo meus olhos fixados na TV. Ela não falou nada, mas havia parado de subir a pequena escada. - Quando vai continuar com isso?- minha voz não poderia sair mais seca e fria. Conhecendo ela como eu conheço, com certeza não gostou do tom da minha voz.
- Olha só menina, - seu tom era autoritário em quanto se encaminhava a minha frente. - Já falei para não se meter na-
Eu apenas virei para ela, e meu olhar a calou. Nunca estive tão enraivecida na minha vida, e sabia que meu olhar não era gentil.
- Você é uma covarde! - falei com raiva, ela me olhou surpreendida, mas pensou em falar algo, mas eu não deixei. Eu ainda não havia falado tudo que estava preso dentro de mim durante todos esses anos. - Vive sua vida agindo que nem uma fraca, age como se fosse uma qualquer, dançando em boates e se agarrando por aí com o primeiro que ver, não é?- vi o rosto dela ficar vermelho de raiva.
- Olha como fala comigo Selena!- sabia que ela se segurava para não me bater.
- Por quê? - eu disse amargurada.- É só a verdade... - as lágrimas já saiam do meu rosto. - Só quero dizer que tudo o que estou passando é por uma pessoa que já não vale mais apenas.- ela apenas me olhava de um modo que não soube decifrar, ficamos nos encarando por um momento, mas eu quebrei o olhar pegando minha mochila e me dirigindo para porta. Antes de sair, ainda sentia o olhar dela sobre mim.
...
Quando cheguei ao Instituto, não falei para Ash o que havia acontecido entre minha mãe e eu. Não era por que eu não confiava na minha amiga, o motivo era que apenas não queria lembrar-me disso agora. Como ainda estava um pouco cedo para o sinal tocar, decidimos nos sentar em um dos bancos do pátio, Demi logo chegara com o seu sorriso e bom humor. Eu estava gostando de ser amiga dela, e Ash também, alias as duas tinha varias coisas em comum. Dei um pequeno sorriso para ela quando ela se junto à gente.
- E aí meninas?- ela disse. - putz ainda to morrendo de sono.- reclamou se espreguiçando.
- Nem me fala.- disse Ash bocejando.
- Estão sabendo da próxima festa que vai ter?- a ruivinha perguntou. Eu bufei, parece que essas duas só sabem falar de festas, mas prestei atenção no assunto, só assim conseguiria esquecer um pouco as coisas. - Vai ser na casa do Ryan.
- O que? Do Ryan? Aquele loiro lindo?!- Agora acho que Ash acordou.
- Olha como fala... Ele namora a minha amiga! - Demi falou brincalhona. Mas logo vi a cara de felicidade de Ash murchar.
- Ah, ele é um popular. Acho que não vai me convidar.
- Não esquenta não. Eu falo com ele, e consigo convites para vocês duas. - hum?
- Acho que esqueceu que eu não vou a festas. - disse.
- Para com isso Selena. Tudo tem uma primeira vez.- por que elas tinham que insistir tanto?
- Gente é serio, não to com cabeça para ir a lugar nenhum. - falei sinceramente.
- Já sei. É o seu trauma de você achar que vai ficar num canto sozinha?- Demi botou as mãos na cintura. - Bem eu acho que isso é difícil de acontecer. - ela sorriu maliciosa. Eu apenas ergui uma sobrancelha sem ter entendido o que ela quis dizer. - Você é cega?- eu e Ash nos olhamos intrigadas. Acho que agora sim Demi percebeu que estávamos perdidas, ela sentou entre eu e Ash, e parecia entusiasmada. - Disfarcem e olhem á direita.
Ash disfarçou, olhando para os lados como se estivesse procurando alguém, então ela parou fixando o olhar na direção em que Demi falara. Ela imediatamente nos encarou. Curiosa como eu sou, virei-me devagar, querendo saber quem era o ser que tanto Demi falara, assim que olhei na direção indicada, vi dois garotos. Reconheci os dois na hora eles eram da minha turma, um deles era um de cabelo preto e olhos azuis, lembro de um dia ter feito uma piada,acho que o nome dele era Justin, mas eu soube que não foi desse que Demi falava e sim do outro que estava ao seu lado, era um moreno alto,e muito forte por sinal, de olhos castanhos, se eu não me engano seu nome era Taylor, e para minha surpresa ele olhava diretamente pra mim!
Virei meu rosto e sabia que estava corada, Demi ria da minha situação.
- Meu deus como você nunca percebeu?- ela perguntou incrédula. - Desde que comecei a andar com vocês de cara percebi as olhadas que ele te mandava.
- Meu, como eu não observei isso antes?- disse Ash. - Selena ele é lindo!
