sábado, 15 de junho de 2013

Capítulo 13 - Silêncio

Ouvindo o murmuro da chuva caindo lá fora, acabei acordando, o ar estava gelado e eu estava nua, apenas sendo coberta por um edredom azul marinho, e não pude deixar de soltar um resmungo baixo, ao sentir uma dor entre as minhas pernas. Ainda estava de olhos fechados, mas eu podia sentir um cheiro bem conhecido, um perfume másculo. E ainda com as pálpebras cerradas, eu sorri sentindo meu coração bater mais forte e abri os olhos, mesmo o quarto escuro, eu podia enxergar sua face de traços perfeitos, estávamos tão perto que nossas respirações quase se mesclavam, a minha porem bem mais acelerada que a dele, que estava uniforme, enquanto seu peito nu subia e descia conforme sua respiração.

Ele era tão lindo, que nem acreditava que era eu que estava ao seu lado, mesmo ele repetindo muitas vezes ontem o quanto me achava bonita, eu não acreditava muito, até por que a beleza dele intimidava os meninos, e faziam as meninas daquele instituto pirar, e quase se arrastarem aos seus pés. Eu, é claro, nunca faria isso, e mesmo que á muito tempo admitisse que ele fosse muito bonito, nunca correria atrás, até por que ele era um arrogante, frio, presunçoso. E olha onde eu fui parar. Na sua cama, ao seu lado, nua. Não pude evitar que minhas bochechas esquentassem.

Devagar aproximei minha mão e afastei um pouco do seu cabelo que lhe caia sobre o rosto, fiz com todo cuidado para não acordá-lo. Ergui-me um pouco e vi que no relógio digital sob o criado mudo, marcavam 04h13minh da madrugada. Mas mesmo assim eu tinha que ir embora, não deveria ter dormido na casa dele, minha mãe á essas horas deveria estar bem preocupada, e sem falar no pessoal da escola, nem queria pensar o que Ashley iria fazer quando me visse.

Levantei-me devagar, fazendo o possível para não fazer nenhum barulho, tirei o edredom de cima do meu corpo, era constrangedor não ter dormido pelo menos de calcinha e sutiã, eu estava completamente nua e mentalmente agradeci por ele estar dormindo, nem sei onde enfiaria minha cara se Justin estivesse acordado. Peguei minhas roupas que pareciam estar por todo canto daquele quarto, e corei ao lembrar-me dele tirando cada peça.

Entrei no banheiro fechando a porta atrás de mim, em pendurei minhas roupas e peguei uma toalha branca em uma das gavetas do armário que tinha no banheiro, abri o Box ligando o chuveiro logo em seguida, a água quente deixava meu corpo mais aquecido comparado ao ar frio do local, enquanto tomava banho, pensava em tudo que aconteceu, eu realmente conheci outro lado de Justin que pensava nunca ter existido, mesmo quando ele parecia calmo, e desabafava algumas coisas eu sempre pensei que era para me impressionar ou fazer teatrinho para me iludir, mas no final ele estava sendo sincero, no fim o Justin que estava nas minhas fantasias adolesceste era de verdade, e talvez aquele jeitão como ele se comportava para todos era apenas uma máscara.

Sorri saindo do box, e me secando, enrolei a toalha nos cabelos enquanto me vestia, ajeitei um pouco a blusa da escola que estava toda amarrotada, comecei a pentear os cabelos enquanto me olhava no espelho, e parei um pouco quando notei umas marquinhas vermelhas em meu pescoço, abaixei um pouco a borda da blusa encontrando duas no colo do seio esquerdo. “O Justin tinha que parar definitivamente com isso.” – pensei, só imaginando a cara da minha mãe quando visse marcas de novo em meu pescoço, sorte a minha ela não ser nenhuma mãe obcecada e queira averiguar o meu corpo inteiro.

Balancei a cabeça negativamente ao pensar na resposta espertinha que ele daria quando eu pedisse para ele não me deixar com marcas, com certeza diria algo, como: “- E você tem medo que algum outro garoto veja?” ou “- Vai me dizer que quando faço isso você não gosta” - ri enquanto abria a porta o banheiro, e me assustei um pouco ao me deparar com ele sentado na poltrona.

Justin estava só com uma calça moletom branca, os olhos fechado, mas eu sabia que o mesmo estava refletindo, pois massageava a têmpora esquerda, e sua cara não parecia a das melhores, estranhei um pouco, mas deveria ser pelo fato de estar acordado tão cedo em pleno sábado. Ele abriu os olhos me olhando de relance.

–Onde pensa que vai? - perguntou em um tom serio, enquanto me analisava, percebendo que eu já estava arrumada.

– Indo para casa. - falei em um tom muito alegre que não pudesse de evitar. – Minha mãe deve estar preocupada. - expliquei. Ele apenas contorceu um pouco a expressão.

– Ok, deixe que eu te leve então. - falou serio, se levantando passou por mim, abrindo a porta do banheiro e a fechando em seguida.

Sentei na borda da cama achando aquilo meio esquisito, mas decidi não ficar pensando besteiras, e ele era assim mesmo, todo bipolar, e uma hora agia de um jeito e depois agia de outro.

Depois de alguns minutos ele saiu do banheiro só de toalha enrolada na cintura, foi até o guarda roupa e tirou algumas peças de roupas, e logo se desfez da toalha ficando nu e pegando a cueca boxer preta, agia calmamente sem nenhuma vergonha, mesmo que ele estando de costas para mim, virei meu rosto enquanto minha face estava pegando fogo.

Passado alguns instantes o olhei e faltava apenas a camisa branca com alguns escritos pretos, o tênis ele já havia colocado. Justin foi andando em direção a porta eu apenas o acompanhei, ele parecia impaciente andando logo na minha frente, alguma coisa dentro de mim começava a me alertar, mas ignorei de imediato. Saímos do corredor e descemos as escadas, e dessa vez ele não pegou na minha mão.

– Você quer comer alguma coisa? - perguntou baixo ainda olhando para frente.

– Não. - disse, meu tom dessa vez estava mais serio, minha felicidade estava esvaecendo aos poucos.

Ele abriu a porta de entrada da casa, e quando eu já tinha passado a fechou, a chuva que escutei á momentos atrás virara apenas um fino chuvisco. Andamos um pouco pelos arredores da mansão, ele sempre á minha frente, aquele ato já estavam me deixando intrigada. Paramos quando enfim encontramos seu carro estacionado perto do chafariz, ele entrou ,fiz logo em seguida.

Justin deu partida, as ruas ainda escuras e desertas, a movimentação de carros era bem pequena, Justin ia a toda velocidade, e o silêncio reinava dentro daquele carro o único barulho ouvido era o da chuva que se intensificara um pouco mais.

Eu o olhava de relance, mas ele continuava concentrado á sua frente, serio, distante. Depois de tudo o que aconteceu não esperava uma coisa assim, depois de tudo o que ele disse... Por que ele estava me tratando desse jeito? Mal tinha falado comigo, e esta aqui, ao meu lado, parecia como se fosse uma obrigação. Já estava ficando irritada, se isso fosse alguma espécie de brincadeira, com certeza era de muito mau gosto.

Justin estacionou o carro em frente a minha casa, a chuva continuava a cair, a rua onde eu morava igualmente deserta como as outras. Ao contrario do que ele estava esperando, não abri a porta do carro continuei sentada, encarando a frente, me sentia com um misto de raiva e mágoa, ele estava me ignorando e deixava isso bem claro, mas não podia continuar a fazer isso, não vou sair desse carro até que ele me explique o que está acontecendo.

– O que aconteceu? - perguntei agora virando meu rosto e encarando o seu.

Ele deixou de olhar para frente e se virou, me olhando nos olhos pela primeira vez naquele dia. Aquele olhar inexpressível fez algo dentro de mim se quebrar era como se não estivesse acontecendo nada, era como se não tivesse acontecido nada...

– Do que está falando? - ele disse ainda serio, e parecia impaciente.

– Você está diferente. - falei me sentindo um pouco nervosa. Engoli em seco, mas tinha algo impedindo, um nó se formando. Vi sua expressão suavizar um pouco, o bastante para sua mão tocar minha face, ele parecia tenso e ao mesmo tempo com raiva, mas nada o impediu de se aproximar mais e me beijar, com força, intenso.

Fechei os olhos abrindo passagem para sua língua percorrer cada canto da minha boca. O certo era empurrá-lo e questionar o porquê dele esta agindo daquela forma, mas outra parte de mim esperava por esse carinho desde quando o vira a primeira vez naquele dia. Ele pôs a mão em minhas costas me trazendo para mais perto, eu segurei seus ombros, sentindo seu beijo ficar mais calmo. Separamos-nos por um segundo em busca de ar, para logo em seguida voltarmos a nos beijar, meus braços enlaçaram o seu pescoço, e uma de minhas mãos se enterraram em seus cabelos aprofundando ainda mais o beijo, sua mão alisou a curva de minha cintura, ele mordeu de leve meu lábio inferior arrancando um gemido baixo meu. Separamos-nos devagar, ele me encarou de um jeito contido, como se quisesse falar algo.

Mas não disse nada, apenas se aproximou do meu pescoço sentindo todo meu perfume, sua respiração quente me causando arrepios, ele depositou um beijo ali, me fazendo me arrepiar ainda mais, só com aquele carinho.

– Segunda nos vemos. - disse se afastando, eu ainda queria saber o que de fato estava acontecendo, o que ele estava me escondendo. Mas parecia que nada o faria falar, se é que realmente ele tivesse algo a esconder.

–Tchau - falei saindo do carro, subi na calçada rápido por causa da chuva e antes de entrar, acenei dando tchau, ele apenas buzinou e foi embora.

Já dentro de casa, fechei a porta atrás de mim, e fiquei escorada na mesma sentindo uma sensação estranha. Era obvio que tinha alguma coisa errada, ele não me trataria daquele jeito sem algum motivo, ou trataria? Balancei a cabeça negativamente me sentindo confusa. Comecei subir as escadas devagar, a casa estava silenciosa, com certeza minha mãe deveria estar dormindo, abri a porta de seu quarto calmamente, a vi dormindo na cama enrolada nos lençóis, era melhor deixá-la dormir, mais tarde tentaria me explicar.

Entrei em meu quarto, troquei de roupa, botando uma mais leve e deitei-me na cama, mas não consegui dormir, minha mente estava muito confusa para isso. Vários pensamentos rodeavam minha mente, “ele poderia estar apenas de mau humor”, pensei, mas algo dentro de mim como se fosse minha intuição me dizia claramente que não era isso. Eu simplesmente estava tentando me enganar, enquanto que a resposta parecia estar em frente ao meu nariz.

Assustei-me me encolhendo na cama, quando um pensamento me assombrou. Não! Nem mesmo ele teria coragem de fazer isso comigo. Ele não poderia ter me enganado! Justin não iria tão baixo, falando todas aquelas coisas, só para me levar para cama, ou iria?

– Calma Selena! - falei comigo mesma. Eu estava me precipitando, com certeza estava acontecendo algo, mas não isso. Por mais que eu o conhecesse há pouco tempo, tinha noção quando Justin estava mentindo, ontem ele pareceu sincero, ele chorou... E aquilo não foi minha imaginação.

Mas isso não quer dizer que as coisas ficariam assim, ele não podia me ignorar de uma hora para outra, não depois de tudo que aconteceu. Suspirei tentando me acalmar, ficar pensando nisso agora não me faria bem algum, e se me lembro bem, ele disse que íamos nos ver na segunda, isso quer dizer que não devo me preocupar tanto.

Depois de rolar algumas vezes pela cama, acabei por dormir, em um sono leve, tirando todas as preocupações que rodeavam minha mente, e trocando-as por lembranças boas, apagando tudo de incomum que havia acontecido nessa manhã, e relembrando tudo de maravilhoso que havia ocorrido na noite passada.

Acordei horas depois, alias fui acordada pela minha mãe que dava leves tapinhas em meu ombro, abri os olhos vendo sua face um pouco transtornada.

- Selena, minha filha eu estava tão preocupada. – ela disse me abraçando.

Por um minuto pensei que ainda estivesse sonhando, eu já esperava que ela estivesse preocupada, mas não o tanto que ela demonstrava estar. Era meio irônico, visto que semanas atrás ela estaria em meu lugar, porem por motivos bem diferentes, minha mãe era alcoólatra e estava em tratamento. Á alguma semanas ela havia entrado em terapia em grupo, onde as pessoas contam suas experiências, e tem um mentor que lhes aconselham. Ela também havia arrumado um trabalho em uma loja, de atendente, e sempre que chegava do emprego, sempre me contava como tinha sido na terapia, e só deus sabia o quanto eu estava feliz.

Agora ela me abraçava fortemente enquanto eu ouvia seus soluços. Comecei a fazer um leve carinho em sua nuca, tentando acalmá-la, ela desfez o abraço em seguida secou o rosto com os as mãos e voltou a me encarar, ela já ia abrir a boca para falar algo, mas parou e me encarou atentamente, parecendo estranhar alguma coisa.

– Você esta diferente. -ela falou me analisando. Eu me assustei um pouco, será que ela descobriria o que tinha acontecido ontem? Não, não tinha como ela saber. – Filha você esta me escondendo alguma coisa? – perguntou, me encarando, mas seu olhar desceu, e a vi franzir o cenho, ela começou a afastar os meus cabelos dos meus ombros.

– Mãe pare. - falei tentando afastá-la, mas ela me impediu e afastou boa parte do meu cabelo do meu ombro esquerdo, encarando as marcas que eu sabia que ainda estavam ali.

– Explique-se. - ela disse seria se afastando um pouco, enquanto me olhava decepcionada.
Abaixei a cabeça, não fazendo a mínima idéia do que dizer. A verdade, bem essa não poderia ser dita e a mentira também na funcionaria com a minha mãe. Respirei fundo e encarei-lhe.

– Eu dormir na casa do meu namorado ontem, é com ele que estou todo esse tempo. - comecei, mesmo que já estivesse iniciado com uma pequena mentira. – É um garoto da escola, mas acabou acontecendo um imprevisto ontem e eu tive que ir para casa dele, e acabei me esquecendo de ligar. – falei tomando cuidado para omitir as coisas sem denunciá-las.

– Mas por que você não me falou desse garoto antes? - ela perguntou um pouco chateada.

– É que nós dois decidimos manter as coisas em segredo, não queríamos ninguém se metendo em nossas vidas. - falei forçando um sorriso. – Nem mesmo Ashley sabe, e peço para que a senhora não fale nada também.

– E eu posso pelo menos saber o nome do misterioso? – perguntou ainda desconfiada.

– É Jus... – mordi os lábios pensando melhor. – É Taylor. – disse forçando mais uma vez um sorriso, ela ainda parecia um pouco desconfiada, porem pareceu acreditar. Eu tive que mentir, não podia arriscar dela um dia deixar o nome do Justin escapar, não enquanto as coisas não estivessem resolvidas.

– Pode avisar para esse Taylor, que quero conhecê-lo, de preferência na segunda mesmo. - prendi um pouco a respiração, mas ainda mantive o sorriso forçado em meus lábios.

– Sem problemas! - falei parecendo calma, quando na verdade estava completamente perdida.

– E Selena... - me chamou enquanto encarava os lençóis da minha cama.

– Hum... - falei esperando sua próxima pergunta.

– Filha você ainda é virgem? - me perguntou diretamente, agora me encarando. Senti minhas faces esquentarem.

– Mãe! - falei, cheia de vergonha por termos entrado logo nesse assunto, que eu estava fazendo de tudo para adiar.

– Filha me responda. - ela disse mais seria. Eu apenas abaixei a cabeça.

– Não - sussurrei. Houve um tempo de silencio.

– Faz quanto tempo? - perguntou.

– Faz pouco tempo. – disse, tentando acabar com aquele assunto de vez. Ouvi-a suspirar.

– Sabe é difícil ver o quanto você cresceu, e quanto tempo eu me ausentei. - ela disse já com os olhos marejados.

– Oh mãe, não fique assim. - disse lhe abraçando. – Esse tempo já passou, e estamos juntas agora e nada mais vai acontecer. - disse tentando acalmá-la.

Depois disso fomos tomar café da manhã, um pouco tarde por sinal. Fizemos o almoço juntas, arrumando a mesa e depois degustamos os bolinhos de arroz que estavam uma delicia. Eu podia me acostumar com isso para sempre, nós duas juntas trocando confidencia e arrumando as coisas, por mais que meu pai fizesse falta, era muito acolhedor ter a minha mãe ao meu lado.

– O que será que eu faço no jantar na segunda? - ela me perguntou, enquanto estávamos na sala fazendo nossas unhas dos pés. – Eu não faço a mínima idéia do que seu namorado gosta.

– Ah isso. - eu já havia me esquecido. – Não sei talvez aquela lasanha deliciosa que a senhora faz. - falei me perguntando se Justin gostava. Ah todo mundo gosta de lasanha.

– Me diga filha como esse Taylor é? – ela perguntou, enquanto tirava os lados borrados de esmalte da unha.

– Ele é branco, alto, cabelos loiros, e olhos cor de mel. - era meio engraçado descrever Justin, sendo que minha mãe pensa que é taylor, sendo que os dois tem a aparência completamente diferente.

– E me diz, ele é bonito, ou você o achou mais bonito por dentro? - eu quase ri, se de cara eu visse o interior de Justin, a primeira coisa que faria, seria me afastar, ainda bem que com o passar do tempo ele parou de ser tão arrogante.

– Bem ele é bastante bonito. É o que eu acho. - e o restante daquele instituto também. Lembrei de como aquelas meninas ficavam eufóricas quando o via.

– Espero que ele também seja bem legal com você. - eu fiquei me perguntando se minha mãe em meu lugar, aturaria toda mudança de estado de humor que aquele garoto tinha, se bem que o achava bipolar pelo fato de não o conhecer completamente.

– Bem, ele é legal. - quando ele quer. Se bem que nas ultimas semanas não tinha o que reclamar, fora é claro, o ciúme extremo que ele tinha. Suspirei lembrando-me de como ele sorria do meu jeito, quando estava irritada, ou com vergonha.