- É isso eu tenho que confirmar. - concordou Demi.
- Gente pode ter sido apenas uma coincidência. - falei.
- Quando eu digo que o vi quase te secando ontem, é por que eu vi. - e apenas corei mais.
Tinha que admitir que Taylor é bem bonito mesmo, sei que ele é popular porem não fica andando com o grupinho do Justin e se achando o tal. Mas ele nunca nem havia falado comigo, acho que se ele estivesse mesmo interessado já deveria ter falado algo, para mim Demi esta exagerando. O sinal tocou, e me salvou dos comentários de Ashley e Demi.
...
O decorrer dos primeiros tempos foi calmo, mas a lembrança de hoje cedo com a minha mãe ficaram rondando minha mente. Quando estava conversando com minhas amigas eu conseguia esquecer um pouco os problemas e as confusões que estavam acontecendo na minha vida, mas quando eu estava pensando comigo mesma as coisas sempre vinham e me atingiam em cheio.
Olhei para o relógio, vendo que já daria à hora do intervalo, e tive uma idéia momentânea eu sabia que mentir para Ash dizendo que precisava fazer algo todos os dias na hora do recreio não adiantava mais.
Então levantei-me e fui até o professor que escrevia na lousa.
- Professor será que poderia ir ao banheiro. - perguntei já sabendo o que ele iria falar.
- O intervalo já vai tocar. - ele disse verificando no relógio.
- É um caso urgente, - sussurrei.- É um problema de mulher. -falei corando de tanta vergonha por estar falando isso. Ele me olhou um pouco embaraçado, mas me liberou.
Deixando de lado o meu constrangimento, logo a tristeza me abateu. Por mim eu adiava esse momento o máximo que eu pudesse, só de pensar que terei que encará-lo novamente, já me sentia humilhada. Minha vontade era jogar tudo para o alto e acabar de vez com essa palhaçada, mas não podia fazer isso, não agora que faria de tudo para salvar minha mãe de seu vicio.
Suspirei quando cheguei á biblioteca, a velha senhora recepcionista já não estava mais em seu cargo, só havia a cadeira vazia e a plaquinha indicando que ela estaria no almoço, andei em passos lentos até chegar onde queria, fiquei parada fixa em meu próprio mundo, onde eu tinha que sempre ser forte e segurar tudo em minhas costas, eu já não sabia dizer o quanto eu ainda iria suportar.
Apenas fiquei lá, no meio da escuridão da ala J, o único barulho que escutava eram passos pesados e levemente arrastados, que naquele silêncio se tornava algo audível. Logo pude ver o formato de seu corpo, robusto e másculo, dirigi meus olhos verdes em direção ao chão, em quanto ficava parada no mesmo lugar. Quando dei por mim ele já estava na minha frente.
Levantei meus olhos devagar vendo nitidamente a forma de seu corpo, e quando cheguei a sua face, deparei-me com seu rosto serio e com poucas feições. Ficamos nesse silêncio por alguns instantes, apenas um encarando o outro. O meu olhar não era de uma garota apaixonada, e nem o dele era de um garoto arrependido por ter dito aqueles palavras horríveis para mim ontem. Simplesmente não havia emoção.
- Eu estava pensando em um jeito melhor de nos encontrarmos. - ele disse quebrando o silêncio. Eu não respondi nada, fiquei apenas olhando de canto, as prateleiras. - Podíamos nos encontrar na hora da saída. - eu ainda fiquei a encarar as prateleiras, mas me perguntava por que essa mudança repentina de opinião. Ontem mesmo eu havia falado que minhas colegas estavam desconfiando das minhas saídas repentinas na hora do intervalo, mas ele não deu á mínima. Com certeza a namoradinha dele já deveria estar desconfiando. Mas eu não disse nada, apenas fiquei quieta querendo sair daquela biblioteca de uma vez. Ouvi ele grunir.
- Vai continuar com isso. - ele explodiu. - Estou arranjando um jeito para que você não fique reclamando, e você fica aí sem dizer nada. - ao contrario do que ele pensava, eu o encarei calma e indiferente.
- Agora vai me obrigar a conversar com você também? Acho que o trato era você me usar e depois descartar não é mesmo. - falei não deixando á vista a repulsão que sentia em admitir essas palavras. Ele me olhou de uma forma que não pude decifrar.
- Você não reclamou ontem em quanto te beijava. - e dizia se aproximando mais de mim. Eu não falei nada, e quando dei por mim ele já me beijava.
Para minha surpresa, não houve tremedeira, nem pernas bambas; eu sabia que ainda não havia esquecido o que ele tinha me dito ontem. Eu ainda estava parada no mesmo lugar, meus olhos estavam abertos, e a única coisa que se movia era meus lábios, que monitoramente correspondia aquele beijo sem vida. Não era só o que ele havia me dito ontem que me fazia agir assim, também eram os problemas da minha mãe e toda carga que me atingia.
Ele cerrou o beijo e me olhou inexpressivo, foi aí que percebi que lágrimas saiam dos meus olhos...
Meu coração parecia dilacerado e algo dentro de mim estava prestes a explodir, envolvida por um impulso impensado, o abracei. O abracei como nunca havia abraçado alguém antes, enlaçando seu pescoço com força e chorando em seu ombro. No momento eu só precisava de alguém para me segurar e não me deixar cair, e ele estava ali um pouco assustado pelo meu ato, e correspondendo esse abraço que á cada minuto me fazia me sentir melhor.
Aos poucos minha respiração voltava ao normal, e o enlaço que mantinha em seu pescoço já não era tão forte, tudo que restara fora meu rosto úmido contra sua camisa molhada pelo meu choro, sentia seu peito subir e descer em conformidade e de leve sentia as batidas do seu coração.
As mãos dele ainda estavam em minhas costas, firmes e seguras. Não havia luxuria em seu ato, era como se ambos estivéssemos precisando desse momento, e quando o olhei pela primeira vez não vi arrogância em sua face, ele também não estava rindo é claro, mas naquele rosto de poucas feições eu pude enxergar um pouco de serenidade. Quando ele devolveu o olhar, desviei meu rosto imediatamente, sentindo minha face queimar de vergonha, me afastei para trás desfazendo o abraço; Naquele momento me sentia a pessoa mas em graça, agora sim ele teria um bom motivo para fazer as piadinhas arrogantes dele. Porem tamanha foi minha surpresa quando ele não disse nada, apenas me olhava com sua face enigmática. O sinal do fim do intervalo tocou me fazendo acordar para realidade, alias quanto tempo havia ficado ali?
- Amanha, - a voz dele me tirou dos desvaneios. - Depois do término das aulas, nos encontramos no campus. - sua voz era séria e fria como sempre, mas antes de sair ele me deu um breve selinho, não foi nada comparado aos beijos que já trocamos, mas foi esse breve tocar de lábios que fez meu coração disparar naquele dia.
Se ontem alguém me dissesse que iria chorar o ombro de Justin, diria que essa pessoa precisa de um tratamento psicológico, mas agora em quanto vejo as costas largas dele se distanciar, já não sei mais o que pensar.
No próximo capitulo...
- Onde é que você estava?- Ash dizia estressada. - E nem adianta mentir dizendo que estava no banheiro, por que eu e Demi reviramos aquilo de cabeça para baixo. - “Droga agora sim, estava encrencada”
...
- Seu nome é Selena não é?- disse alguém tocando o meu ombro, e quando olhei para cima me deparei com olhos castanhos.
...
- O que fazia conversando com ele?- e sua voz era enraivecida. - Por acaso já esta se encontrando com ele? Se faz de santa mais que nem as outras...- e ele passava as mãos nos cabelos visivelmente irritado. Der repente, parou e olhou meu corpo com um olhar que eu reconheci, como desejo. Sabia que ele ainda estava com raiva, mas apenas se aproximou e sussurrou: - Quero você em minha casa hoje!
CIUME
Tentava manter minha atenção direcionada para a aula da prof David, mas sabia que Ashley me olhava irritada, com certeza por não ter me encontrado na hora do recreio, mas dizer que não estava pensando no que ocorreram poucos minutos atrás seria uma grande mentira. Eu não me conformava de ter sido tão fraca diante dele, mas o que não entrava em minha mente era o fato dele ter correspondido aquele ‘abraço’, o jeito de como me amparou foi tão intenso, que cheguei a pensar que ele estivesse passando por algo também.
Ah meu Deus eu só posso estar louca mesmo, estou falando de Justin Bieber, aquele ser frio e egoísta. Suspirei, e por algum motivo lembrei-me do momento em que senti as leves batidas de seu coração. Chega! - pensei alterada, isso iria acabar me deixando louca.
O fim do período foi anunciado, e os alunos começavam a sair calmamente, comecei a guardar minhas coisas e de reflexo vi quando ele saiu da sala, tendo o pescoço enlaçado pelos braços de uma certa morena. Senti algo estranho, mas apenas balancei a cabeça negativamente, ignorando aquela cena. Mal acabei de recolher minhas coisas e vi Ashley em minha frente com Demi ao seu lado, eu sabia que a loira iria explodir mais cedo ou mais tarde. Afinal ela é minha melhor amiga e ultimamente eu estava lhe escondendo muitas coisas.