– Você parece realmente feliz. - minha mãe disse enquanto me encarava. Justin tem sorte de minha mãe não saber o quanto ele já havia me magoado. Ele nem fazia idéia de quanto a Sr. Gomez estava super protetora.

...

Mais tarde enquanto eu e minha mãe assistíamos a um filme, a campainha tocara, e a pessoa do outro lado da porta parecia impaciente. Levantei-me do sofá e fui até a porta abrindo-a, me deparando com Ashely que estava do outro lado, e parecia chateada.

– Entra. - falei abrindo passagem. Ela entrou, e cumprimentou a minha mãe assim que a viu.

– Selena será que podemos conversar a sós? - ela perguntou.

– Claro. - disse, começando subir as escadas, ela logo me acompanhou.

Respirava profundamente, já pensando em o que inventar desta vez. Odiava mentir, mesmo que se um dia as coisas se resolvessem, contar a verdade para Ash ainda seria bastante difícil.

Abri a porta do meu quarto e logo entramos, sentei na borda da cama encostada na cabeceira, enquanto ela sentou-se á minha frente. E pela primeira vez eu não sabia identificar aquela expressão estampada na face da minha melhor amiga.

– Sabe Selena eu pensava que éramos amigas. - ela começou dizendo, – Eu sei que está acontecendo algo muito grande, á algum tempo, e essa coisa esta mudando tudo, até você. - ela me falou com um tom de decepção.

– Ash... - sussurrei porem sem mais nada para dizer.

– E será que esse segredo é tão importante assim? - apenas abaixei a cabeça. – Você some freqüentemente, chora sem motivos, e quando liguei para sua casa ontem preocupada com você, depois de você ter saído desesperada ontem da escola, a sua mãe disse que você ainda não tinha chegado.

– Serio nem de longe eu quero me meter na sua vida, mas somos amigas, é muito ruim saber que está acontecendo milhares de coisas com você, que você simplesmente me esconde.

– Ash, é complicado. - disse, mas dava para ver que ela já estava de saco cheio das minhas omitidas.

– Complicado? E será que quando sua mãe estava passando por tudo aquilo, não era muito complicado também? Mas mesmo assim você me disse. - ela rebateu me encarando.

Eu sabia que seria difícil, ainda mais se tratando da Ash, mas não a culpo, nossa amizade foi sempre às claras, nada de segredo meus e nem dela, ela não estava querendo xeretar, apenas estava preocupada, por que se estou escondendo algo dela, ela sabe que realmente é uma coisa bem séria. Encarei-a, e ela estava à espera de uma resposta, não, ela estava à espera da verdade a qual acabaria na hora com nossa amizade e com certeza eu não suportaria isso. Respirei fundo.

– Eu não posso falar. - disse, apenas confirmando suas suspeitas. Ela balançou a cabeça afirmativamente em sinal de decepção.

– Esta bem, você quem sabe. É a sua vida não é mesmo?- ela disse dando uma risada sem nenhum humor. Começou a se levantar, mas eu a impedi. Ela era importante de mais para deixá-la ir tão fácil.

– Espera! - falei segurando sua mão, ela apenas me encarou. – Por favor, Ash, não deixe nossa amizade abalar por causa disso. - disse um pouco triste, eu era uma egoísta.

– As coisas não têm que ser assim. - sussurrei, quase querendo tampar a minha própria boca. Eu a vi abaixando a cabeça e suspirando baixo.

– Ok, talvez eu esteja exagerando. - falou suavizando um pouco sua expressão seria que afinal não combinava nada com ela. – Eu só espero que tenha um bom motivo para estar me escondendo isso, ok? - falou, dando um pequeno sorriso.

– Tudo bem, - falei forçando um sorriso. – Mas me conta como foi o restante das apresentações ontem?

– Só teve mais uma apresentação de uma banda, e depois fomos eu, Demi, Chaz, Taylor, Ryan, Miley e Russo para uma pizzaria. - ela abaixou os olhos por um momento. – Taylor ficou bem triste depois que te viu saindo daquele jeito.

– Talvez ele nem queira, mas olhar na minha cara depois disto. - disse um pouco triste.

– Você subestima o que ele sente por você. - ela disse rindo um pouco. – Ele ficou triste sim, mais logo passou e quando estávamos voltando, ficou perguntando um monte de coisas sobre você.

– Ele com certeza não existe. - falei, sem acreditar que Taylor já não estava mais bravo comigo. “Seria mais fácil se ele estivesse”. – pensei.

Eu e Ash ainda conversamos mais um pouco, e quando já estava quase escurecendo ela foi embora, fiquei feliz por ela ter deixado o assunto do meu sumiço de lado, mas eu sabia muito bem que não deveria mais desaparecer do nada, com certeza da próxima ela ficara ainda mais chateada, e eu não poderei cobrar mais nada.

Depois eu e minha mãe jantamos enquanto conversávamos ainda mais, em seguida fomos cada uma para seus respectivos quartos para dormir. Não demorei muito, e logo cai no sono.

No domingo, o dia foi tranqüilo, assim que amanheceu minha mãe decidiu fazer umas comprinhas básicas e lhe acompanhei, no mercado compramos o essencial e voltamos para casa, depois de ajudar minha mãe em uma pequena faxina, decidi fazer uns deveres para não deixar acumular. Por volta de umas 18h00minh enquanto minha mãe preparava um lanche na cozinha o telefone toca, me fazendo descer as escadas mais depressa.

– Alou. - falei, enquanto esperava resposta.

– Selena? - disse uma voz grossa, do outro lado da linha. Fiquei um, pouco atônita não acreditando que seria ele.

- Justin?! – disse ainda sem acreditar. “Mas o que será que ele queria?”

– Vamos nos encontrar. - disse, sem nem mesmo saber se eu poderia ir ou não.

– Ok, mas aonde e que horas? - perguntei quase que sussurrando, e dando umas olhadas pra trás, para conferir se minha mãe ainda estava na cozinha.

– No parque que fica perto da escola. As 20h00minh.

– Esta bem, eu vou estar lá. - falei e em seguida desliguei o telefone, porem quando virei encontrei minha mãe me olhando com cara de desconfiada.

– Era ele não era? – ela perguntou, mas estava mais para uma afirmação. Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente, respondendo sua pergunta.

– Ele quer me ver, daqui á duas horas, eu já disse que iria. - falei um pouco receosa, temendo que ela não deixasse. Ela não parecia muito contente, e nem brava. Talvez só estranhasse um pouco a situação.

– Esta bem. Só quero que não volte muito tarde. - deu um sorriso de canto, e nós duas fomos lanchar os sanduíches que ela havia feito.

Pouco depois tomei um banho demorado, quando sai do banheiro e dei de cara com meu guarda roupas, fiquei um pouco indecisa do que vestir. Lá fora estava frio, mas eu não queria ter que ir de jeans e camiseta, mudar um pouco não custa nada. Optei por um vestido tomara que caia soltinho, verde, e por cima botei uma jaquetinha jeans escuro que ia até a curva da minha cintura.

Olhei-me no espelho e gostei do resultado, o vestido tinha caído bem, depois penteei os cabelos partindo eles de lado, as pontas estavam levemente onduladas. Passei delineador nos olhos destacando ainda mais a cor deles, passei um blush clarinho e deixei os lábios róseos com o gloes. Resolvi ir com sandálias baixas brancas.

Desci as escadas, minha mãe que estava na sala assistindo TV se virou e me encarou dos pés a cabeça.

– To vendo que se produziu toda hein. - ela disse com um sorriso de canto. – Ele vira te buscar? Será que ainda hoje eu o conheça?

– Não, nós vamos nos encontrar aqui perto. - fui até ela, e lhe dei um beijo no rosto. – Vou indo, antes das dez voltarei. - lhe informei, e logo em seguida sai pela porta.

A pequena praça ficava bem perto da minha casa, cerca de apenas duas quadras. Quando ele disse que queria se encontrar comigo no começo estranhei, mas quando ele disse que era na praça perto do instituto eu logo entendi, era um lugar reservado e dificilmente tinha alguém, era mais fácil ver alguém passando por lar, mas ficar era raramente possível.

Cheguei à praça, e como já imaginava a mesma estava praticamente deserta, havia apenas duas crianças acompanhadas por seus respectivos responsáveis, elas estavam se balançando enquanto que, o que pareciam ser suas mães conversava empolgadas. Sentei-me um pouco afastada, em um dos bancos de madeira que havia ali, me encolhi um pouco quando o vento gelado passou por mim. “Talvez devesse ter vindo com o velho jeans” – pensei distraída, mas logo sai dos meus devaneios quando ouvi o barulho de um carro se aproximando. Era ele. Um sorriso bobo brincou em meus lábios quando o vi sair do carro e vim em minha direção. Suas mãos nos bolsos da calça jeans escura, uma blusa azul escura, tênis preto, e claro sua inseparável jaqueta de couro.
Ele olhava para os lados, como se verificasse a área, e depois logo sua visão mirou diretamente em mim, sua face não parecia tão feliz quanto a minha, mas estava suavizada, e a cada passo que dava ao meu encontro, ficava ainda menos inexpressiva.

Quando já estava a minha frente, ele me analisou, me olhando de cima á baixo e deu um pequeno sorriso de canto.

– Você está linda. - sussurrou em meu ouvido, e minhas faces já estavam quentes.

Na verdade eu queria lhe dar um grande abraço, e não adiantava negar, já estava sentindo a falta dele, por mais que o tempo em que ficamos longe tivesse sido curto. Senti seus lábios roçarem em minha bochecha, no canto da boca, para depois roçar em meus lábios. Aqueles olhos cor de mel tão intensos, fizeram meu coração bater mais forte, fechei os olhos respirando profundamente, ele aprofundou o beijo e lhe dei passagem para isso. Não era um beijo bruto, e nem de longe selvagem, e sim um beijo calmo. Separamos-nos devagar em busca de ar. Encarei-lhe divertida.

– O que de tão importante você tem para me dizer? – perguntei, olhando ele levantar a sobrancelha esquerda, como se não estivesse entendendo. –Com certeza você tem algo muito importante para me dizer, por que você nunca marcou um encontro a não ser no instituto. - ele deu um sorriso de canto, entendendo onde eu queria chegar.

– Você tem que escutar eu dizer com todas as palavras, não é mesmo? - ele perguntou me encarando, ainda sorrindo. Eu afirmei com a cabeça. Ele revirou os olhos.

– Eu estava com S-A-U-D-A-D-E-S, de você, Selena Gomez! Satisfeita agora? - eu sorri do seu jeito exagerado.

Abracei seu pescoço, chegando mais perto, fitei sua face e um pequeno sorriso ainda estava em seus lábios, mas ao perceber como eu o encarava o sorriso aos poucos desapareceu, e por mais que eu não quisesse meu olhar era intenso, eu o amava. Meu coração batia forte em meu peito, o vi respirar profundamente, me surpreendi ao notar que eu surtia o mesmo efeito que ele tinha sobre mim. Ele agarrou minha cintura me trazendo para mais perto e me beijou, dessa vez com mais ânsia, lhe correspondi abrindo total espaço para sua língua em minha boca, ele passava as mãos em minhas costas me trazendo para mais perto, fazendo que nossos corpos ficassem quase colados.

Ele separou sua boca da minha, eu buscava fôlego, mas ele distribuía beijos ardentes pelo meu pescoço, enterrei uma de minhas mãos em seus cabelos, ele deu uma leve mordida em meu queixo e em seguida tomou meu lábios com urgência. Suas mãos pareciam um pouco inquietas, passando pelas minhas pernas, minha cintura, parando em meus quadris. Separamos novamente em busca de ar, descansei minha bochecha na sua enquanto minha respiração se uniformizava.

– Eu acho melhor nós irmos para o meu carro. - ele disse em um tom divertido. Encarei-lhe, ele fitou o que estava atrás de mim. – Olhe para trás.

Olhei para trás, as crianças não estavam mais se balançando, e sim encarando a mim e Justin com certa curiosidade, mas já as mães pareciam bravas, nos encarando com certo tipo de reprovação.

– É melhor nós irmos mesmo. -falei, lhe encarando e eu sabia que minhas bochechas deveriam estar vermelhas.

Ele entrelaçou sua mão na minha enquanto íamos em direção á seu carro, eu tentei ignorar isso, mas era um pouco difícil, um dia eu espero entender o que acontece com ele, para que do nada ele se torne tão carinhoso. Entramos no carro, ele deu partida, de imediato reconheci as ruas por onde o carro entrava, paramos assim que ele estacionou o carro atrás do Instituto. Sorri ao lembrar-me de quantas vezes ficávamos aqui nos beijando, antes dele me levar para casa.

Senti o carinho de sua mão em meu braço, chamando toda minha atenção, ele subiu mais um pouco, até sua mão parar em minha nuca aproximando minha face da sua. Seu olhar estava forte, estavam em chamas, eu sabia que as coisas não ficariam em simples beijos e amassos.

– Justin... - sussurrei antes que nos beijássemos, não sabia se era certo que isso ocorresse novamente, ainda tinha muita coisa pendente que deveríamos conversar. Mas ele me calou, dando um beijo rápido, roçando os lábios em meu queixo, beijando meu pescoço.

– Não vamos pensar em nada. - disse baixinho, me encarando, mas logo depois seus olhos miraram meus lábios com certa voracidade, para logo juntar aos seus com a mesma intensidade.

Ele segurava minha cintura com uma mão, e acariciava minha perna com a outra, um arrepio me percorria quando sua mão foi subindo até encontrar minha coxa por de baixo do vestido, ele apertou em seguida fazendo que eu mordesse os lábios. Sua boca estava em meu pescoço, beijando, dando leve mordidas, e me deixando quase louca. Eu já me sentia um pouco ofegante, e segurava os suspiros. Ainda com a mão em minha coxa, ele me puxou de uma vez me fazendo sentar em seu colo, de uma perna de cada lado do seu corpo.

Suas mãos alisaram minha barriga e subiam fortes, passando pelos meus seios e parando nos ombros, onde ele tirou minha jaqueta rapidamente a jogando em um canto qualquer daquele carro, ele alisou minhas costas me trazendo ainda para mais perto. Eu fechei os olhos quando suas mãos pararam na borda de cima do meu vestido, e o puxou de uma vez fazendo que eu ficasse nua da cintura para cima, suas mãos agarraram meus seios e meu corpo todo se arrepiou, uma de suas mãos subiu, acariciando meu colo, a pele do meu pescoço, até seu polegar acariciar meus lábios.

– Abra os olhos Selena. - ele pediu, podia sentir seu hálito quente se chocar em meu rosto.
Abri meus olhos, estremecendo ao me deparar com seus olhos cor de mel que  agora eram totalmente calorosos, tão intensos... Que eu queria que eles nunca fossem embora.

– Você é minha. - falou ainda acariciando meus lábios, agora com mais pressão.

Ele me puxou fazendo com que nossos corpos se colassem, enquanto seus lábios devoravam os meus, o correspondi com a mesma vivacidade, e um sentimento diferente se apoderava de mim, o queria mais do que tudo, sabia que estava me entregando de mais, porem já era tarde.

Encerrei o beijo lhe encarando intensamente, e jogando a timidez de lado, minhas mãos se enfiaram por de baixo de sua camiseta, me surpreendi quando senti ele se arrepiar, me aproximei um pouco receosa e mordi de leve o seu queixo, comecei a beijar seu pescoço, enquanto minhas unhas arranhavam de leve o seu peito, o ouvi suspirar baixo e quase enlouqueci.

– Esta brincando com fogo, garota. - sussurrou rouco em meu ouvido, o encarei, sentia todo meu corpo quente, minha respiração estava acelerada e alta.

– Eu te amo Justin. - ele me encarou um pouco surpreso por um breve momento, mas logo deu um sorriso de canto.

– Você é louca por isso. E eu sou louco por você. - ele me pegou pela nuca me beijando mais uma vez. Suspirei baixo ao sentir o quanto ele estava excitado. Ele segurou meus seios brincando com as pontas, me fazendo gemer entre nossos lábios.

Separamos-nos por um segundo, ele retirou sua jaqueta e lhe ajudei a retirar a camisa, Justin começou a beijar o vale dos meus seios, comecei a suspirar alto, e quando sua boca estava em um dos meus seios arqueei as costas, enquanto minhas mãos apertavam seus ombros.

Sua mão alisou minha coxa apertando novamente, mas dessa vez ele não parou e subiu mais um pouco até encontrar minha calcinha, gemi quando ele começou a acariciar meu clitóris, um de seus dedos me penetrou ,senti um pequeno incômodo, mas passou rápido, ele fazia movimentos circulares com o polegar no clitóris me fazendo perder quase a insanidade, ele me penetrou com mais um dedo e começou a fazer movimentos de vai e vem, eu gemia mais alto, minhas mãos já começavam a ficar um pouco tremulas, ele só poderia esta querendo me deixar louca, pensei, e minhas unhas se enterraram em seus ombros quando senti que estava alcançando o ápice. Gemi mais alto, e senti que apertava seus dedos em torno de mim, ele gruiu.

Descansei minha cabeça em seu ombro, minha testa suada e minha respiração alta ele tirou os dedos de mim devagar.

– Vamos para minha casa. - falou sua voz mais rouca que o normal.

– Eu não posso. - falei ainda com dificuldades. – Disse que voltaria antes das dez. - ouvi sua risada.

– Então não tem problemas, temos tempo ainda. - virei meu pescoço vendo no relógio digital do carro, que marcava 21: 55h. Dei uma leve batida em seu peito.

– Sem graça. - falei.

– Vamos, por favor, ou te agarrarei aqui mesmo. -ele falou persistente. Eu sei que já fizemos mais do que deveríamos dentro de um carro, mas sexo em si eu não tinha coragem, só de imaginar o carro balançando e alguém vendo do lado de fora me deixava assustada de tanta vergonha.