- Onde é que você estava?- ela me olhou enraivecida. Mordi os lábios, me sentindo sem saída - E nem adianta mentir dizendo que estava no banheiro, por que eu e Demi reviramos aquilo de cabeça para baixo.- vi a ruiva confirmar.
- Poxa, você some todos os dias na hora do intervalo, esta mais abatida do que costume, sem mencionar as marcas no pescoço ontem. Não sei o que pensar... - ela dizia meio decepcionada. Mas o que eu podia dizer? A verdade?! Com certeza não.
- Ash..., - murmurei. - Me desculpe. Você tem razão por estar confusa, mas estou passando por momentos difíceis. - pensei na minha mãe. - Você sabe qual é o meu maior problema. - vi ela manejar a cabeça afirmando.
- Ok. - e deu um pequeno sorriso. - Quando estiver pronta para me contar, estarei aqui. - sua voz já não era tão tensa. - Mas vê se não demora hein. - nós três rimos.
Depois disso nos despedimos e cada uma foi para um lado.
...
Quando cheguei em casa, dei um pequeno sorriso triste em constatar que não havia ninguém, entrei no quarto pondo minha mochila em cima de cama, e pegando o jornal que estava em cima de minha penteadeira, hoje era o dia para as entrevistas do emprego. Resolvi tomar um banho, e seguida almocei. Peguei dinheiro para o ônibus e fui até a loja de artesanato. Eu sabia que não seria nenhum grande emprego, mas pelo menos faria algo para ajudar nas dispensas.
Suspirei quando cheguei ao local, e para minha surpresa a loja era bem maior do que tinha imaginado, havia varias molduras, quadros e pequenos artefatos que encantava qualquer um. E só de ver como tudo era delicado, provava que todos aqueles objetos eram feitos á mão, as prateleiras estavam cheias deles, olhei aquele lugar me sentindo maravilhada.
O gerente me atendeu, disse que estaria ali para entrevista, ele logo se surpreendeu pela minha idade, mas não disse nada. Ele me indicou uma pequena sala que havia na parte interior na loja. Lá havia algumas meninas também, mas não muitas, afinal o prazo das entrevistas duraria por duas semanas. Porem eu preferi vim logo, acho que quanto mais antes melhor.
Quando chegou a minha vez, entrei em outra sala, ficou só á mim e uma senhora de pele clara e cabelos castanhos. Ela me fez algumas perguntas, e em seguida pediu o comprovante de que eu estava no 3° ano, depois de vê-lo ela me passou uma folha para que eu preenchesse, depois disso me informou que se eu fosse aceita ligariam para mim.
Sentindo-me um pouco cansada, voltei para casa, já estava quase anoitecendo deveria ser umas 18:00h, quando cheguei em casa dei uma leve arrumada na mesma, e cansada tomei mais um banho e dormi. Querendo muito conseguir o emprego.
...
Sai mais cedo de casa, não queria ver minha mãe. É por isso que tento evitar brigar com ela, por que depois fica mais difícil ainda de me aproximar, mas eu superaria isso e quando ela menos esperar teremos uma nova conversa.
Quando cheguei ao Instituto não havia quase ninguém, sentei em um dos bancos e fiquei quieta apenas observando as pessoas que chegavam, e me surpreendi em ver tão cedo Jasmine e suas ‘escravas’ adentrando o colégio. Todas usando saias ‘curtíssimas’, rebolando e de narizes em pé, mas quando a ruiva passou por mim, pude notar sua face abatida e olheiras que estavam disfarçadas pela maquiagem, ela me deu apenas um olhar desprezível em quanto suas ‘escravas’ a acompanhava.
Fingi não ver e virei o rosto para o outro lado, porem me arrependi amargamente por isso, duas pupilas castanhas me fintavam fixamente, ele estava escorado em um muro e ao seu lado estava Justin Russo. Disfarçadamente desviei o olhar, estava um pouco assustada, mas não podia controlar a coloração de minhas bochechas.
Senti um leve cutucão em meu braço, e me deparei com Ash, sorrindo.
- Madrugou é?- ela pergunta risonha.
- Estou vendo que não sou a única. - zombei.
- Ah, você sabe que eu tenho insônia. - ela logo se sentou ao meu lado.
- Claro, fica a tarde inteira dormindo, obvio que a noite você perde o sono. - Ash sempre foi assim, desde o maternal. Ela apenas me retribuiu uma careta.
Ela olhou para o lado esquerdo, e deu um suspiro triste.
- Que inveja. - disse, olhando fixamente aquela direção.