– Ok, vamos, mas vou ter que ligar para minha mãe se não as coisas vão se complicar. -avisei, saindo do seu colo e ajeitando meu vestido.

– Esta bem Sr Certinha. - ele disse começando a dirigir, – Só não garanto que ira durar pouco tempo, do jeito que eu estou não será meros minutinhos. - disse se achando o máximo, e automaticamente meus olhos foram para suas calças, e me arrependi logo em seguida, por que além da protuberância ser bem grande, ele viu e riu da minha cara, por que como sempre eu fiquei com vergonha.

Ele dirigia rapidamente, ajustei o cinto de segurança em meu corpo, e pedi para ele diminuir a velocidade, mas quem disse que ele me ouviu? Cerca de dez minutos tínhamos chegado na mansão, ele estacionou o carro em frente a porta da entrada, e saiu, nem se importando de botar a camiseta.

O segui, ele abriu a porta, e para nossa sorte não havia nenhum empregado circulando pela sala, e eu nem podia imaginar o pai de Justin nos pegando nessa situação, subimos as escadas depressa, passamos pelo corredor e logo entramos em seu quarto, dessa vez eu abri a porta ele rapidamente fechou, veio em minha direção, e me abraçou por trás.

– Justin pare! -disse enquanto começava a esquivar dele. – Tenho que ligar para minha mãe. -falei, em seguida pegando o telefone sem fio, preto que ficava em cima de uma mesinha perto a cama. Disquei o numero e esperei enquanto chamava.

Desisti de me afastar por que sabia que ele não iria parar, e para piorar começou a beijar meu pescoço. – Para - sussurrei baixo quando minha mãe atendeu ao telefone.

– Er mãe – comecei nervosa, ouvi Justin rindo baixo. – Vou chegar mais tarde hoje. - disse dando uma cotovelada em Justin para ele se afastar, mas ele nem saiu do lugar.

– Onde você esta Selena? - escutei sua voz preocupada do outro lado da linha. Eu não podia mais mentir, não para minha mãe. Dei um pequeno suspiro.

– Estou na casa do Ju - então me lembrei do que havia contado para ela. – Estou na casa do Taylor. - disse sem graça, e percebi que Justin parou de beijar meu pescoço imediatamente.

– Selena, por favor, não demore, venha logo. - ela falou e em seguida desliguei o telefone.
Virei-me para por o telefone em seu lugar, e vi Justin me olhando com uma cara de desentendido.

– Como assim na casa de Taylor? - perguntou me encarando de braços cruzados. Sorri de canto.

– Eu contei a verdade para minha mãe, só que tive que te botar outro nome, não é mesmo?- me expliquei mordendo os lábios. – Vai que um dia desses, ela deixava seu nome escapulir na frente de Ashley.

– E tinha que ser logo o nome dele? - ele falou como se ainda não acreditasse. – Garota você é mal. - começou a se aproximar, sorrindo, eu comecei a dar passos para trás, porem não estava nem um pouco nervosa, e achava graça da situação. Ele coçou o queixo.

– Eu não posso deixar as coisas assim. O que será que devo fazer com você? - enquanto mais ele se aproxima, eu andava para trás, só que acabei por encostar-me à cama, me desequilibrei e cai sentada na mesma.

– Sem saída para você - ele deitou em cima de mim segurando meus pulsos. Encarou-me, olhando em meus olhos.

– Por que você tem que ser tão bonita? - perguntou começando a acariciar o meu rosto com o polegar. Abaixei os olhos, mas ele logo ergueu minha face, levantando o meu queixo. E me fitou de um jeito que queria falar algo, mas de novo ele não disse nada, além disso, me beijou.

Fechei os olhos apreciando seus lábios, enquanto minhas mãos abraçavam suas costas nuas. Eu poderia ficar assim para sempre, apenas lhe beijando. Mas ele queria mais, eu não podia negar quando suas caricias ficavam mais quentes, seus lábios mais urgentes, o meu corpo começava a ansiar pelo seu.

Justin se desfez das minhas roupas e se livrou do pouco que restava em seu corpo, e de novo eu sentia toda aquelas sensações, minhas mãos tremulas em seus cabelos meu corpo todo quente, as pernas em torno de seu corpo, bambas. Mas ele continuava ardente, querendo mais de mim.

Sentou-se com as costas encostadas na cabeceira da cama e me pegou pela cintura me fazendo sentar em cima do seu corpo de uma vez, gemi alto segurando em seus ombros, ele me conduzia com suas duas mãos grandes segurando firme minha cintura, minha respiração cada vez mais alta, ele arfava baixo. Não agüentando mais, lhe abracei pelo pescoço, gemendo alto. Ele saiu de dentro de mim gemendo rouco em meu ouvido, me arrepiei toda, meu corpo todo estava sensível, tudo o que eu conseguia era me agarrar nele.

Descansei minha cabeça em seu ombro enquanto minha respiração se acalmava, ele também respirava alto, minha mão esquerda que estava encostada em seu peito, sentia seu coração acelerado.

Aconchegamos-nos na cama, estava de lado, enquanto que ele permanecia de barriga para cima encarando o teto. Minha mão acariciava seu peito, ele fazia um leve carinho em meus cabelos, com seu braço em torno de mim. O encarei e ele parecia pensativo. Nós precisávamos conversar, as coisas estavam dando certo entre nós, não tinha brigas, eu acreditava nele, por mais que ele fosse um pouco misterioso. Mas isso tudo só aconteceu, depois de tudo que ele me disse na sexta feira á noite. E não deveríamos fingir que nada aconteceu, nem esquecer tudo que ele disse e nem o que eu mesmo falei. Respirei fundo e também encarei o teto.

– Justin eu não estava mentindo. - comecei sem ter coragem de lhe encarar. – O que eu disse hoje no carro, o que eu disse sexta antes de dormimos, não foi da boca para fora. - era difícil para eu falar disso tudo, naquele dia ele disse que precisava de mim, mas nunca falou que me amava.

– Eu preciso saber se você também não estava mentindo. - disse em fim lhe encarando. Mas ele ainda encarava o teto.

– É melhor não falarmos disso. -disse agora me olhando de relance. Mas eu prendi seu olhar.

– Como assim? - lhe perguntei, ele estava me deixando confusa.

– Esquece Selena, esquece aquele dia. - disse agora se levantando e começando a botar suas roupas. Eu me levantei também, me pondo em sua frente.

– Me desculpa Justin, mas não da para esquecer assim, de uma hora para outra. -falei lhe encarando, mas tudo o que ele fez foi abotoar sua calça e abrir a porta do guarda roupa parecendo escolher alguma peça de roupa.

Eu ainda continuei o encarando, não acreditando no que estava acontecendo, mas ele não perecia dar à mínima. Senti meus olhos encherem d’água, mas não daria esse privilégio para ele, comecei a vesti minhas roupas que estavam jogadas pelo chão, e vi quando ele me encarou respirando fundo e balançando a cabeça negativamente como se estivesse impaciente.

Aproximou-se me pegando pelos ombros, mas eu virei meu rosto para o lado não querendo lhe encarar.

– É melhor tanto para mim quanto para você esquecer o que aconteceu naquela noite. - lhe fitei não entendendo o que ele queria com isso.

– Por quê? Foi humilhante demais para você, dizer tudo aquilo. - falei, mas ele não expressava nada.

– Selena eu tinha bebido naquele dia, nem lembro direito do que falei. - eu sabia exatamente que era mentira. Mas por que ele estava fazendo isso?

– Você tem razão, é melhor eu esquecer. Mas eu vou esquecer-me de tudo, não vale apena me lembrar de nada. Você não vale apena! - disse e não pude esconder minha decepção, pois uma lágrima escorreu do canto do meu olho, mas logo a limpei, e nem isso ele merecia.

Abri a porta do quarto, mas antes que saísse ele me pegou pelo braço, fechando a porta e me prensando nela.

- Me solta, - disse com raiva. – Eu quero sair daqui. - eu não queria que ele me magoasse ainda mais.

– Por que você tem que ser tão irritante hein? - ele parecia estranhamente calmo. – Você não entende Selena, talvez um dia entenda. Mas eu só peço que confie em mim.

– Como você me pede isso, se não me conta nada? - perguntei, me acalmando mais. Alguma coisa em meu coração se aliviou, seria duro de mais, se minhas suspeitas fossem verdadeiras.

– É melhor que as coisas fiquem assim. - ele começou a acariciar o meu rosto. – Você não deveria estar passando por isso, mas eu sou um egoísta. - eu queria entender o que ele estava dizendo, mas sabia que ele não iria me contar. Será que valeria a pena continuar mesmo assim com ele? Eu estaria o amando sozinha, sem ter certeza se ele nutria algum sentimento, que não fosse desejo. Não sabia o que fazer, mas ele me beijou, e mesmo indecisa o correspondi.

Depois disso descemos as escadas, e o clima não estava nem um pouquinho parecido de como entramos, ele estava serio e eu completamente confusa. Justin abriu a porta e fomos até o seu carro, quando entrei no mesmo, vi que marcava 23h40minh, esperava que minha mãe não estivesse muito preocupada.

O caminho de volta fora completamente silencioso, me perguntava se estivesse ficado, quieta e não tivesse tocado no assunto, talvez as coisas estariam completamente diferente. “Não!” – pensei, não iria ficar me culpando, é ele quem esta escondendo alguma coisa, eu não sabia até quando iria agüentar.

Ele parou em frente a minha casa, sem o olha eu abri a porta, mas dessa vez ele não me impediu, não teve beijo de despedida, nenhuma palavra, nenhum olhar, só o silêncio. Não sabia dizer se isso era bom ou ruim. Abri a porta, entrando em seguida, e para minha sorte as luzes estavam apagadas, não havia barulho minha mãe com certeza estava dormindo. Abri a porta de seu quarto para conferir, e lá estava ela enrolada nos lençóis como sempre, com a respiração uniforme e o rosto sereno. Aproximei-me e depositei um beijo em sua testa.

Fui para o meu quarto e me joguei na cama, me perguntava o porquê das coisas serem tão complicadas, porque ele não contava de uma vez o que estava me escondendo, mesmo que eu não o perdoasse, é melhor do que essa angustia que estou sentindo. Ele ficava tão frio der repente que sentia medo que ficasse assim para sempre, eu não queria que o seu lado bom desaparecesse.

Fechei os olhos, sentindo as lágrimas descerem quentes. O melhor seria ficar sozinha, sem ele, mas era difícil, não dava para ignorar o que sentia. Eu o amava, e isso não é qualquer coisa.
Dormi tentando, tirar todos os pensamentos ruins que invadiam minha mente, ele não me tratou assim por indiferença, ele tinha um motivo. – dizia para mim mesma. Ele não te usara. Ele não te enganara só para te levar para cama, ele te ama... - eu repetia varias vezes em minha mente. Até entrar em outro mundo, no meu sonho, onde todas minhas doces ilusões eram verdadeiras.

Acordei ouvindo as batidas que minha mãe dava na porta. Tratei logo de tomar um banho. Mesmo cedo dava para ver o céu totalmente limpo e iluminado. Resolvi ir de saia, penteei meus cabelos, o partindo de lado, passei um glos e delineador.



Desci as escadas e encontrei minha mãe de costas na cozinha, tomando café e esperando que as torradas ficassem prontas. Fiquei na entrada da cozinha olhando aquela cena, e um sorriso brotou em meus lábios. Havia muito mais coisas que eu devia me dar conta do que certo garoto.



Ela virou me encarando. Seus cabelos presos, a calça jeans comportada e uma blusa branca de mangas. Era bom vê-la desse jeito depois de tanto tempo. Sem aquele batom vermelho horroroso, aquelas roupas justas e nem aquele hálito de álcool. Fui até ela e lhe abrecei, era muito difícil não chorar, mas eu respirei fundo, impedindo as lágrimas. Ela pareceu um pouco surpresa no inicio, mas logo me abraçou de volta e acariciou meus cabelos.



-Eu pensei que você nunca ia acordar. – ela disse, desfiz o abraço.



- Noite mal dormida. – falei normalmente, indo para mesa. Sentei na cadeira e comecei a me servir. Vi o olhar de a minha mãe pairar sobre mim, ela parecia confusa.



- Nem vi você chegar ontem. – ela disse se sentando também, e pegando uma torrada já pronta. – E como foi ontem, tudo bem? – notei que ela estava meio cautelosa. Sorri de canto, pensando em que responder.



- Foi tudo como eu devia ter esperado. – sinceramente, até eu estava surpresa pela minha voz não ter saído tropeçada.



- E isso é bom ou ruim? – perguntou me encarando.



- Agora? É excelente. – disse me levantando e ajeitando a mochila em minhas costas.



Nem precisava ver sua face, para saber que ela estava completamente confusa, mas eu não queria explicar, não agora. Antes de fechar a porta virei, e disse:



- Não espere ninguém para o jantar. – ainda pude escutar ela me chamar, mas já era tarde, eu já caminhava pelas calçadas em direção ao Instituto.



Na verdade acordei de madrugada, e depois de um sonho estúpido e cheio de ilusões, resolvi que estava na hora de pensar em uma única pessoa, em mim. O estranho foi só agora perceber, que a única que estava se ferrando era eu. Entrando em um jogo que eu com certeza já sabia quem havia ganhando. Desde quando eu fui tão burra, para perceber isso só agora? Eu quase perdi minha melhor amiga, me entreguei para um garoto, que na verdade, só queria isso. Já estava na hora de encarar as coisas, dane-se o que ele falar, e quantas ameaças ele citar, por que uma hora ele vai cansar e se dar conta que venceu. Que já teve o que queria. Agora, a única coisa que eu queria era o melhor pra mim. E de uma coisa eu tinha certeza, não era ele.



Quando passei pelos portões do Instituto, logo avistei Ash, Demi, e Miley conversando. Fui até elas, notando que pairava um ar de otimismo, ansiedade e felicidade por todos os arredores do pátio. E foi então que eu percebi. Fim de ano é igual á final dos jogos de futebol americano. Lideres de torcida dando gritinhos histéricos, jogadores tensos, e torcedores ansiosos.

   

- Meu deus, isso está uma loucura. – falei já próxima das meninas. Ash me abraçou, e seu sorriso era radiante.



- Com certeza esse ano nós venceremos. – ela só faltava pular, e me amassar ao mesmo tempo, com seu abraço apertado.



- O bom, é que teremos apenas as provas finais, mas infelizmente não poderemos ir para casa. – Demi parecia entediada com a ultima parte. – Ninguém merece ficar aqui perdendo tempo olhando aquelas vacas saltitando, e os meninos treinando.



- Qual é o seu problema mulher! – e Ash em fim me soltou, agora encarando a ruiva, perplexa. – A melhor parte é ver os meninos lindos e sarados jogando! Ah Justin! Ele vai está tão Deus grego. – se Ash com certeza soubesse de tudo, ela pensaria duas vezes antes de mencionar o nome dele, por que só esse fato era motivo para me deixar zangada, mas não deixei transparecer, tudo o que eu menos queria era pensar nele.



- Eu com certeza vou ficar aqui e assistir a todos os treinos. – Miley disse, - O Ryan disse que ele se sente mais confiante quando me vê na arquibancada. – ela da um sorriso tímido.



- A Demi só esta assim, por que vai ter que ficar vendo o Joe treinar. – a loira falou convicta. Mas vi que Demi não gostou muito do comentário.



- Eu acho melhor nós irmos para a sala, o sinal já tocou, faz um tempo. – disse, vendo que o clima não estava os dos melhores.



Entramos no corredor e era incrível como as pessoas estavam agitadas, Jasmine e sua turminha, estavam cheias de pessoas ao redor, todo mundo curioso, perguntando o que elas pretendiam fazer esse ano. E os alunos se aglomeravam no meio do corredor, que era quase impossível passar, mas então eu as meninas escutamos passos conjuntais vindo bem atrás, e as pessoas que antes estavam entretidas com as líderes, logo começaram abrir espaço.



Quando eu em fim entendi e me virei, foi quase patético o modo de como eu, Ash, Demi e Miley ficamos impedindo o caminho, dos jogadores do time. Eu sempre disse que todas as meninas quase se ajoelhavam quando os via, e que eles sempre estavam deslumbrantes, pois é, multipliquem isso por mil. Era exatamente assim que eles estavam bem em nossa frente.  E eu me pergunto por que diabo Justin teve que ficar bem de frente para mim. E nossa troca de olhares foi tão involuntária, que eu não sei como as pessoas nunca desconfiaram de nada. Mas eu simplesmente desviei os meus.



- Vocês vão ficar aí paradas? – Joe perguntou com um tom rude.



- Joe para de dar um de idiota. – Ryan falou, e abraçou Miley que estava bem ao meu lado.



- É parece que elas são surdas. – Jasmine vinha logo atrás, e eu nem precisava virar para ver que ela andava rebolando. O ambiente estava em total silencio que era ate intrigante, só dava para escutar o barulho dos saltos de Jasmine.



-Dar pra sair da minha frente? – ela disse, e antes que me empurrasse, fiz um favor para nós duas, e abri espaço.



Eu de jeito nenhum queria ver o que viria pela frente, eu podia me virar e caminhar para sala de aula, mas eu fiz o contrario, continuei ali, apenas dois passos de distancia, me obrigaria ver a tal cena.



Jasmine o abraçou, e em conseqüência Ash veio para o meu lado, sentindo total repugnância por aquela cena, e com certeza pelo que viria. Encarar o casal era normal, pelo menos naquele instante, por que era o que todo mundo estava fazendo. Mas o que não foi nada normal foi ele olhar diretamente para mim antes de empurrá-la. Foi um olhar rápido, só eu devo ter percebido.



- É melhor irmos para sala, não quero perder o meu tempo aqui no meio do pátio. - disse em seu tom serio e rouco.



Ash deu uma gargalha, e eu tive que lhe da uma cotovelada para que ela parasse. Eles logo passaram, e vi quando Jasmine lançou um olhar mortal em nossa direção.



Logo fomos para a sala, onde o professor Caleb, aplicou o teste de química. E parecia que todos estavam ansiosos, e olha que eles só iriam treinar. Os jogos decisivos só seriam daqui a duas semanas. Mas como esses treinos eram os últimos, então davam total apoio para os membros do time. O bom era que só fazíamos os testes, e nada mais de aulas, mas o ruim, pelo menos para mim - que não estou nem aí para esses jogos - é que os alunos não serão liberados, teremos que ficar aqui, assistir aos treinos tanto das líderes e dos jogadores, para dar total apoio aos nossos ‘colegas’.



 Terminei o meu teste, agora era só esperar dar a hora, e todos serão liberados juntos, por que essa era a época de ‘união no Instituto’, isso eram as palavra da diretora, e era incrível como todos faziam isso, de um modo de que aquelas pessoas que nunca se cruzaram no corredor, viram melhores amigas, e isso me da enjoou, por que quando os jogos acabarem, essas mesmas pessoas fingirão que nunca nem se viram. Suspiro já me preparando para encarar tudo isso, risos forçados daqui e ali, pessoas que são completamente distantes, sentarem uma do lado da outra nas arquibancadas e começarem uma conversa agradável, a falsidade paira no ar e isso me da repugnância. E o que eu acho mais incrível é que todos deviam um conhecer aos outros, naturalmente, não para manter as aparências, pelo fato de algumas pessoas esnobes, estarem jogando.



O sinal toca e todos entregam os testes para o professor, e saem mais do que apressados, Ash quase me arrasta por aquele corredor, Demi e Miley bem ao nosso lado.



- Eu não sei pra que tanta pressa, se é as líderes que vão treinar agora. – falei acompanhando os passos apressados de Ash.



- E você quer perder elas caindo? Imagine a Jasmine caindo com aquela cara de taquara rachada que ela tem. – Ash ria maleficamente, até eu que estava estressada, sorri do seu jeito maluco-de-ser.



- Olhando por esse lado até que não vai ser tão mal. – falei, tirando um pouco a carranca que estava a momentos atrás. As meninas riram, enquanto todas nós quase corríamos seguindo a aglomeração de alunos que estavam indo direto para o ginásio.



...



Sentamos o mais próximo possível do gramado, não queríamos perder nem um tombo se quer. Isso na verdade era um exagero, o que eu queria mesmo era que Jasmine caísse de um modo muito engraçado para me tirar um pouco do tédio, sem falar que isso aliviaria as provocações que ela sempre me fez desde quando entrei no Instituto.



Taylor, Chaz e Russo logo chegaram, foi um pouco constrangedor ver Taylor depois de tudo, mas tudo o que ele fez foi me tratar do mesmo jeito de sempre, conversando comigo como se nada tivesse acontecido. E eu internamente o agradeci por isso, seria ruim explicar o porquê tive que sair correndo naquele dia. Na verdade, queria mesmo, era esquecer esse dia.



- Você deve estar ansioso para os jogos. – disse um pouco alto, devido ao barulho de outras pessoas conversando.



- É, estou sim. Mas depois do primeiro jogo, eu quero estar calmo, porque na final com certeza vai ser muita pressão, eu vou tentar ficar o mais calmo possível.



- Você vai conseguir. No ano passado eu vi que você foi muito bem.



- Eu sei, mas ano passado era diferente, esse ano será concorrido bolsas para faculdades, se nosso time perder, já era. – era notável que só de pensar nisso o deixava ainda mais nervoso.



- E como vão suas composições. – perguntei querendo mudar de assunto para ajudá-lo. Mas talvez não fora uma idéia tão boa assim, por que naquele dia ele cantou uma de suas musicas também. Mas se ele ficou chateado, não demonstrou.



- Eu já compus umas cinco, amanhã eu trago uma para você ver.



- Eu vou adorar. – disse encarando seus olhos castanhos. Ele pareceu um pouco surpreso com o meu olhar. Eu sei que não devia, mas estar ao seu lado me fazia tão bem, que talvez, apenas talvez, as coisas pudessem dar certo entre nós.



- Eu fiz uma pesando muito em você, na verdade quase a cantei também nas apresentações, mas a única pessoa que eu queria que ouvisse, não estava. – o mais incrível é que ele não parecia chateado.



- Olha desculpa, sério eu não pude fi-



- Selena, não precisa se explicar. Eu não estou e nem fiquei chateado. – falou, - Talvez um pouco triste no começo, mas eu não consigo sentir isso perto de você.  Só de pensar em você minha tristeza foi embora.



- Eu sou uma idiota. – falei, por que era a pura verdade. Por que eu não podia simplesmente me apaixonar por Taylor?



- Não, você não é. – disse me encarando com a mesma intensidade que lhe encarei a momentos atrás, - É a garota mais incrível que eu já conheci. – sorri de canto, e ele afastou uma mecha de meu rosto.



- Não conheceu muitas garotas legais então. – falei, e ele sorriu.



- Ou você simplesmente, não sabe o poder que tem.



Abaixei os olhos sentindo minhas bochechas corarem, sua mão ainda estava em meu rosto, quando levantei os olhos vi que estávamos tão perto, que não havia como impedir, ‘não tem o porquê impedir, Selena’, uma voz em minha cabeça me encorajou, meus olhos quase cerrados, mas uma gargalhada aguda nos assustou.



- Selena você perdeu. – Ash parecia esta quase morrendo por falta de ar. – Ela, ela, muito engraçado, ai, eu, eu hahaha. – nem se quer conseguia falar.



Olhei para o gramado, e vi Jasmein levantando do chão parecendo muito irritada, ela passava as mãos no pouco pano que tinha em seu corpo, e a sua cara vermelha, pela humilhação e as lágrimas que quase escorriam de seus olhos, não me deu vontade de rir. Ela se recompôs e continuou ensaiando com as meninas.



- Sabe, isso está tão chato. Nós podíamos sair daqui, sei lá, ir para o pátio ou o refeitório. – disse, sabendo que eu não agüentaria nem mais um pouco ver as líderes ensaiando. Na verdade os únicos que deveriam estar curtindo, eram os meninos, que estavam vendo calcinha aqui e ali.



- É, esse campo me faz ficar mais nervoso. – Taylor falou.



- Ah, vamos. O que eu tinha que ver eu já vi. – Ash falou, limpando os cantos dos olhos, Demi também parecia feliz pelo tombo da morena, já Miley balançava a cabeça negativamente.



Decidimos ir para o refeitório, que para minha surpresa estava ocupado por algumas pessoas. Escolhemos uma mesa, e logo sentamos. Aqui parecia até que eu respirava melhor. Chaz se sentou ao lado de Demi, Russo ao lado de Ash, e Taylor ao meu lado, Miley ficou do meu outro lado.



- Nossa eu estou doida para que comece logo os jogos! – Ash fala empolgada. – Só de pensar nas finais. Acho que fico até mais ansiosa que os jogadores.



- Por que toda essa ansiedade. – pergunta Chaz. Eu queria poder lhe responder, que ela estava toda afobada para ver os meninos jogando, ainda mais certo alguém.



- Ué, os jogos é uma coisa que contagiam e une os alunos. – ela fala como se isso fosse a explicação mais obvia.



- Tudo o que eu quero é ir para casa. – disse a ruiva, e eu estava começando a acreditar que eu e Demi fomos irmãs gêmeas em outra vida.



- Pra que todo esse mau humor, minha gata. – disse Chaz fazendo um carinho no braço dela.



- Coisas estressantes. – disse apenas. Mas todos nós, até mesmo o próprio Chaz, sabia que essas coisas, tinham um nome e se chamava Joe.



- Eu preciso comer alguma coisa. De preferência chocolate, para ver se me distraio. – falou Taylor. Eu não pude evitar, de rir do seu jeito nervoso. – Você quer alguma coisa? – me perguntou.



- Um suco de morango. – falei, o dia estava quente, e só de pensar no copo de suco bem gelado, fazia minha boca ficar úmida. Entreguei-lhe o dinheiro.



- Eu quero um refri. – disse Ash, já tirando o dinheiro da bolsa e entregando ao ruivo.



- Ah Tay um doritos. – disse Demi.



- Cara, é melhor eu ir te ajudar. – falou Chaz, percebendo que Taylor estava confuso com os pedidos. Eles se levantaram, e foram até a cantina.



- Será que o Ryan está me procurando? – perguntou Miley, e parecia preocupada.



- Eu acho que já te achou. – falou Ash olhando para frente parecendo estar hipnotizada.



Olhei para trás e estava Ryan. Mas também, Joe e Justin. Rapidamente me virei e voltei encarar a minha frente, aonde atrás de Russo vinha Taylor e Chaz. Dei um leve sorriso, e senti certo alivio. Parece que com Taylor ao meu lado, me ajudaria a disfarçar muito bem minhas emoções. Mas não fora Taylor que se sentou ao meu lado, foi Justin.



Vi que o sorriso de Taylor murchara, ele e Chaz se sentaram ao lado de Ash. Por que ao lado de Demi estava um Joe, que tinha um sorriso sarcástico nos lábios.



O clima ficou um pouco pesado, Ash estava olhando para Justin sem nem mesmo disfarçar, e Russo parecia desconfortável com isso. Demi estava dura, sem nem mesmo se mexer, na verdade tinha a leve impressão que estava prendendo a respiração, Joe por outro lado, parecia super tranqüilo, como se estivesse no meio de amigos mais íntimos. Chaz, parecia irritado não só com a presença do Jonas, mas sim dos três, até mesmo de Ryan, que forçava o sorriso, em meio daquela situação. Miley apenas dava um sorriso tímido. Taylor me olhava. E eu, estava paralisada da cintura para baixo. Forçava-me a não demonstrar nada, mas minha mão segurava firme o copo, com o suco, que Taylor me dera. Não sabia o que estava sentindo naquele exato momento. Se era raiva por tudo, frustração ou surpresa, por ele ter sentado bem ao meu lado, como se isso não fosse nada, Ryan pigarreou.



- Nossa aqui está bem melhor do que aquela barulhada do ginásio. – falou, na tentativa começar um assunto, em meio desse clima pesado.



- Nem me fale, aqueles gritos das líderes já estavam me irritando. – disse Joe, massageando as temporãs.



- Pensei que a maioria dos garotos, gostasse de ver as líderes gritando. – falou Demi, dando um sorriso irônico. Joe virou encarando-a, e vi que seu sorriso era pior, um sarcasmo venenoso.



- Sim, gostamos de vê-las gritando, mas de preferência, em um quarto e sem roupas. .



Ouvi a risada de Justin bem ao meu lado, ele e Joe se olharam por um momento, como se tivessem trocando alguma confidencia. Demo logo virou a cara, agora completamente irritada. “Safados!”, pensei já me enchendo de raiva. Taylor balançava a cabeça negativamente. Ryan tampava os ouvidos de Miley, que estava vermelha feito um tomate maduro, por causa do comentário.



- Será que eu seria uma boa líder de torcida? – Ash pergunta com um pouco de maldade. Quase bati em minha testa, diante daquela idiotice. Mas o que aquela maluca estava querendo?



- Por que você não faz o teste? – perguntou Miley, simplesmente.



- Não sei se sou bonita o suficiente. – ela disse, mas na verdade eu conheço minha amiga, e tudo o que estava fazendo era drama. Estava querendo chamar atenção.



- Não se preocupa; você é gostosa. Iria passar no teste. – o Jonas falou, e aquele sorriso maldoso não saia de seus lábios. Demi parecia bastante irritada, não me surpreenderia se ela se levantasse e saísse sem dizer nada. Olhei para Ash, estava achando aquela atitude ridícula, mesmo sem querer ela estava deixando Demi ainda mais chateada.



- Ashley, tem coisas muito melhores do que ser líder de torcida. – disse em fim. Tentando esquecer completamente quem estava ao meu lado.



- Eu sei, eu sei. Mas tem lá suas vantagens. – ela disse, ainda sorrindo.



- Já sei. Ser popular, e trepar com todos os garotos do time. – disse Demi, a olhei, agora tendo certeza do quão chateada ela estava.



- Você sabe que eu não sou assim. – disse Ash, parecendo estar ofendida.



- Calma, garotas. Que tal trocarmos de assunto?- Ryan coçava a cabeça, e dava um sorriso amarelo. - Vocês sabem que vamos fazer uma festa hoje a noite. Por causa dos jogos. – continuou o loiro.



- Vai ser na minha casa. – disse ‘ele’, sua voz estava tão perto, que quase estremeci. – Vocês estão convidados.



- É claro que vamos. – falou Ash empolgada.



- Eu também vou ir, não tenho porque ficar em casa sem fazer nada. – disse Demi, e eu achei incrível sua mudança de humor, que se não a conhecesse diria que era natural, e não forçada. – Vamos Chaz. – e ela fez questão de se inclinar para frente, e olhar para Chaz que estava do lado de Joe. Era como se ela achasse o moreno invisível, o que na verdade é uma grande mentira. Já ele não demonstrava nenhuma emoção.



- Se você for, é claro que eu vou. – ela ainda abriu um sorriso.



Ash olhava para mim, cheia de esperanças, como se eu fosse sua salvação, até por que duvidava muito que Russo iria com ela. Não depois de ver como ela olhava na maior cara de pau, para o Justin.



- Nem vem que eu não vou. – disse simplesmente.



- E por que não? – ela só faltava suplicar.



- Muitas coisas para fazer.



- Você sempre inventa desculpas. – agora parecia irritada. – E você está me devendo. Ou acha que eu me esqueci que você sumiu, naquela festa que teve na casa do Ryan?



Não me senti muito confortável por ela ter falado isso, ainda mais com Justin do meu lado. Não queria lembrar aquela noite na casa do Ryan, muito menos da parte em que sumi.



Suspirei. Era verdade, mas ir a uma festa, logo na casa do Justin? Era como se fosse meu pior castigo. Não queria vê-lo, e aqui estava ele, bem ao meu lado. E ainda por cima tinha que ir a sua casa?



Antes que pudesse responder qualquer coisa, eu senti. Quase o olhei de imediato, mas por uma fração de segundos, me contive. Mas o que ele estava fazendo? Sua mão estava por cima da minha, e devagar entrelaçou nossos dedos. Minha respiração não existia mais, e meu coração batia forte em meu peito. Ele só podia estar louco! Se alguém viesse logo atrás de nós, iria ver, e de jeito nenhum queria isso. Tentei, discretamente, puxar minha mão. Mas ele não deixou, segurando firme, minha mão com a sua.



- Se quiser eu faço companhia para as duas. – falou Taylor. Mas Justin soltou uma risada, o que fez o moreno lhe olhar questionador.



- É uma boa idéia. – ele disse agora mais serio, tentando disfarçar a situação. – Até por que a festa vai ser na piscina. E não vai ser legal se elas forem sozinhas. Você sabe. Garotos, bebidas, meninas de biquíni... - ele disse falando mais serio.



Para quem não o conhecesse, até diria que era uma pessoa legal. Mas eu conseguia ouvir o cinismo em sua voz. Na verdade o que ele queria dizer era: “eu, bebida, Selena de biquíni...” Eu iria à festa sim, mas ele estava muito enganado que as coisas seriam do seu jeito.



- Ok, eu vou. – falei, e forcei um sorriso.



- Eu sabia, era só o Taylor pedir. – Ash disse, eu apenas rolei os olhos. Mas senti que Justin apertou de leve minha mão. Com certeza não gostando da piada de Ash. Tentei continuar agindo normal, e por mais que eu não quisesse admitir, sua mão era quente na minha, e às vezes sentia leves choques com o contato de nossas peles.



A conversa foi curta, por que logo o treinamento do time, começou. Todos foram bem, mas se tinha um motivo para o Justin ser capitão, era o fato, de nunca errar. Sempre fazendo as jogadas certas, fazendo estratégias com os membros do time. Com certeza, seria difícil outro time nos vencer esse ano.



Os alunos foram liberados, mas parecia que eles ainda ficariam treinando. Por isso fui direto para casa, sem nem um pingo de medo. Na verdade gostei por ele ainda ter que ficar no instituto. Vê-lo tão intimamente, depois de tudo, não seria uma boa idéia. Na verdade, não queria vê-lo. Ainda sentia aquele sentimento amargo de ser usada e enganada. Odeio-me por gostar tanto assim dele. Só segurou a minha mão hoje, e eu pude sentir tudo se aquecer. Mas ele só esta brincando comigo. É um jogo, sempre foi. Só não podia mais jogá-lo, por que perdi.



...



Joguei minha mochila na cama, e fui direto tomar um banho. O dia estava quente, e optei por vestir apenas um short e uma blusa. Almocei, dei um jeito nas coisas que estavam fora do lugar. Estudei um pouco para a prova de Biologia que vai ter amanha, mas enquanto terminava de ler o texto do livro, vi pela janela que a tarde já se fazia presente. Logo a festa ira começar. Senti um arrepio percorrer a minha espinha, “só espero que as coisas não sejam tão ruins”. – penso enquanto me levanto e vou para meu quarto me arrumar.



 Depois de tomar um banho gelado, abri o guarda roupa e peguei um biquíni azul claro, uma regata branca e short jeans claro. Passei a escova em meus cabelos que estavam molhados, botei pouca maquiagem, apenas um rímel, glos, e delineador. Não estava muito animada para essa festa. Na verdade temia que alguma coisa ruim acontecesse.



...



Ouvi a buzina de um carro em frente minha casa. “Já chegaram”, pensei, dando uma ultima conferida no espelho. “Não tem porque se arrumar tanto.” – disse rudemente, para mim mesma.



Abri a porta vendo um 4X4 cinza estacionado em frente a minha casa. Tranquei a porta, e antes que me aproximasse do carro, Taylor saiu do mesmo, e fez questão de abrir a porta do carro para que eu entrasse. Disse, um ‘obrigada’, e logo adentrei o automóvel. Ash estava na parte de trás, usava um biquíni rosa escuro, e claro que não fez nenhuma questão de botar uma regata por cima, usava um short jeans, e cabelos presos em seu costumeiro rabo de cavalo. Vi seu olhar pairar sobre minha regata branca.