Quando olhei, me deparei com a rodinha de populares que já havia se formado ali, e imediatamente soube do que Ash falava, e também me surpreendi um pouco, Jasmine como sempre estava com os braços enlaçados no pescoço de Justin, mas o diferente daquela situação era que ELE estava retribuindo! Justin abraçava a cintura dela a trazendo para mais perto e o mais assustador era que ele ainda estava SORRINDO, os dois pareciam o casal mais romântico do mundo, e tive a leve impressão que a morena também se surpreendia com aquilo, mas é claro que ela estava adorando, a face abatida que vi á pouco já nem existia mais.
Mas o pior estava acontecendo dentro de mim! Eu não sei bem o porquê, mas sentia uma raiva se aflorando cada vez mais em que via aquela cena. Talvez fosse apenas raiva por ele ser tão frio e sarcástico quando está comigo. O que é que eu estou pensando?! Não quero os carinhos dele! Não me importo como ele me trata, só queria que o maldito me deixasse em paz! Não sinto nada, NADA!!! Pra mim ele e Jasmine se merecem, isso sim!
- São um bando de idiotas.- disse notando como minha voz saiu ríspida.
Ash me olhou com o cenho franzido.
- Nossa, não sabia que estava de mal humor.
- Não estou de mal humor, - disse tentando soar mais calma. - Apenas acho idiota os dois ficarem se exibindo por ai.
- Também acho, alias todo mundo já sabe que ela namora o garoto mais lindo do Instituto, pra que então ficar jogando na cara?- Ash não tinha receio nenhum em mostrar sua raiva.
- Ei o que houve aqui?- Demi pergunta, se aproximando.
- Só estou irritada com aquela melosidade ali.- e ela indiscretamente aponta para eles.
- Ash!- me sobressaltei. Demi apenas riu, e ficou olhando a ‘cena romântica’.
- Estranho. - ela disse arqueando uma sobrancelha.- Ele nem da bola pra ela, ainda mais quando está na frente dos outros. Já perdi a conta de quantas vezes ele ficava a mandando soltar o pescoço dele. – ela falava, ainda analisando o casal! Eu olhei mais uma vez, e para mim tudo aquela cena parecia bem convincente.
...
As duas primeiras aulas foram normais, dessa vez não tinha nada que me fizesse tirar a atenção do professor, ao menos o fato de sempre aquela cena querer se repetir na minha mente. “Esquece isso.”- e eu dizia para mim mesma, meu cérebro sempre capturava a imagem daqueles dois. Eu não deveria ligar tanto para essa bobagem, ao contrario deveria ficar feliz parecia que em fim eles estavam bem próximos e talvez Justin até desista desse joguinho que esta fazendo comigo. Mas então por que a imagem não saia da minha cabeça. Bufei frustrada comigo mesma.
- Turma teremos um teste surpresa! - e o prof Gabriel anuncia, fazendo que quase toda turma caíssem para trás, logo um turbilhão de comentários chateados preencheu a sala, mas o professor apenas mandou todos ficarem quietos, e trocou alguns alunos de lugares. E dado silencio, ele começou a distribuir os testes. Eu estava um pouco nervosa, mas álgebra não era tão difícil assim, quando você dominava os números era fácil resolver os problemas.
Assim que todos começaram a fazer os testes, comecei a ouvir cochichos em minha direção, e alguns espalhados pela sala. Era obvio que muitos iriam colar, mas era claro também que não deixaria nenhum espertinho colar de mim. Eu não tiraria uma nota esplêndida, já que nesses últimos dias não tenho prestado muita atenção nas aulas, devido á muitas coisas que terem acontecido porem por eu sempre manter as tarefas em dia, consegui fazer um bom teste e tentei não pensar em nada. Suspirei quando acabei, alias novamente eu seria a primeira a terminar alguma coisa, não que isso seja vergonhoso alias gosto de ver o resultado de meus esforços, mas também era por isso que não tinha muitas amizades. Levantei e entreguei o teste ao professor, que me olhou satisfeito.
- Pode ir Selena. – ele disse indicando a porta. Em quanto ia em direção desta, podia ouvir murmúrios desagradáveis ou vaiações.
- É uma nerd mesmo hein!- e ainda pude escutar o insulto debochado de Jasmine. Não a ignorei desta vez, olhei-a da forma em que ela se sentisse a pessoa mais insignificante do mundo, e fechei a porta com força. Não me interessa o que ela esteja falando de mim agora, aquela morena me irritava profundamente.
Segui no corredor vazio, indo para perto do refeitório, alias não faltava muito para tocar o sinal do intervalo. Fiquei em uma área descoberta, havia alguns bancos de madeira pintados de branco, e espalhado no largo corredor descoberto havia pequenos jardins nos pés da parede, eu e Ash sempre que passávamos por aqui encontrávamos alguns casais sentados sob os bancos e conversando casualmente, mas agora não havia ninguém, só alguns alunos que decidiam passar por esse caminho em rumo ao refeitório.