- Selena pode tirando isso. – disse com aquele tom exagerado.



- O que, que tem? É só uma regata. – falei, suspirando, por que sabia exatamente que ela me perturbaria até eu ceder.



- Pois é, uma regata em uma festa na piscina! – Taylor sorriu do jeito de Ash, enquanto dirigia. – É para ser ousada, e hoje também está muito quente. Tira logo essa blusa.



Rolei os olhos, mas não pude evitar sorrir. O fato era que Ash estava á mil, dava para ver de longe, seus olhos brilhavam, parecia até que estava realizando seu grande sonho. Tirei a blusa e lhe encarei.



- Está bom agora? – perguntei, rolando os olhos. Ela deu um sorriso sacana.



- Porque não pergunta para o Taylor? – olhei para ele, vi que tinha acabado de virar a face para frente. Mas pude ver que suas bochechas estavam um pouco coradas. E as minha estavam queimando. Olhei para a loira, mas ela olhava para janela, mas ainda tinha o mesmo sorriso nos lábios.



Olhei para frente me dando conta que conhecia aquela rua, dava para ver a quantidade de carros espalhados pelas calçadas. Taylor estacionou bem perto da entrada o possível. Enquanto andávamos até chegar aos portões da mansão, eu sentia meu coração acelerar, ontem eu mesma estive aqui, dentro do quarto dele, enquanto ele me tocava daquele jeito... Balancei a cabeça querendo espantar esses pensamentos, mas sei que isso será um desafio essa noite.



Chegamos à entrada da mansão, e mesmo que a festa fosse aos fundos, a música estava bastante alta. Tinha dois seguranças nos portões, nos analisaram por um momento, e liberou nossa entrada. Ash só faltava pular de felicidades, sua energia pairava no ar, mas não o suficiente para diminuir minha tensão.



Tinha duas maneiras de chegar à piscina: Por dentro da casa, ou pela lateral que parecia bem melhor. Fomos, e a cada passo que dávamos a musica ficava mais alta, o barulho de aglomeração de pessoas já se fazia presente. Quando chagamos, foi impossível não ficar impressionada, Ash não se conteve e soltou um ‘Uau’. A piscina era enorme! O lugar era enorme. E mesmo com muitas pessoas, ainda tinha espaço suficiente. Fizeram uma pista de dança onde muitas pessoas já dançavam, muitos preferiram a piscina, enquanto outros optavam pelas mesas e cadeiras que ficavam perto da borda da piscina, e eram servidos drinks a cada momento por garçons, que vestiam blusas e bermudas. O céu completamente estrelado e com aquela lua cheia, só ajudava para deixar aquela noite mais perfeita. Afinal era uma festa na mansão de Justin bieber, se me lembro bem, foram poucas as vezes que ele dera uma, mas eram comentadas em todo o Instituto, e inesquecíveis.





- Vamos procurar o pessoal. – disse Taylor, que não parecia tão impressionado, como eu e Ash. – Chaz falou que eles chegaram já faz um tempo.



- Devem estar em alguma mesa, - falei.



Começamos a procurar. Passar pela pista de dança nunca foi uma das minhas especialidades, por isso preferimos dar a volta. Logo enxerguei Demi, Chaz, Ryan e Miley. Os quatros conversavam enquanto seguravam taças, e nem me pergunte o que havia dentro, não fazia a mínima idéia. Aproximamos-nos, e logo sentamos nas cadeiras e Ash vibrava ao meu lado.



- Eu nunca vim em uma festa dessas! – minha amiga loira falava com puro entusiasmo. – Quer dizer, já era de se esperar, que fosse assim tão incrível. – as vezes que achava Ash tão ingênua, como ela conseguia falar isso na frente de Ryan, que era melhor amigo de Justin? Será que ela não tinha medo que eles rissem dela? Não que eu ache que Ryan seja assim, mas ela devia disfarçar mais os sentimentos.



- As festas que ele da são sempre assim. – comentou Demi. – Se você acha que isso daqui está cheio, imagina os quartos da mansão!



- Demi! – Miley advertiu, e vi que estava corada.



- Mas é serio! Não recomendo a ninguém passar por aquele corredor hoje à noite. – falou, nunca havia pensado que aquele corredor silencioso, um dia se enchesse de som. Não consigo imaginá-lo dessa forma.



- E o que a senhorita, estava fazendo em um corredor escuro Demi? – Ash provocou, enquanto pegava uma taça da bandeja de um garçom.



- Procurando um banheiro, ué. – disse, e do jeito que essa mansão é enorme, eu também ficaria meio perdida, se nunca tivesse vindo, isto é.



Continuamos conversando, e eu agradecia mentalmente por esse lugar estar cheio, assim ficaria mais difícil de vê-lo, e dele me ver. Ash me fez experimentar a coisa que estava no copo, dessa vez era rosa, mas não senti o sabor completamente, apenas molhei os lábios, fingindo que bebia de vez em quanto. Percebi que a pista de dança tinha mais gente agora, a piscina ficava vazia de vez enquanto, mas depois logo aparecia mais gente.



- Vamos dançar? – perguntou Ash.



- É, estou cansada de ficar sentada. – disse Demi.



Começaram a levantar, e dessa vez eu decidi que não queria deixar a noite de ninguém chata, ainda mais a de Taylor, que eu sei que ficaria sentado comigo, se eu não quisesse dançar. Fomos para pista de dança, começamos a dançar, opa, nós não, eles! Por que eu só fiquei me balançando lentamente, a timidez não me permitia dançar tão solta igual à Ash ou Demi. Já Miley, que é igualmente tímida, era guiada por Ryan, eles com certeza eram o casal mais romântico de todo aquele instituto. Ash com certeza não precisava de Russo para lhe fazer companhia, já estava dançando com um garoto, que nunca tinha visto antes, creio que ela também não. Taylor dançava ao meu lado, me ofereceu a mão, lhe estendi a minha, mas garanti que não adiantaria nada. Ele tentava me guiar ao ritmo da musica, que começava lenta depois acelerava o ritmo. Só segurávamos as mãos um do outro, mas aquilo parecia significar tanto pra ele que eu tinha vontade de soltar.



Quando a musica acabou falei que precisava de um pouco de ar, o que de fato é verdade, mas o que eu estava querendo mesmo era não confundir ninguém, e nem me confundir. Afastei-me da pista, e fui para perto das mesas onde estávamos sentados antes. Um garçom passou, e devido a um pouco de sede que estava sentindo, estendi o braço e peguei uma taça, o liquido era âmbar “whisky” pensei, bebi um pouco, desceu quente que me deu vontade de cuspir o todo aquele troço, mas me esforcei para engolir, mas não pude evitar fazer uma careta.



- Não é assim que se bebe. - olhei para o lado assustada. ‘ Mas quando...?’ Ele tinha um sorriso de lado, usava uma regata preta, o que deixava á mostra seus braços fortes, e uma bermuda. Por estarmos perto, era impossível não sentir sua fragrância. Olhei para frente, e as pessoas pareciam não suspeitar de nada.



- Você esta maluco? – perguntei, ainda olhando para frente.



- Ué, sou só o dono da festa, vindo ver se uma convidada está satisfeita. – disse tranquilamente.



- Você só pode estar brincando, se acha que alguém acreditaria nisso. – disse voltando a olhar para frente, e disfarçar nossa conversa.



- Você deveria usar uma blusa. – ele ainda ousou a chegar mais perto. – Esta me deixando sem controle. – o olhei de canto, e seu hálito alcoólico me fez perceber o porquê ele esta agindo daquela forma. Afastei-me um pouco, cautelosa. Olhei para ele sem entender o que ele estava fazendo.



 - Estamos em publico! – falei agora, saindo um pouco da calma. Mas ele apenas deu um sorriso de canto, com certeza por causa do meu desespero.



- Então que tal entrarmos? – disse simplesmente.



- Eu sabia. – acabei falando alto de mais. – Eu sabia que não era para vim nessa festa!



- E, eu sabia que você viria. – falou convencido. – Acho melhor entrarmos logo, acho que estamos começando a chamar atenção.



Hesitei em olhar para frente, e me deparei com algumas pessoas olhando em nossa direção um pouco curiosas. Olhei para Justin, demonstrando um pouco da minha raiva, mas ele ainda exibia aquele sorriso convencido na cara.



Sai andando, tomei cuidado para que ninguém me percebesse, e entrei na mansão. Era um lugar que estava repleto de comidas, e bandejas que vários garçons pegavam a cada hora. Segui para outro cômodo, que também era desconhecido por mim, cheguei a um corredor que dava logo na entrada principal, suspirei quando vi a grande escada. Incrivelmente não tinha ninguém na sala, mas quando já estava no alto da escada pude começar a ouvir sons bem desagradáveis, quase tampei os ouvidos. “Isso esta parecendo um motel” – pensei ficando parada no corredor que estava com a iluminação bem baixa, que o tornava quase escuro. Rezava para que ninguém saísse de uma dessas portas e desse de cara comigo.



Meu corpo todo estremeceu quando alguém me abraçou por trás. Sem nem mesmo me deixar falar alguma coisa, senti seus lábios no meu pescoço.



- Justin pare! – disse baixo.  Ele me virou me fazendo ficar de frente para si, e me olhou de um jeito um pouco diferente, intenso. Afastou uma mecha do meu cabelo do meu rosto.



- Eu nunca pensei que ficaria com raiva desses jogos. – falou com uma voz tão baixa, que mais parecia um sussurro. Deu um passo para frente, o que me fez automaticamente dar um para trás.



- E por que ficaria? – perguntei, e senti minhas costas encostar-se à parede.



- Não pude ver você hoje cedo. – aquilo me pegou um pouco de surpresa.



“Ele só esta fazendo aquilo de novo” – falei para mim mesma. – “Só está sendo carinhoso, para que você caia na dele feito uma idiota.” Já estava cansada disso tudo. Ele se aproximou mais, quase me beijando. Mas eu desviei, e empurrei seu peito.



- Não. – disse e vi que ele se surpreendeu. – Você não acha que já chega, não? – falei, fazendo esforço para que minha voz não saísse falhada.



- Do que você está falando? – perguntou intrigado.



- Você já teve o que queria não é mesmo? Por que esta querendo continuar com isso? – minha magoa já estava transparecendo em minha voz.



- Então é isso que você pensa. – falou secamente. Como ele ainda podia querer me fazer sentir culpada?!



- E o que você queria que eu pensasse? – disse duramente. – Você uma hora me trata gentilmente, e depois que se deita comigo, nem olha na minha cara! Como você quer que eu pense outra coisa?! – segurava o choro, não querendo parecer tão humilhante igual estava me sentindo agora.



Uma de suas mãos se aproximou para tocar o meu rosto, mas desistiu no meio do caminho. Ele olhou para baixo, e entendi aquele gesto, como a confirmação de tudo o que eu disse.



- Me esquece. Por que é isso que eu vou fazer aparte de hoje. – falei e com uma repulsa dele, comecei a sair, mas ele me puxou pelo braço.



- E eu sei exatamente com quem você vai esquecer, não é? – e ali estava o mesmo Sasuke de sempre, frio e arrogante, o verdadeiro. – Ou você acha que eu não vi vocês dois dançando?



- Talvez ele realmente me mereça. – disse, e senti seu aperto se intensificar, machucando o meu braço.



- Não vai ser fácil esquecer. – de vagar ele me soltou, e eu o olhei com um misto de raiva e angustia pelo o que ele estava fazendo. Sempre me confundindo, sempre me fazendo acreditar. Mas dessa vez não! Sai daquele corredor sem nem mesmo olhar para trás. Senti um aperto bem do lado esquerdo do meu peito, não era fácil deixá-lo, e saber que isso era para sempre.





...



Quando cheguei à festa, meus amigos já estavam reunidos na mesa, bebiam e riam de alguma coisa. Aproximei-me e eles me olharam sérios.



- Onde você estava? – perguntou Ash. E a bebida fazia com que sua voz ficasse mais alta, e exagerada. – Serio, você tem que parar com isso! Some e aparece toda hora.



- Só estava á procura de um banheiro. – falei encarando-a.



- Não me diga que você teve que passar por aquele corredor horroroso! – disse Demi, bastante empolgada, resultado da bebida.



- Infelizmente. – falei, me lembrando de todo aquele barulho, e não era recomendado para ninguém mesmo.



- Eu vi que o Justin estava conversando com você. – falou Miley, me olhando intrigada. Fiquei imóvel por um milésimo, e olhei para Ryan que estava ao seu lado, ele apenas estava com uma cara que dizia “Não pude evitar”.



- Serio? – perguntou Ash do meu lado, e parecia bastante assustada. Respirei fundo por um momento, era só mentir, falei comigo mesma. Eu só fazia isso nos últimos tempos mesmo.



- Ele parecia que estava bêbado, estava falando sobre os jogos, como eu não entendi nada, saí logo de perto. – disse botando um pouco de desdém na voz.



- Você está louca? – disse Ash me olhando sem acreditar. – Você poderia ser legal com ele e depois vim até mim e nos apresentar! – revirei os olhos, diante do drama que ela estava fazendo. Ah se ela soubesse! Com certeza não ficaria feliz comigo respirando á 10 metros do Justin.



- Você fez bem. – disse Taylor, que estava á minha direita. – Ele poderia estar interessado em você.



- Ele interessado na Selena?- Ino riu com deboche. – Ela com certeza não faz o tipo dele.



Senti-me um pouco ofendida, mas logo queria que isso fosse mesmo verdade. Ryan olhou pra mim, dando um sorriso que só eu entendi. Tanto eu como ele, sabíamos que dentre aquele grupo, ninguém nunca suspeitaria, nem se visse Justin de braços dados comigo, todos nem se quer imagina tudo o que já aconteceu.



- E por que você acha que ela não é o tipo dele? – perguntou Demi para Ash, que parecia muito convicta em sua tese. – A Selena é tão bonita, que eu não duvidaria se ele estivesse dando em cima dela.



- Não estava! – falei, querendo encerrar logo aquele assunto.



- Mesmo que estivesse você nunca iria dar trela. – falou a morena, agora bastante convicta. Mas eu percebi que Ash parecia um pouco chateada.



Um garçom passou, e todos pegaram uma taça, dessa vez eu bebi o drink, que para minha sorte não era uísque, nem senti o gosto do álcool. Começamos a falar sobre os jogos, o quanto os garotos estavam animados. Ash pareceu ficar mais relaxada e esquecer o assunto do Justin, na verdade a festa começava a ficar agradável para mim, me sentia mais liberta, sem ficar me preocupando com alguém ficar me vigiando. Taylor pôs a mão por cima da minha, ele parecia menos tímido, talvez pelos drinks. “Ele sim é a pessoa certa”. – disse para mim mesma. Continuávamos conversando, até que realmente me deu vontade de ir ao banheiro.



- Tenho que ir ao banheiro. – falei um pouco tímida. – Não consegui achar da outra vez. – falei, arrancando risadas de Demi e Ash, que estavam mais pra lá, do que pra cá.



Levantei-me e entrei novamente naquela mansão, agora era só procurar um simples banheiro nesse lugar enorme. Andei pelo caminho oposto ao qual andei da outra vez, depois de atravessar um corredor, dei de cara com uma sala de estar com uma mesa enorme, depois uma cozinha, corredores, biblioteca, uma sala de jogos, e nada do banheiro.  Então pensei que no meio daquele corredor dos quartos, poderia ter um banheiro talvez, não custa dar uma olhada, até por que a situação estava ficando critica para mim.



Subi as escadas, aqueles sons ainda estavam lá. Nossa essas pessoas não cansavam mesmo. Não fui para o lado esquerdo que nem das quatro vezes que estive aqui, fui para o direito, que parecia mais quieto. Encostei o ouvido na porta, para ter certeza que não tinha ninguém, sem escutar nenhum ruído sequer, abri a porta, dando de cara apenas com o banheiro, e sorri aliviada.



Como todas as partes daquela mansão, esse cômodo era igualmente chique e bonito, até o simples espelho tinha todo aquele toque de beleza nas bordas. Lavei as mãos depois de ter usado o sanitário, e agora olhava para o meu reflexo. E não pude deixar de lembrar-se de suas palavras “Não vai ser fácil esquecer.” – por que ele tinha que me confundir tanto? Mas aqueles olhos pareciam tão sinceros. Balancei a cabeça negativamente querendo tirar isso da minha mente. Até que escutei um barulho, na verdade eram vozes, e barulho de beijos.



- Eu gosto muito de você. – aquela voz era irreconhecível para mim, era Jasmine. Mais sons de beijo.



Será que...? Não, ela não poderia estar fazendo isso com ele. Será que ela estava traindo o Justin?



- Vamos para um quarto. – a voz dela parecia mais ofegante.



Abri a porta de vagar, a curiosidade me subia ao cérebro, eu precisava saber com quem ela estava fazendo isso. Todo aquele amor que ela dizia ter por ele...

Abri a porta o suficiente para que eu passasse, sem fazer nenhum ruído, queria sair da li sem que nem percebessem que eu estava lá.



Olhei para cima, já sentindo minha mente tubular, um nó de imediato se formou em minha garganta, meus olhos começavam a nublar, e eu me forçava a não acreditar no que meus olhos estavam vendo. “Como eu pude ser tão idiota?”. As mãos nas costa dela, a parte de cima do biquíni que já havia sido desatada, a peça só cobria os seios dela por que ficava imprensada na blusa preta dele, mesma blusa que eu havia empurrado minutos atrás. Sem mais força, acabei soltando a porta que, bateu com tudo, e eles logo olharam para minha direção. E vi que a surpresa dele era do mesmo tamanho que minha indignação.



- Ah é só ela. – olhei para morena, que cobria os seios com as mãos. Olhei para ela com todo ódio que estava sentindo agora.



- É. – olhei para ele, segurando as lágrimas que já nublavam meus olhos. – Sou só eu!