Sentei em um dos bancos, e fiquei por apreciar o sol morno em minha pele, ainda era cedo e naquele dia não fazia um calorão apenas um pequeno mormaço. Séria e sozinha naquele banco eu pensava em como quatro dias pode mudar a vida de uma pessoa, estava sendo amante do garoto mais popular do colégio, mas não pensem que sou uma garota atirada que vive correndo atrás dele, ao contrario estou com ele á base de ameaças, e tudo por que minha mãe é alcoólatra, mas o ruim disso tudo era o fato das coisas estarem se misturando cada vez mais em minha mente, parecia que á cada dia que passava mais confundida eu ficava. 1° ele descobre o segredo; Depois fica comigo, dizendo que quer me encontrar todos os dias, e em seguida me diz coisas horríveis, por ultimo corresponde meu ato impensado? Já não sei mais o que pensar.
Fui tirada dos meus desvaneios quando senti um leve roçar em meu ombro, ergui minha cabeça e me deparei com olhos castanhos.
- Seu nome é Selena não é?- ainda estava levemente assustada com esse ato repentino, e fiquei meio inerte. Com a ausência da minha resposta ele sorriu sem graça.
- Sim. - respondi, eu me sentia muito encabulada. Lembrava de como Demi dissera que ele estava á me encarar descaradamente e eu nem sequer havia percebido.
- Meu nome é Taylor Lautner. - ele disse simpático estendendo a mão, eu receosa o cumprimentei. - Estou precisando muito de sua ajuda em algo. - e ele disse sem desvaneios e me encarando nos olhos. Fez menção em querer sentar ao meu lado. E eu realmente estava pensando em dar continuidade aquela conversa ou não, o melhor seria corta aquilo logo. Mas não achei nada de mal nisso, afastei um pouco para que ele pudesse sentar ao meu lado, ele se sentou bem próximo, eu me incomodei um pouco, alias não queria que as pessoas pensassem mal de mim.
Olhava para minhas mãos que estavam juntas sob meu colo, esperando que ele começasse a falar o que tanto queria. Afinal por que eu me sentia como se estivesse preocupada se alguém me visse? Eu não tenho o que temer, sou livre e posso conversar com quem quiser.
- Eu estava conversando com o prof Gabriel, por que na verdade eu sou horrível em álgebra. - ele disse meio sem graça em confessar isso. Senti sua mão pegar de leve meu queixo, erguendo meu rosto para encará-lo. Vi ele da um imperceptível suspiro ao me encarar nos olhos. Tomei cuidado com a distancia entre nós, nossas faces não estavam nem tão próximas, mas também não estavam tão distantes. - Ele disse que há uma garota incrível que poderia me ajudar.- e vi que a voz dele havia ficado um pouco rouca. - Então ..Selena você poderá me ajudar?- eu não sabia o que responder. A mão dele ainda em meu queixo e agora ele fazia uma leve caricia com o polegar, e o olhar dele ainda preso ao meu, não sei por que mais tinha a leve imprensão dele estar cada vez mais próximo, isso me fez despertar imediatamente, virei meu rosto se afastando de sua mão, e quando meus olhos se fixaram á frente meu coração disparou ao ver Justin nos encarando.
Havia muita raiva em seus olhos cor de mel, mas também pude enxergar um pouco de decepção, ele não estava parado, mas dava passos lentos em direção ao refeitório, parecia estar com os amigos, mas por ter nos visto ali deve ter desacelerado os passos para nos observar melhor. Eu o olhava também e não sei por que me afastei um pouco de Taylor, mas antes dele virar o rosto ainda pude ver aquela raiva e decepção.
Mas por que raios eu me sentia um pouco culpada? Eu não fiz nada, alias Justin tinha a namorada dele e deu para se esfregar com ela para cima e para baixo, não havia mal nenhum em eu ter um suposto relacionamento com Taylor, afinal eu não considero um relacionamento entre mim e Justin, ele só me usa e depois joga fora como se eu fosse nada, é a namorada dele em que ele realmente valoriza, ok talvez traia ela bastante, mas ele não tem vergonha em dizer que esta com ela. Em quanto eu sou somente a ‘outra’, uma coisa inútil que depois dele se cansar irá jogar fora. Também não sei o motivo dele ter me abraçado, mas talvez para ele isso não tenha valor algum, foi um ato impensado ou ele simplesmente viu uma oportunidade de me iludir. Não ficaria nem mais um minuto pensando nisso, não tenho culpa alguma de nada.
Vir-me-ei para Taylor, e dei um sorriso sincero.- Não sei se poderei ajudá-lo, estou bastante atarefada esses dias, e ainda por cima talvez comece a trabalhar. - não estava mentindo em hipótese alguma.
Ele deu um pequeno sorriso triste. - Ok eu entendo, mas, por favor, se por acaso você conseguir algum tempo livre, me ajude. - ele pediu. Notei que ele também não parecia mentir, mas não podia negar que o jeito que ele me olhava denunciava segundas intenções.- Bom Selena, foi um prazer. - e ele disse me cumprimentando mais uma vez, e antes de sair me olhou intensamente com seus olhos castanhos.
...
Assim que cheguei ao refeitório, pude avistar Ash e Demi que me olhavam de uma forma maliciosa. Sentei-me junto a elas e as olhei estranhando o jeito delas.
- Que foi? - perguntei, em quanto bebia meu refrigerante.
- Não se faça de sonsa. - foi Ash que disse.- Acha que não vimos você e o gato do Taylor sentadinhos no banquinho do amor, conversando?- ela e Demi deram sorrisos cúmplices.
- É Selena, quando pretendia contar. - a ruiva perguntou.
- Não é nada disso. - falei, me prontificando logo, antes que elas falassem mais besteiras. - Ele apenas veio me pedir ajuda em álgebra. - elas se entreolharam.
- Você aceitou né?- a loira estava afobada.
- Não. - falei simplesmente. E pude jurar que Ash avançaria em cima de mim. - Bem, falei que estou sem tempo agora, e é verdade. Talvez comece a trabalhar.
- Vai me dizer que você não arrumaria nenhum tempinho extra para ele?- Demi sugere. - No meu ponto de vista ele não parece ser má pessoa.
- E nem vem com essa historinha de que ele é popular e tal, ok? Pelo que sei os pais dele tem grana e são bem conhecidos, mas Taylor não está nem aí, nem anda com os populares. - nisso Ash tinha razão.
Suspirei como explicaria para elas que ter um relacionamento com alguém agora seria difícil? Minha vida já estava cheias de problemas e se começasse a namora com Taylor agora, com certeza geraria mais problemas.
- Eu não sei gente. - foi tudo o que disse, querendo dar por fim logo esse assunto. Elas me olharam derrotadas, mas sabia que não desistiriam.
- Que tal se eles nos acompanhassem na festa do Ryan. - Demi parecia alegre com a idéia de Ash.
- Eu conheço o amigo deles, o Chaz. - a ruiva disse.
- Eu com o Justin Russo, e a Selena com o Tayor. Pronto, perfeito. - Ash parecia que tinha descoberto a America.
- Já disse que não irei nessa festa.
- Sabe Demi, acho que estou escutando um mosquitinho chato e que não sabe curtir a vida. -ela disse infantilmente, me ignorando. Demi apenas riu, e eu revirei os olhos.
Elas continuaram a conversar sobre a festa, em quanto eu fingia estar entretida com meu refrigerante, mas na verdade eu queria muito olhar o que estava atrás de mim. Ele estaria agarrado com a namorada e conversando com os amigos, porem queria conferir se ainda havia aquele olhar , não me contendo olhei por cima do meu ombro e de imediato vi seu olhar no meu, de uma forma desastrosa, era evidente a raiva em seu olhar. Vir-me-ei rapidamente, tentando esquecer isso, alias não tinha o que temer, ele não pode me cobrar nada.
...
O sinal tocou, anunciando mais um fim de aula naquela semana, cansada comecei a guardar meu material em quanto escutava e Ash e Demi falando animada dessa tal festa. Aff, eu sei que elas não vão desistir disso tão cedo.
- Vou ver se consigo falar com Chaz hoje. - Demi anunciou.
- Ahhh, vai ser tão legal!!!- Ash deu um gritinho histérico. - Imaginem só eu com o gatinho do Justin Russo. Bem eu prefiro o Taylor, mas ele já é seu ne amiga. - falou direcionando uma piscadinha pra mim. Eu ia retrucar porem me assustei quando vi a cara que Justin fazia para mim em quanto passava.
- Gente eu tenho que ir. - avisei, sabendo que quanto antes eu fosse nesse ‘encontro’ mais rápido ele acabaria.
Despedimo-nos, e segui em caminho contrario do que de sempre. Quando cheguei ao campus vi poucos casais espalhados, o lugar era tão grande que duvido que alguém daria por minha presença ali, comecei a andar, imaginando onde ele poderia estar, só havia um lugar ali que as pessoas não nos veriam. Subi um pequeno morrinho onde já poderia ver árvores, caminhei até ficar entre elas, era um pequeno bosque que levava ao fim da residência do Instituto.