Saí o mais depressa que pude da visão deles, e enquanto descia as escadas, eu sentia uma dor muito forte no peito. Aquilo parecia me consumir, as lágrimas desciam tão quentes, que faziam meus olhos arderem. Contive-me por um momento e desci o mais rápido possível cada degrau daquela escada, queria estar o mais longe possível daquele corredor. Abri a primeira porta que vi no andar de baixo, escorreguei na parede, e deixei tudo sair, lágrimas que eu jurei que não derramaria mais por ele, desciam livremente.  “Como eu o odeio!” – pensava enquanto tentava secar as lágrimas que não deixavam de cair. “Como odiava ela!” Odiava os dois! Odiava tudo o que ela me fez passar durante aqueles anos no Instituto, me humilhando, me tratando com desdém, apontando todos os meus defeitos. Mas odiava ainda mais ele. Por que ele me fez gostar dele! Mesmo que no inicio não sentisse mais do que raiva por aquilo que ele estava fazendo comigo, ele fez pior, me fez gostar dele. Depois de tudo, ele ainda me fez amá-lo. Com toda certeza era pior do que ela.



Uma vontade enorme de vomitar me abateu, e despejei tudo em uma pequena pia que estava ali. Depois de um tempo, fui me acalmando aos poucos. Mas a raiva ainda estava dentro de mim, preferia em toda minha vida nunca ter visto aquela cena.  “Você tem que esquecer”. - “Esquecer de tudo.”



Levantei-me e lavei o meu rosto, olhei em volta e notei que era um quartinho de limpeza, e estava me sentindo sufocada. Sai do cômodo, tentava botar um ânimo em meu rosto, me sentia tão vazia que qualquer face que escolhesse, me caia como um ser sem emoção. Antes de sair da mansão, parei na cozinha e peguei uma taça e tomei o líquido de uma só vez. Desceu quente, mas me senti mais revigorante depois.



Fui até meus amigos que estavam na mesma mesa que antes, tentei ao máximo demonstrar a leveza que estava sentindo antes.



- Achou o banheiro dessa vez? – perguntou Demi.



- Achei, mais foi difícil – falei forçando um sorriso. Ela me olhou como se notasse algo estranho no meu rosto, e percebi que Ryan também notara. Talvez fossem os olhos um pouco inchados, por causa do choro.



Peguei a mão de Taylor, e puxei.



- Vamos dançar. – disse surpreendendo a todos. Tudo o que menos queria agora era inventar mais uma desculpa, e eu queria esquecer. Somente esquecer.



Antes que todos levantassem um garçom passou e eu peguei mais uma taça e bebi tudo de uma só vez. Eles me olharam surpresos mais uma vez.



- Vamos logo. – disse.





Chagamos a pista de dança e dessa vez foi mais fácil me soltar. Então eu comecei a realmente me deixar levar pela batida da música. Fechei os olhos e tirei tudo que estava na minha mente e apenas deixei a musica me levar. Sentindo todo meu corpo se balançar conforme o ritmo.



Girls, they just wanna have some fun

Get fired up like a smokin' gun

On the floor till the daylight comes

Girls, they just wanna have some fun

As garotas, elas só querem se divertir um pouco

Ficarem quentes como uma arma fumegante

Na pista de dança até a luz do dia chegar

As garotas, elas só querem se divertir um pouco



Quando abri os olhos Taylor não dançava mais a minha frente, apenas observava como a maioria das pessoas decidiu fazer. Abriram uma roda ao meu redor, enquanto eu dançava, de algum modo eu não senti vergonha. Ainda podia escutar comentários como “Não é aquela nerd gostosa do terceiro ano”?”“ Cara que espetáculo?”“ Onde esta garota estava esse tempo todo?”



Mas eu não pensava em nada e nem em ninguém, apenas nas luzes que piscavam naquela pista de dança. Nunca pensei que isso fosse tão bom. Ver todas aquelas pessoas ao meu redor me fez me sentir poderosa, e todas aquelas humilhações que Jasmine me faziam passar evaporaram, então a encontrei no meio de todas aquelas pessoas, e sua cara de choque era muito melhor do que minha cabeça podia projetar. Rebolei mais e ainda olhei para ela, sua cara de indignação ao ver os comentários dos meninos e ver como eles me olhava, me fez ganhar a noite.



Quando ela saiu com aquela cara de cadela indignada, deu para ver ele, que estava bem atrás dela, e assistia a tudo de camarote. Eu não sabia que expressão banhava suas feições, se era surpresa, raiva, ou desejo.  Era mais raiva por eu estar atraindo tanto olhares masculinos, mas eu conhecia aquela cara, aquela feição escondia, sabia exatamente que era desejo, porque ele me olhara assim quando estava nua embaixo de si.



I feel like sinnin'

You got me in the zone

DJ, play my favorite song

Turn me on

Sinto vontade de pecar

Você me deixou nesse estado mental

DJ, toque minha canção favorita

Excite-me



Dei um sorriso de canto bem em sua direção, ele ficou sem entender, mas logo eu joguei meus cabelos me balançando ainda mais, e senti alguém passando a mão em mim, vi de imediato sua mão se fechar em um punho, mas eu não liguei, só queria lhe dizer “Você me ensinara a rebolar tão bem, que tal isso?”. Sem pensar peguei Taylor que estava a minha frente, comecei a dançar o mais colado de seu corpo o que podia, me virei de costas e escorrei meu corpo no dele, e pude ouvir as pessoas delirarem, mas nada era melhor que sua cara de raiva. Mas eu queria que ele sentisse mais, queria que ele sentisse magoa. Alguma coisa dentro de mim sabia que ele sentia algo a mais do que desejo, ele sentia uma possessão, queria vê-lo magoado por perder o seu brinquedinho.



Virei-me para Taylor e agarrei a gola de sua camisa, ele pareceu estar ofegante, dei um sorriso e beijei seus lábios com volúpia, eram quentes, mas tudo o que eu pensava era que ele estava vendo isso agora. “É assim Justin, é assim que me senti”. Uma magoa contida me abateu, mas eu não chorei, não iria mais chorar, não por ele.  Nossos lábios se separaram e quando olhei sem sua direção, ele não estava mais lá. Mas Taylor me beijou de novo, e eu correspondi. Por que tudo o que eu queria era esquecer.



A girl gone wild

A good girl gone wild

I'm like a girl gone wild

A good girl gone wild

Uma garota que ficou descontrolada

Uma garota boa que ficou descontrolada

Sou como uma garota que ficou descontrolada

Uma garota boa que ficou descontrolada









Ainda dançamos mais, mas dessa vez todos dançavam na pista, bebi mais um pouco dos drinks que estavam servindo, e eu e Taylor nos beijamos mais. Só quando a manhã estava dando seus primeiros sinais, é que fomos embora.  Mas antes de sairmos por aqueles portões, eu olhei em direção aquela janela, a janela do seu quarto, e sem me sentir surpresa vi que ele estava lá, e pude ver o copo cheio de liquido âmbar em sua mão. Mas tudo o que eu queria agora, era ir pra casa.  Entramos no carro de Taylor, mas pálpebras pesavam tanto que não resisti cai no sono.

Acordei ouvindo as batidas que minha mãe dava na porta. Tratei logo de tomar um banho. Mesmo cedo dava para ver o céu totalmente limpo e iluminado. Resolvi ir de saia, penteei meus cabelos, o partindo de lado, passei um glos e delineador.



Desci as escadas e encontrei minha mãe de costas na cozinha, tomando café e esperando que as torradas ficassem prontas. Fiquei na entrada da cozinha olhando aquela cena, e um sorriso brotou em meus lábios. Havia muito mais coisas que eu devia me dar conta do que certo garoto.



Ela virou me encarando. Seus cabelos presos, a calça jeans comportada e uma blusa branca de mangas. Era bom vê-la desse jeito depois de tanto tempo. Sem aquele batom vermelho horroroso, aquelas roupas justas e nem aquele hálito de álcool. Fui até ela e lhe abrecei, era muito difícil não chorar, mas eu respirei fundo, impedindo as lágrimas. Ela pareceu um pouco surpresa no inicio, mas logo me abraçou de volta e acariciou meus cabelos.



-Eu pensei que você nunca ia acordar. – ela disse, desfiz o abraço.



- Noite mal dormida. – falei normalmente, indo para mesa. Sentei na cadeira e comecei a me servir. Vi o olhar de a minha mãe pairar sobre mim, ela parecia confusa.



- Nem vi você chegar ontem. – ela disse se sentando também, e pegando uma torrada já pronta. – E como foi ontem, tudo bem? – notei que ela estava meio cautelosa. Sorri de canto, pensando em que responder.



- Foi tudo como eu devia ter esperado. – sinceramente, até eu estava surpresa pela minha voz não ter saído tropeçada.



- E isso é bom ou ruim? – perguntou me encarando.



- Agora? É excelente. – disse me levantando e ajeitando a mochila em minhas costas.



Nem precisava ver sua face, para saber que ela estava completamente confusa, mas eu não queria explicar, não agora. Antes de fechar a porta virei, e disse:



- Não espere ninguém para o jantar. – ainda pude escutar ela me chamar, mas já era tarde, eu já caminhava pelas calçadas em direção ao Instituto.



Na verdade acordei de madrugada, e depois de um sonho estúpido e cheio de ilusões, resolvi que estava na hora de pensar em uma única pessoa, em mim. O estranho foi só agora perceber, que a única que estava se ferrando era eu. Entrando em um jogo que eu com certeza já sabia quem havia ganhando. Desde quando eu fui tão burra, para perceber isso só agora? Eu quase perdi minha melhor amiga, me entreguei para um garoto, que na verdade, só queria isso. Já estava na hora de encarar as coisas, dane-se o que ele falar, e quantas ameaças ele citar, por que uma hora ele vai cansar e se dar conta que venceu. Que já teve o que queria. Agora, a única coisa que eu queria era o melhor pra mim. E de uma coisa eu tinha certeza, não era ele.



Quando passei pelos portões do Instituto, logo avistei Ash, Demi, e Miley conversando. Fui até elas, notando que pairava um ar de otimismo, ansiedade e felicidade por todos os arredores do pátio. E foi então que eu percebi. Fim de ano é igual á final dos jogos de futebol americano. Lideres de torcida dando gritinhos histéricos, jogadores tensos, e torcedores ansiosos.

   

- Meu deus, isso está uma loucura. – falei já próxima das meninas. Ash me abraçou, e seu sorriso era radiante.



- Com certeza esse ano nós venceremos. – ela só faltava pular, e me amassar ao mesmo tempo, com seu abraço apertado.



- O bom, é que teremos apenas as provas finais, mas infelizmente não poderemos ir para casa. – Demi parecia entediada com a ultima parte. – Ninguém merece ficar aqui perdendo tempo olhando aquelas vacas saltitando, e os meninos treinando.



- Qual é o seu problema mulher! – e Ash em fim me soltou, agora encarando a ruiva, perplexa. – A melhor parte é ver os meninos lindos e sarados jogando! Ah Justin! Ele vai está tão Deus grego. – se Ash com certeza soubesse de tudo, ela pensaria duas vezes antes de mencionar o nome dele, por que só esse fato era motivo para me deixar zangada, mas não deixei transparecer, tudo o que eu menos queria era pensar nele.



- Eu com certeza vou ficar aqui e assistir a todos os treinos. – Miley disse, - O Ryan disse que ele se sente mais confiante quando me vê na arquibancada. – ela da um sorriso tímido.



- A Demi só esta assim, por que vai ter que ficar vendo o Joe treinar. – a loira falou convicta. Mas vi que Demi não gostou muito do comentário.



- Eu acho melhor nós irmos para a sala, o sinal já tocou, faz um tempo. – disse, vendo que o clima não estava os dos melhores.



Entramos no corredor e era incrível como as pessoas estavam agitadas, Jasmine e sua turminha, estavam cheias de pessoas ao redor, todo mundo curioso, perguntando o que elas pretendiam fazer esse ano. E os alunos se aglomeravam no meio do corredor, que era quase impossível passar, mas então eu as meninas escutamos passos conjuntais vindo bem atrás, e as pessoas que antes estavam entretidas com as líderes, logo começaram abrir espaço.



Quando eu em fim entendi e me virei, foi quase patético o modo de como eu, Ash, Demi e Miley ficamos impedindo o caminho, dos jogadores do time. Eu sempre disse que todas as meninas quase se ajoelhavam quando os via, e que eles sempre estavam deslumbrantes, pois é, multipliquem isso por mil. Era exatamente assim que eles estavam bem em nossa frente.  E eu me pergunto por que diabo Justin teve que ficar bem de frente para mim. E nossa troca de olhares foi tão involuntária, que eu não sei como as pessoas nunca desconfiaram de nada. Mas eu simplesmente desviei os meus.



- Vocês vão ficar aí paradas? – Joe perguntou com um tom rude.



- Joe para de dar um de idiota. – Ryan falou, e abraçou Miley que estava bem ao meu lado.



- É parece que elas são surdas. – Jasmine vinha logo atrás, e eu nem precisava virar para ver que ela andava rebolando. O ambiente estava em total silencio que era ate intrigante, só dava para escutar o barulho dos saltos de Jasmine.



-Dar pra sair da minha frente? – ela disse, e antes que me empurrasse, fiz um favor para nós duas, e abri espaço.



Eu de jeito nenhum queria ver o que viria pela frente, eu podia me virar e caminhar para sala de aula, mas eu fiz o contrario, continuei ali, apenas dois passos de distancia, me obrigaria ver a tal cena.



Jasmine o abraçou, e em conseqüência Ash veio para o meu lado, sentindo total repugnância por aquela cena, e com certeza pelo que viria. Encarar o casal era normal, pelo menos naquele instante, por que era o que todo mundo estava fazendo. Mas o que não foi nada normal foi ele olhar diretamente para mim antes de empurrá-la. Foi um olhar rápido, só eu devo ter percebido.



- É melhor irmos para sala, não quero perder o meu tempo aqui no meio do pátio. - disse em seu tom serio e rouco.



Ash deu uma gargalha, e eu tive que lhe da uma cotovelada para que ela parasse. Eles logo passaram, e vi quando Jasmine lançou um olhar mortal em nossa direção.



Logo fomos para a sala, onde o professor Caleb, aplicou o teste de química. E parecia que todos estavam ansiosos, e olha que eles só iriam treinar. Os jogos decisivos só seriam daqui a duas semanas. Mas como esses treinos eram os últimos, então davam total apoio para os membros do time. O bom era que só fazíamos os testes, e nada mais de aulas, mas o ruim, pelo menos para mim - que não estou nem aí para esses jogos - é que os alunos não serão liberados, teremos que ficar aqui, assistir aos treinos tanto das líderes e dos jogadores, para dar total apoio aos nossos ‘colegas’.



 Terminei o meu teste, agora era só esperar dar a hora, e todos serão liberados juntos, por que essa era a época de ‘união no Instituto’, isso eram as palavra da diretora, e era incrível como todos faziam isso, de um modo de que aquelas pessoas que nunca se cruzaram no corredor, viram melhores amigas, e isso me da enjoou, por que quando os jogos acabarem, essas mesmas pessoas fingirão que nunca nem se viram. Suspiro já me preparando para encarar tudo isso, risos forçados daqui e ali, pessoas que são completamente distantes, sentarem uma do lado da outra nas arquibancadas e começarem uma conversa agradável, a falsidade paira no ar e isso me da repugnância. E o que eu acho mais incrível é que todos deviam um conhecer aos outros, naturalmente, não para manter as aparências, pelo fato de algumas pessoas esnobes, estarem jogando.



O sinal toca e todos entregam os testes para o professor, e saem mais do que apressados, Ash quase me arrasta por aquele corredor, Demi e Miley bem ao nosso lado.



- Eu não sei pra que tanta pressa, se é as líderes que vão treinar agora. – falei acompanhando os passos apressados de Ash.



- E você quer perder elas caindo? Imagine a Jasmine caindo com aquela cara de taquara rachada que ela tem. – Ash ria maleficamente, até eu que estava estressada, sorri do seu jeito maluco-de-ser.



- Olhando por esse lado até que não vai ser tão mal. – falei, tirando um pouco a carranca que estava a momentos atrás. As meninas riram, enquanto todas nós quase corríamos seguindo a aglomeração de alunos que estavam indo direto para o ginásio.



...



Sentamos o mais próximo possível do gramado, não queríamos perder nem um tombo se quer. Isso na verdade era um exagero, o que eu queria mesmo era que Jasmine caísse de um modo muito engraçado para me tirar um pouco do tédio, sem falar que isso aliviaria as provocações que ela sempre me fez desde quando entrei no Instituto.



Taylor, Chaz e Russo logo chegaram, foi um pouco constrangedor ver Taylor depois de tudo, mas tudo o que ele fez foi me tratar do mesmo jeito de sempre, conversando comigo como se nada tivesse acontecido. E eu internamente o agradeci por isso, seria ruim explicar o porquê tive que sair correndo naquele dia. Na verdade, queria mesmo, era esquecer esse dia.



- Você deve estar ansioso para os jogos. – disse um pouco alto, devido ao barulho de outras pessoas conversando.



- É, estou sim. Mas depois do primeiro jogo, eu quero estar calmo, porque na final com certeza vai ser muita pressão, eu vou tentar ficar o mais calmo possível.



- Você vai conseguir. No ano passado eu vi que você foi muito bem.



- Eu sei, mas ano passado era diferente, esse ano será concorrido bolsas para faculdades, se nosso time perder, já era. – era notável que só de pensar nisso o deixava ainda mais nervoso.



- E como vão suas composições. – perguntei querendo mudar de assunto para ajudá-lo. Mas talvez não fora uma idéia tão boa assim, por que naquele dia ele cantou uma de suas musicas também. Mas se ele ficou chateado, não demonstrou.



- Eu já compus umas cinco, amanhã eu trago uma para você ver.



- Eu vou adorar. – disse encarando seus olhos castanhos. Ele pareceu um pouco surpreso com o meu olhar. Eu sei que não devia, mas estar ao seu lado me fazia tão bem, que talvez, apenas talvez, as coisas pudessem dar certo entre nós.



- Eu fiz uma pesando muito em você, na verdade quase a cantei também nas apresentações, mas a única pessoa que eu queria que ouvisse, não estava. – o mais incrível é que ele não parecia chateado.



- Olha desculpa, sério eu não pude fi-



- Selena, não precisa se explicar. Eu não estou e nem fiquei chateado. – falou, - Talvez um pouco triste no começo, mas eu não consigo sentir isso perto de você.  Só de pensar em você minha tristeza foi embora.



- Eu sou uma idiota. – falei, por que era a pura verdade. Por que eu não podia simplesmente me apaixonar por Taylor?



- Não, você não é. – disse me encarando com a mesma intensidade que lhe encarei a momentos atrás, - É a garota mais incrível que eu já conheci. – sorri de canto, e ele afastou uma mecha de meu rosto.



- Não conheceu muitas garotas legais então. – falei, e ele sorriu.



- Ou você simplesmente, não sabe o poder que tem.



Abaixei os olhos sentindo minhas bochechas corarem, sua mão ainda estava em meu rosto, quando levantei os olhos vi que estávamos tão perto, que não havia como impedir, ‘não tem o porquê impedir, Selena’, uma voz em minha cabeça me encorajou, meus olhos quase cerrados, mas uma gargalhada aguda nos assustou.



- Selena você perdeu. – Ash parecia esta quase morrendo por falta de ar. – Ela, ela, muito engraçado, ai, eu, eu hahaha. – nem se quer conseguia falar.



Olhei para o gramado, e vi Jasmein levantando do chão parecendo muito irritada, ela passava as mãos no pouco pano que tinha em seu corpo, e a sua cara vermelha, pela humilhação e as lágrimas que quase escorriam de seus olhos, não me deu vontade de rir. Ela se recompôs e continuou ensaiando com as meninas.



- Sabe, isso está tão chato. Nós podíamos sair daqui, sei lá, ir para o pátio ou o refeitório. – disse, sabendo que eu não agüentaria nem mais um pouco ver as líderes ensaiando. Na verdade os únicos que deveriam estar curtindo, eram os meninos, que estavam vendo calcinha aqui e ali.



- É, esse campo me faz ficar mais nervoso. – Taylor falou.



- Ah, vamos. O que eu tinha que ver eu já vi. – Ash falou, limpando os cantos dos olhos, Demi também parecia feliz pelo tombo da morena, já Miley balançava a cabeça negativamente.



Decidimos ir para o refeitório, que para minha surpresa estava ocupado por algumas pessoas. Escolhemos uma mesa, e logo sentamos. Aqui parecia até que eu respirava melhor. Chaz se sentou ao lado de Demi, Russo ao lado de Ash, e Taylor ao meu lado, Miley ficou do meu outro lado.



- Nossa eu estou doida para que comece logo os jogos! – Ash fala empolgada. – Só de pensar nas finais. Acho que fico até mais ansiosa que os jogadores.



- Por que toda essa ansiedade. – pergunta Chaz. Eu queria poder lhe responder, que ela estava toda afobada para ver os meninos jogando, ainda mais certo alguém.



- Ué, os jogos é uma coisa que contagiam e une os alunos. – ela fala como se isso fosse a explicação mais obvia.



- Tudo o que eu quero é ir para casa. – disse a ruiva, e eu estava começando a acreditar que eu e Demi fomos irmãs gêmeas em outra vida.



- Pra que todo esse mau humor, minha gata. – disse Chaz fazendo um carinho no braço dela.



- Coisas estressantes. – disse apenas. Mas todos nós, até mesmo o próprio Chaz, sabia que essas coisas, tinham um nome e se chamava Joe.



- Eu preciso comer alguma coisa. De preferência chocolate, para ver se me distraio. – falou Taylor. Eu não pude evitar, de rir do seu jeito nervoso. – Você quer alguma coisa? – me perguntou.



- Um suco de morango. – falei, o dia estava quente, e só de pensar no copo de suco bem gelado, fazia minha boca ficar úmida. Entreguei-lhe o dinheiro.



- Eu quero um refri. – disse Ash, já tirando o dinheiro da bolsa e entregando ao ruivo.



- Ah Tay um doritos. – disse Demi.



- Cara, é melhor eu ir te ajudar. – falou Chaz, percebendo que Taylor estava confuso com os pedidos. Eles se levantaram, e foram até a cantina.



- Será que o Ryan está me procurando? – perguntou Miley, e parecia preocupada.



- Eu acho que já te achou. – falou Ash olhando para frente parecendo estar hipnotizada.



Olhei para trás e estava Ryan. Mas também, Joe e Justin. Rapidamente me virei e voltei encarar a minha frente, aonde atrás de Russo vinha Taylor e Chaz. Dei um leve sorriso, e senti certo alivio. Parece que com Taylor ao meu lado, me ajudaria a disfarçar muito bem minhas emoções. Mas não fora Taylor que se sentou ao meu lado, foi Justin.



Vi que o sorriso de Taylor murchara, ele e Chaz se sentaram ao lado de Ash. Por que ao lado de Demi estava um Joe, que tinha um sorriso sarcástico nos lábios.



O clima ficou um pouco pesado, Ash estava olhando para Justin sem nem mesmo disfarçar, e Russo parecia desconfortável com isso. Demi estava dura, sem nem mesmo se mexer, na verdade tinha a leve impressão que estava prendendo a respiração, Joe por outro lado, parecia super tranqüilo, como se estivesse no meio de amigos mais íntimos. Chaz, parecia irritado não só com a presença do Jonas, mas sim dos três, até mesmo de Ryan, que forçava o sorriso, em meio daquela situação. Miley apenas dava um sorriso tímido. Taylor me olhava. E eu, estava paralisada da cintura para baixo. Forçava-me a não demonstrar nada, mas minha mão segurava firme o copo, com o suco, que Taylor me dera. Não sabia o que estava sentindo naquele exato momento. Se era raiva por tudo, frustração ou surpresa, por ele ter sentado bem ao meu lado, como se isso não fosse nada, Ryan pigarreou.



- Nossa aqui está bem melhor do que aquela barulhada do ginásio. – falou, na tentativa começar um assunto, em meio desse clima pesado.



- Nem me fale, aqueles gritos das líderes já estavam me irritando. – disse Joe, massageando as temporãs.



- Pensei que a maioria dos garotos, gostasse de ver as líderes gritando. – falou Demi, dando um sorriso irônico. Joe virou encarando-a, e vi que seu sorriso era pior, um sarcasmo venenoso.



- Sim, gostamos de vê-las gritando, mas de preferência, em um quarto e sem roupas. .



Ouvi a risada de Justin bem ao meu lado, ele e Joe se olharam por um momento, como se tivessem trocando alguma confidencia. Demo logo virou a cara, agora completamente irritada. “Safados!”, pensei já me enchendo de raiva. Taylor balançava a cabeça negativamente. Ryan tampava os ouvidos de Miley, que estava vermelha feito um tomate maduro, por causa do comentário.



- Será que eu seria uma boa líder de torcida? – Ash pergunta com um pouco de maldade. Quase bati em minha testa, diante daquela idiotice. Mas o que aquela maluca estava querendo?



- Por que você não faz o teste? – perguntou Miley, simplesmente.



- Não sei se sou bonita o suficiente. – ela disse, mas na verdade eu conheço minha amiga, e tudo o que estava fazendo era drama. Estava querendo chamar atenção.



- Não se preocupa; você é gostosa. Iria passar no teste. – o Jonas falou, e aquele sorriso maldoso não saia de seus lábios. Demi parecia bastante irritada, não me surpreenderia se ela se levantasse e saísse sem dizer nada. Olhei para Ash, estava achando aquela atitude ridícula, mesmo sem querer ela estava deixando Demi ainda mais chateada.



- Ashley, tem coisas muito melhores do que ser líder de torcida. – disse em fim. Tentando esquecer completamente quem estava ao meu lado.



- Eu sei, eu sei. Mas tem lá suas vantagens. – ela disse, ainda sorrindo.



- Já sei. Ser popular, e trepar com todos os garotos do time. – disse Demi, a olhei, agora tendo certeza do quão chateada ela estava.



- Você sabe que eu não sou assim. – disse Ash, parecendo estar ofendida.



- Calma, garotas. Que tal trocarmos de assunto?- Ryan coçava a cabeça, e dava um sorriso amarelo. - Vocês sabem que vamos fazer uma festa hoje a noite. Por causa dos jogos. – continuou o loiro.



- Vai ser na minha casa. – disse ‘ele’, sua voz estava tão perto, que quase estremeci. – Vocês estão convidados.



- É claro que vamos. – falou Ash empolgada.



- Eu também vou ir, não tenho porque ficar em casa sem fazer nada. – disse Demi, e eu achei incrível sua mudança de humor, que se não a conhecesse diria que era natural, e não forçada. – Vamos Chaz. – e ela fez questão de se inclinar para frente, e olhar para Chaz que estava do lado de Joe. Era como se ela achasse o moreno invisível, o que na verdade é uma grande mentira. Já ele não demonstrava nenhuma emoção.



- Se você for, é claro que eu vou. – ela ainda abriu um sorriso.



Ash olhava para mim, cheia de esperanças, como se eu fosse sua salvação, até por que duvidava muito que Russo iria com ela. Não depois de ver como ela olhava na maior cara de pau, para o Justin.



- Nem vem que eu não vou. – disse simplesmente.



- E por que não? – ela só faltava suplicar.



- Muitas coisas para fazer.



- Você sempre inventa desculpas. – agora parecia irritada. – E você está me devendo. Ou acha que eu me esqueci que você sumiu, naquela festa que teve na casa do Ryan?



Não me senti muito confortável por ela ter falado isso, ainda mais com Justin do meu lado. Não queria lembrar aquela noite na casa do Ryan, muito menos da parte em que sumi.



Suspirei. Era verdade, mas ir a uma festa, logo na casa do Justin? Era como se fosse meu pior castigo. Não queria vê-lo, e aqui estava ele, bem ao meu lado. E ainda por cima tinha que ir a sua casa?



Antes que pudesse responder qualquer coisa, eu senti. Quase o olhei de imediato, mas por uma fração de segundos, me contive. Mas o que ele estava fazendo? Sua mão estava por cima da minha, e devagar entrelaçou nossos dedos. Minha respiração não existia mais, e meu coração batia forte em meu peito. Ele só podia estar louco! Se alguém viesse logo atrás de nós, iria ver, e de jeito nenhum queria isso. Tentei, discretamente, puxar minha mão. Mas ele não deixou, segurando firme, minha mão com a sua.



- Se quiser eu faço companhia para as duas. – falou Taylor. Mas Justin soltou uma risada, o que fez o moreno lhe olhar questionador.



- É uma boa idéia. – ele disse agora mais serio, tentando disfarçar a situação. – Até por que a festa vai ser na piscina. E não vai ser legal se elas forem sozinhas. Você sabe. Garotos, bebidas, meninas de biquíni... - ele disse falando mais serio.



Para quem não o conhecesse, até diria que era uma pessoa legal. Mas eu conseguia ouvir o cinismo em sua voz. Na verdade o que ele queria dizer era: “eu, bebida, Selena de biquíni...” Eu iria à festa sim, mas ele estava muito enganado que as coisas seriam do seu jeito.



- Ok, eu vou. – falei, e forcei um sorriso.



- Eu sabia, era só o Taylor pedir. – Ash disse, eu apenas rolei os olhos. Mas senti que Justin apertou de leve minha mão. Com certeza não gostando da piada de Ash. Tentei continuar agindo normal, e por mais que eu não quisesse admitir, sua mão era quente na minha, e às vezes sentia leves choques com o contato de nossas peles.



A conversa foi curta, por que logo o treinamento do time, começou. Todos foram bem, mas se tinha um motivo para o Justin ser capitão, era o fato, de nunca errar. Sempre fazendo as jogadas certas, fazendo estratégias com os membros do time. Com certeza, seria difícil outro time nos vencer esse ano.



Os alunos foram liberados, mas parecia que eles ainda ficariam treinando. Por isso fui direto para casa, sem nem um pingo de medo. Na verdade gostei por ele ainda ter que ficar no instituto. Vê-lo tão intimamente, depois de tudo, não seria uma boa idéia. Na verdade, não queria vê-lo. Ainda sentia aquele sentimento amargo de ser usada e enganada. Odeio-me por gostar tanto assim dele. Só segurou a minha mão hoje, e eu pude sentir tudo se aquecer. Mas ele só esta brincando comigo. É um jogo, sempre foi. Só não podia mais jogá-lo, por que perdi.



...



Joguei minha mochila na cama, e fui direto tomar um banho. O dia estava quente, e optei por vestir apenas um short e uma blusa. Almocei, dei um jeito nas coisas que estavam fora do lugar. Estudei um pouco para a prova de Biologia que vai ter amanha, mas enquanto terminava de ler o texto do livro, vi pela janela que a tarde já se fazia presente. Logo a festa ira começar. Senti um arrepio percorrer a minha espinha, “só espero que as coisas não sejam tão ruins”. – penso enquanto me levanto e vou para meu quarto me arrumar.



 Depois de tomar um banho gelado, abri o guarda roupa e peguei um biquíni azul claro, uma regata branca e short jeans claro. Passei a escova em meus cabelos que estavam molhados, botei pouca maquiagem, apenas um rímel, glos, e delineador. Não estava muito animada para essa festa. Na verdade temia que alguma coisa ruim acontecesse.



...



Ouvi a buzina de um carro em frente minha casa. “Já chegaram”, pensei, dando uma ultima conferida no espelho. “Não tem porque se arrumar tanto.” – disse rudemente, para mim mesma.



Abri a porta vendo um 4X4 cinza estacionado em frente a minha casa. Tranquei a porta, e antes que me aproximasse do carro, Taylor saiu do mesmo, e fez questão de abrir a porta do carro para que eu entrasse. Disse, um ‘obrigada’, e logo adentrei o automóvel. Ash estava na parte de trás, usava um biquíni rosa escuro, e claro que não fez nenhuma questão de botar uma regata por cima, usava um short jeans, e cabelos presos em seu costumeiro rabo de cavalo. Vi seu olhar pairar sobre minha regata branca.



- Selena pode tirando isso. – disse com aquele tom exagerado.



- O que, que tem? É só uma regata. – falei, suspirando, por que sabia exatamente que ela me perturbaria até eu ceder.



- Pois é, uma regata em uma festa na piscina! – Taylor sorriu do jeito de Ash, enquanto dirigia. – É para ser ousada, e hoje também está muito quente. Tira logo essa blusa.



Rolei os olhos, mas não pude evitar sorrir. O fato era que Ash estava á mil, dava para ver de longe, seus olhos brilhavam, parecia até que estava realizando seu grande sonho. Tirei a blusa e lhe encarei.



- Está bom agora? – perguntei, rolando os olhos. Ela deu um sorriso sacana.



- Porque não pergunta para o Taylor? – olhei para ele, vi que tinha acabado de virar a face para frente. Mas pude ver que suas bochechas estavam um pouco coradas. E as minha estavam queimando. Olhei para a loira, mas ela olhava para janela, mas ainda tinha o mesmo sorriso nos lábios.



Olhei para frente me dando conta que conhecia aquela rua, dava para ver a quantidade de carros espalhados pelas calçadas. Taylor estacionou bem perto da entrada o possível. Enquanto andávamos até chegar aos portões da mansão, eu sentia meu coração acelerar, ontem eu mesma estive aqui, dentro do quarto dele, enquanto ele me tocava daquele jeito... Balancei a cabeça querendo espantar esses pensamentos, mas sei que isso será um desafio essa noite.



Chegamos à entrada da mansão, e mesmo que a festa fosse aos fundos, a música estava bastante alta. Tinha dois seguranças nos portões, nos analisaram por um momento, e liberou nossa entrada. Ash só faltava pular de felicidades, sua energia pairava no ar, mas não o suficiente para diminuir minha tensão.



Tinha duas maneiras de chegar à piscina: Por dentro da casa, ou pela lateral que parecia bem melhor. Fomos, e a cada passo que dávamos a musica ficava mais alta, o barulho de aglomeração de pessoas já se fazia presente. Quando chagamos, foi impossível não ficar impressionada, Ash não se conteve e soltou um ‘Uau’. A piscina era enorme! O lugar era enorme. E mesmo com muitas pessoas, ainda tinha espaço suficiente. Fizeram uma pista de dança onde muitas pessoas já dançavam, muitos preferiram a piscina, enquanto outros optavam pelas mesas e cadeiras que ficavam perto da borda da piscina, e eram servidos drinks a cada momento por garçons, que vestiam blusas e bermudas. O céu completamente estrelado e com aquela lua cheia, só ajudava para deixar aquela noite mais perfeita. Afinal era uma festa na mansão de Justin bieber, se me lembro bem, foram poucas as vezes que ele dera uma, mas eram comentadas em todo o Instituto, e inesquecíveis.





- Vamos procurar o pessoal. – disse Taylor, que não parecia tão impressionado, como eu e Ash. – Chaz falou que eles chegaram já faz um tempo.



- Devem estar em alguma mesa, - falei.



Começamos a procurar. Passar pela pista de dança nunca foi uma das minhas especialidades, por isso preferimos dar a volta. Logo enxerguei Demi, Chaz, Ryan e Miley. Os quatros conversavam enquanto seguravam taças, e nem me pergunte o que havia dentro, não fazia a mínima idéia. Aproximamos-nos, e logo sentamos nas cadeiras e Ash vibrava ao meu lado.



- Eu nunca vim em uma festa dessas! – minha amiga loira falava com puro entusiasmo. – Quer dizer, já era de se esperar, que fosse assim tão incrível. – as vezes que achava Ash tão ingênua, como ela conseguia falar isso na frente de Ryan, que era melhor amigo de Justin? Será que ela não tinha medo que eles rissem dela? Não que eu ache que Ryan seja assim, mas ela devia disfarçar mais os sentimentos.