Olhei ao redor vendo se encontrava algum vestígio dele, mas a única coisa que via era o verde das árvores e ouvia o canto dos passarinhos, diria que esse lugar daria para ser um pequeno cenário de um filme de romance, mas que pena que a vida não é um teatro, onde tudo esta escrito em uma folha de papel.
Suspirei cansada, e olhei novamente ao redor. Porem desta vez senti meu braço ser puxado e quase gritei pelo susto. Iria perguntar por que diabos ele havia feito isso, mas quando olhei em sua face tudo que consegui foi uma pouca falta de ar.
- O que estava fazendo com ele?- Justin falou sem rodeios, com sua costumeira voz fria, mas ali eu sei que continha ódio. Eu o olhei nos olhos, não mostrando nem um medo, ou arrependimento.
- Não é da sua conta. - falei, tentando soltar meu braço, mas ele apertou com força.
- Não estou brincando Gomez, - ele me puxou para mais perto. Eu apenas fiquei por encarar o chão. - Então não me faça de idiota! Você acha que é só eu mudar nosso horário, para você me substituir com outro?!
- Não fale assim, não me trate-, calei-me quando senti apertar ainda mais meu braço.
- Fica se fazendo de ofendida, e santinha, mas é que nem as outras. - notei um pouco de decepção na voz dele.- É uma sonsa isso sim, eu aqui achando que ...- der repente ele parou e soltou o meu braço com força. - Esquece!- botou ambas as mãos nos cabelos, em uma expressão de descontrole.
O olhei e mais uma vez a imagem dele e da ‘namoradinha’ me veio a mente.
- Eu não entendo!- falei com raiva. - E se eu e Taylor tivermos algo? Você não deveria ficar que nem um idiota me julgando em quanto você fica por aí com quem quiser.
- Ah então você e ele já tem um caso? É bom saber que você não é tão ingênua assim. - ele falou sarcástico. Em seguida se aproximou e segurou ambos meus pulsos. - Só falarei uma vez, então entenda bem. - sua voz estava fria e raivosa. - Você é minha propriedade, onde eu faço o que quiser e a tenho hora que eu quero. E o mais importante: não divido com ninguém. -e novamente ele me humilhava, me tratando como um brinquedo.
- Seja lá o que você e esse idiota tenham, trate de por um fim. Por que se eu ver vocês próximos mais uma vez não pensarei nem duas vezes em acabar com a reputação da sua mãezinha.
- Mas eu e..-
- Calada!- ele ordenou, com seu tom frio.
As lágrimas queriam escorregar pela minha face, mas me segurei ao máximo, não me mostraria fraca diante dele novamente. Ainda segurando meus pulsos ele aproximou a face de meu pescoço, começando a desferir leves mordidas por ali, involuntariamente eu me arrepiava.Com um suspiro pesado ele parou e se afastou, ainda podia ver a raiva estampada em seu jeito frio.
Ele começou a me analisar, percorrendo seus olhos escuros detalhadamente pelo meu corpo, isso me deixou um pouco assustada, parecia que ele queria ver por debaixo de minhas roupas, para completar ainda podia sentir sua respiração levemente pesada.
- Hoje, - ele começou, em quanto com o polegar contornava meus lábios. - Terá um carro as 22:00 na frente de sua residência. Quero você em minha casa hoje!- anunciou. Olhei-o sobressaltada.
- Por quê?- vi de imediato um sorriso irônico brotar em seus lábios. Um ato que nada me agradou.
- Não venha se fazer de santa agora. - sua voz era ríspida.
- Não! - falei com presa começando a me apavorar. Não acredito que ele estava pensando nisso.- Eu não vou!
- Experimente não ir. - ameaçou.
Cada vez mais eu me apavorava, minha respiração estava acelerada, e podia jurar que mais alguns instantes as lágrimas cairiam.
Ele se aproximou perigosamente, e começou a acariciar minha bochecha.
- Leve o uniforme, afinal você não vai querer se atrasar amanhã né?- eu tentava segurar cada vez mais as lágrimas. - Há, e não se preocupe com que roupa usar hoje à noite. Por que elas não ficaram bastante tempo em seu corpo. - sem agüentar mais, senti as lágrimas escorrerem por minha face, aquilo tudo estava me assustando de mais. Ouvi-o grunhir. - Não faça ceninhas para mim. Não caio mais nessa!
Eu ainda tentei falar algo, mas o olhar dele não deixou. Soltou-me, em quanto eu tentava segurar os soluços, vi-o pegar a mochila que estava escorada na raiz da árvore, e sem olhar para trás foi embora.
Deixando-me sem chão.
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