- As festas que ele da são sempre assim. – comentou Demi. – Se você acha que isso daqui está cheio, imagina os quartos da mansão!



- Demi! – Miley advertiu, e vi que estava corada.



- Mas é serio! Não recomendo a ninguém passar por aquele corredor hoje à noite. – falou, nunca havia pensado que aquele corredor silencioso, um dia se enchesse de som. Não consigo imaginá-lo dessa forma.



- E o que a senhorita, estava fazendo em um corredor escuro Demi? – Ash provocou, enquanto pegava uma taça da bandeja de um garçom.



- Procurando um banheiro, ué. – disse, e do jeito que essa mansão é enorme, eu também ficaria meio perdida, se nunca tivesse vindo, isto é.



Continuamos conversando, e eu agradecia mentalmente por esse lugar estar cheio, assim ficaria mais difícil de vê-lo, e dele me ver. Ash me fez experimentar a coisa que estava no copo, dessa vez era rosa, mas não senti o sabor completamente, apenas molhei os lábios, fingindo que bebia de vez em quanto. Percebi que a pista de dança tinha mais gente agora, a piscina ficava vazia de vez enquanto, mas depois logo aparecia mais gente.



- Vamos dançar? – perguntou Ash.



- É, estou cansada de ficar sentada. – disse Demi.



Começaram a levantar, e dessa vez eu decidi que não queria deixar a noite de ninguém chata, ainda mais a de Taylor, que eu sei que ficaria sentado comigo, se eu não quisesse dançar. Fomos para pista de dança, começamos a dançar, opa, nós não, eles! Por que eu só fiquei me balançando lentamente, a timidez não me permitia dançar tão solta igual à Ash ou Demi. Já Miley, que é igualmente tímida, era guiada por Ryan, eles com certeza eram o casal mais romântico de todo aquele instituto. Ash com certeza não precisava de Russo para lhe fazer companhia, já estava dançando com um garoto, que nunca tinha visto antes, creio que ela também não. Taylor dançava ao meu lado, me ofereceu a mão, lhe estendi a minha, mas garanti que não adiantaria nada. Ele tentava me guiar ao ritmo da musica, que começava lenta depois acelerava o ritmo. Só segurávamos as mãos um do outro, mas aquilo parecia significar tanto pra ele que eu tinha vontade de soltar.



Quando a musica acabou falei que precisava de um pouco de ar, o que de fato é verdade, mas o que eu estava querendo mesmo era não confundir ninguém, e nem me confundir. Afastei-me da pista, e fui para perto das mesas onde estávamos sentados antes. Um garçom passou, e devido a um pouco de sede que estava sentindo, estendi o braço e peguei uma taça, o liquido era âmbar “whisky” pensei, bebi um pouco, desceu quente que me deu vontade de cuspir o todo aquele troço, mas me esforcei para engolir, mas não pude evitar fazer uma careta.



- Não é assim que se bebe. - olhei para o lado assustada. ‘ Mas quando...?’ Ele tinha um sorriso de lado, usava uma regata preta, o que deixava á mostra seus braços fortes, e uma bermuda. Por estarmos perto, era impossível não sentir sua fragrância. Olhei para frente, e as pessoas pareciam não suspeitar de nada.



- Você esta maluco? – perguntei, ainda olhando para frente.



- Ué, sou só o dono da festa, vindo ver se uma convidada está satisfeita. – disse tranquilamente.



- Você só pode estar brincando, se acha que alguém acreditaria nisso. – disse voltando a olhar para frente, e disfarçar nossa conversa.



- Você deveria usar uma blusa. – ele ainda ousou a chegar mais perto. – Esta me deixando sem controle. – o olhei de canto, e seu hálito alcoólico me fez perceber o porquê ele esta agindo daquela forma. Afastei-me um pouco, cautelosa. Olhei para ele sem entender o que ele estava fazendo.



 - Estamos em publico! – falei agora, saindo um pouco da calma. Mas ele apenas deu um sorriso de canto, com certeza por causa do meu desespero.



- Então que tal entrarmos? – disse simplesmente.



- Eu sabia. – acabei falando alto de mais. – Eu sabia que não era para vim nessa festa!



- E, eu sabia que você viria. – falou convencido. – Acho melhor entrarmos logo, acho que estamos começando a chamar atenção.



Hesitei em olhar para frente, e me deparei com algumas pessoas olhando em nossa direção um pouco curiosas. Olhei para Justin, demonstrando um pouco da minha raiva, mas ele ainda exibia aquele sorriso convencido na cara.



Sai andando, tomei cuidado para que ninguém me percebesse, e entrei na mansão. Era um lugar que estava repleto de comidas, e bandejas que vários garçons pegavam a cada hora. Segui para outro cômodo, que também era desconhecido por mim, cheguei a um corredor que dava logo na entrada principal, suspirei quando vi a grande escada. Incrivelmente não tinha ninguém na sala, mas quando já estava no alto da escada pude começar a ouvir sons bem desagradáveis, quase tampei os ouvidos. “Isso esta parecendo um motel” – pensei ficando parada no corredor que estava com a iluminação bem baixa, que o tornava quase escuro. Rezava para que ninguém saísse de uma dessas portas e desse de cara comigo.



Meu corpo todo estremeceu quando alguém me abraçou por trás. Sem nem mesmo me deixar falar alguma coisa, senti seus lábios no meu pescoço.



- Justin pare! – disse baixo.  Ele me virou me fazendo ficar de frente para si, e me olhou de um jeito um pouco diferente, intenso. Afastou uma mecha do meu cabelo do meu rosto.



- Eu nunca pensei que ficaria com raiva desses jogos. – falou com uma voz tão baixa, que mais parecia um sussurro. Deu um passo para frente, o que me fez automaticamente dar um para trás.



- E por que ficaria? – perguntei, e senti minhas costas encostar-se à parede.



- Não pude ver você hoje cedo. – aquilo me pegou um pouco de surpresa.



“Ele só esta fazendo aquilo de novo” – falei para mim mesma. – “Só está sendo carinhoso, para que você caia na dele feito uma idiota.” Já estava cansada disso tudo. Ele se aproximou mais, quase me beijando. Mas eu desviei, e empurrei seu peito.



- Não. – disse e vi que ele se surpreendeu. – Você não acha que já chega, não? – falei, fazendo esforço para que minha voz não saísse falhada.



- Do que você está falando? – perguntou intrigado.



- Você já teve o que queria não é mesmo? Por que esta querendo continuar com isso? – minha magoa já estava transparecendo em minha voz.



- Então é isso que você pensa. – falou secamente. Como ele ainda podia querer me fazer sentir culpada?!



- E o que você queria que eu pensasse? – disse duramente. – Você uma hora me trata gentilmente, e depois que se deita comigo, nem olha na minha cara! Como você quer que eu pense outra coisa?! – segurava o choro, não querendo parecer tão humilhante igual estava me sentindo agora.



Uma de suas mãos se aproximou para tocar o meu rosto, mas desistiu no meio do caminho. Ele olhou para baixo, e entendi aquele gesto, como a confirmação de tudo o que eu disse.



- Me esquece. Por que é isso que eu vou fazer aparte de hoje. – falei e com uma repulsa dele, comecei a sair, mas ele me puxou pelo braço.



- E eu sei exatamente com quem você vai esquecer, não é? – e ali estava o mesmo Sasuke de sempre, frio e arrogante, o verdadeiro. – Ou você acha que eu não vi vocês dois dançando?



- Talvez ele realmente me mereça. – disse, e senti seu aperto se intensificar, machucando o meu braço.



- Não vai ser fácil esquecer. – de vagar ele me soltou, e eu o olhei com um misto de raiva e angustia pelo o que ele estava fazendo. Sempre me confundindo, sempre me fazendo acreditar. Mas dessa vez não! Sai daquele corredor sem nem mesmo olhar para trás. Senti um aperto bem do lado esquerdo do meu peito, não era fácil deixá-lo, e saber que isso era para sempre.





...



Quando cheguei à festa, meus amigos já estavam reunidos na mesa, bebiam e riam de alguma coisa. Aproximei-me e eles me olharam sérios.



- Onde você estava? – perguntou Ash. E a bebida fazia com que sua voz ficasse mais alta, e exagerada. – Serio, você tem que parar com isso! Some e aparece toda hora.



- Só estava á procura de um banheiro. – falei encarando-a.



- Não me diga que você teve que passar por aquele corredor horroroso! – disse Demi, bastante empolgada, resultado da bebida.



- Infelizmente. – falei, me lembrando de todo aquele barulho, e não era recomendado para ninguém mesmo.



- Eu vi que o Justin estava conversando com você. – falou Miley, me olhando intrigada. Fiquei imóvel por um milésimo, e olhei para Ryan que estava ao seu lado, ele apenas estava com uma cara que dizia “Não pude evitar”.



- Serio? – perguntou Ash do meu lado, e parecia bastante assustada. Respirei fundo por um momento, era só mentir, falei comigo mesma. Eu só fazia isso nos últimos tempos mesmo.



- Ele parecia que estava bêbado, estava falando sobre os jogos, como eu não entendi nada, saí logo de perto. – disse botando um pouco de desdém na voz.



- Você está louca? – disse Ash me olhando sem acreditar. – Você poderia ser legal com ele e depois vim até mim e nos apresentar! – revirei os olhos, diante do drama que ela estava fazendo. Ah se ela soubesse! Com certeza não ficaria feliz comigo respirando á 10 metros do Justin.



- Você fez bem. – disse Taylor, que estava á minha direita. – Ele poderia estar interessado em você.



- Ele interessado na Selena?- Ino riu com deboche. – Ela com certeza não faz o tipo dele.



Senti-me um pouco ofendida, mas logo queria que isso fosse mesmo verdade. Ryan olhou pra mim, dando um sorriso que só eu entendi. Tanto eu como ele, sabíamos que dentre aquele grupo, ninguém nunca suspeitaria, nem se visse Justin de braços dados comigo, todos nem se quer imagina tudo o que já aconteceu.



- E por que você acha que ela não é o tipo dele? – perguntou Demi para Ash, que parecia muito convicta em sua tese. – A Selena é tão bonita, que eu não duvidaria se ele estivesse dando em cima dela.



- Não estava! – falei, querendo encerrar logo aquele assunto.



- Mesmo que estivesse você nunca iria dar trela. – falou a morena, agora bastante convicta. Mas eu percebi que Ash parecia um pouco chateada.



Um garçom passou, e todos pegaram uma taça, dessa vez eu bebi o drink, que para minha sorte não era uísque, nem senti o gosto do álcool. Começamos a falar sobre os jogos, o quanto os garotos estavam animados. Ash pareceu ficar mais relaxada e esquecer o assunto do Justin, na verdade a festa começava a ficar agradável para mim, me sentia mais liberta, sem ficar me preocupando com alguém ficar me vigiando. Taylor pôs a mão por cima da minha, ele parecia menos tímido, talvez pelos drinks. “Ele sim é a pessoa certa”. – disse para mim mesma. Continuávamos conversando, até que realmente me deu vontade de ir ao banheiro.



- Tenho que ir ao banheiro. – falei um pouco tímida. – Não consegui achar da outra vez. – falei, arrancando risadas de Demi e Ash, que estavam mais pra lá, do que pra cá.



Levantei-me e entrei novamente naquela mansão, agora era só procurar um simples banheiro nesse lugar enorme. Andei pelo caminho oposto ao qual andei da outra vez, depois de atravessar um corredor, dei de cara com uma sala de estar com uma mesa enorme, depois uma cozinha, corredores, biblioteca, uma sala de jogos, e nada do banheiro.  Então pensei que no meio daquele corredor dos quartos, poderia ter um banheiro talvez, não custa dar uma olhada, até por que a situação estava ficando critica para mim.



Subi as escadas, aqueles sons ainda estavam lá. Nossa essas pessoas não cansavam mesmo. Não fui para o lado esquerdo que nem das quatro vezes que estive aqui, fui para o direito, que parecia mais quieto. Encostei o ouvido na porta, para ter certeza que não tinha ninguém, sem escutar nenhum ruído sequer, abri a porta, dando de cara apenas com o banheiro, e sorri aliviada.



Como todas as partes daquela mansão, esse cômodo era igualmente chique e bonito, até o simples espelho tinha todo aquele toque de beleza nas bordas. Lavei as mãos depois de ter usado o sanitário, e agora olhava para o meu reflexo. E não pude deixar de lembrar-se de suas palavras “Não vai ser fácil esquecer.” – por que ele tinha que me confundir tanto? Mas aqueles olhos pareciam tão sinceros. Balancei a cabeça negativamente querendo tirar isso da minha mente. Até que escutei um barulho, na verdade eram vozes, e barulho de beijos.



- Eu gosto muito de você. – aquela voz era irreconhecível para mim, era Jasmine. Mais sons de beijo.



Será que...? Não, ela não poderia estar fazendo isso com ele. Será que ela estava traindo o Justin?



- Vamos para um quarto. – a voz dela parecia mais ofegante.



Abri a porta de vagar, a curiosidade me subia ao cérebro, eu precisava saber com quem ela estava fazendo isso. Todo aquele amor que ela dizia ter por ele...

Abri a porta o suficiente para que eu passasse, sem fazer nenhum ruído, queria sair da li sem que nem percebessem que eu estava lá.



Olhei para cima, já sentindo minha mente tubular, um nó de imediato se formou em minha garganta, meus olhos começavam a nublar, e eu me forçava a não acreditar no que meus olhos estavam vendo. “Como eu pude ser tão idiota?”. As mãos nas costa dela, a parte de cima do biquíni que já havia sido desatada, a peça só cobria os seios dela por que ficava imprensada na blusa preta dele, mesma blusa que eu havia empurrado minutos atrás. Sem mais força, acabei soltando a porta que, bateu com tudo, e eles logo olharam para minha direção. E vi que a surpresa dele era do mesmo tamanho que minha indignação.



- Ah é só ela. – olhei para morena, que cobria os seios com as mãos. Olhei para ela com todo ódio que estava sentindo agora.



- É. – olhei para ele, segurando as lágrimas que já nublavam meus olhos. – Sou só eu!



Saí o mais depressa que pude da visão deles, e enquanto descia as escadas, eu sentia uma dor muito forte no peito. Aquilo parecia me consumir, as lágrimas desciam tão quentes, que faziam meus olhos arderem. Contive-me por um momento e desci o mais rápido possível cada degrau daquela escada, queria estar o mais longe possível daquele corredor. Abri a primeira porta que vi no andar de baixo, escorreguei na parede, e deixei tudo sair, lágrimas que eu jurei que não derramaria mais por ele, desciam livremente.  “Como eu o odeio!” – pensava enquanto tentava secar as lágrimas que não deixavam de cair. “Como odiava ela!” Odiava os dois! Odiava tudo o que ela me fez passar durante aqueles anos no Instituto, me humilhando, me tratando com desdém, apontando todos os meus defeitos. Mas odiava ainda mais ele. Por que ele me fez gostar dele! Mesmo que no inicio não sentisse mais do que raiva por aquilo que ele estava fazendo comigo, ele fez pior, me fez gostar dele. Depois de tudo, ele ainda me fez amá-lo. Com toda certeza era pior do que ela.



Uma vontade enorme de vomitar me abateu, e despejei tudo em uma pequena pia que estava ali. Depois de um tempo, fui me acalmando aos poucos. Mas a raiva ainda estava dentro de mim, preferia em toda minha vida nunca ter visto aquela cena.  “Você tem que esquecer”. - “Esquecer de tudo.”



Levantei-me e lavei o meu rosto, olhei em volta e notei que era um quartinho de limpeza, e estava me sentindo sufocada. Sai do cômodo, tentava botar um ânimo em meu rosto, me sentia tão vazia que qualquer face que escolhesse, me caia como um ser sem emoção. Antes de sair da mansão, parei na cozinha e peguei uma taça e tomei o líquido de uma só vez. Desceu quente, mas me senti mais revigorante depois.



Fui até meus amigos que estavam na mesma mesa que antes, tentei ao máximo demonstrar a leveza que estava sentindo antes.



- Achou o banheiro dessa vez? – perguntou Demi.



- Achei, mais foi difícil – falei forçando um sorriso. Ela me olhou como se notasse algo estranho no meu rosto, e percebi que Ryan também notara. Talvez fossem os olhos um pouco inchados, por causa do choro.



Peguei a mão de Taylor, e puxei.



- Vamos dançar. – disse surpreendendo a todos. Tudo o que menos queria agora era inventar mais uma desculpa, e eu queria esquecer. Somente esquecer.



Antes que todos levantassem um garçom passou e eu peguei mais uma taça e bebi tudo de uma só vez. Eles me olharam surpresos mais uma vez.



- Vamos logo. – disse.





Chagamos a pista de dança e dessa vez foi mais fácil me soltar. Então eu comecei a realmente me deixar levar pela batida da música. Fechei os olhos e tirei tudo que estava na minha mente e apenas deixei a musica me levar. Sentindo todo meu corpo se balançar conforme o ritmo.



Girls, they just wanna have some fun

Get fired up like a smokin' gun

On the floor till the daylight comes

Girls, they just wanna have some fun

As garotas, elas só querem se divertir um pouco

Ficarem quentes como uma arma fumegante

Na pista de dança até a luz do dia chegar

As garotas, elas só querem se divertir um pouco



Quando abri os olhos Taylor não dançava mais a minha frente, apenas observava como a maioria das pessoas decidiu fazer. Abriram uma roda ao meu redor, enquanto eu dançava, de algum modo eu não senti vergonha. Ainda podia escutar comentários como “Não é aquela nerd gostosa do terceiro ano”?”“ Cara que espetáculo?”“ Onde esta garota estava esse tempo todo?”



Mas eu não pensava em nada e nem em ninguém, apenas nas luzes que piscavam naquela pista de dança. Nunca pensei que isso fosse tão bom. Ver todas aquelas pessoas ao meu redor me fez me sentir poderosa, e todas aquelas humilhações que Jasmine me faziam passar evaporaram, então a encontrei no meio de todas aquelas pessoas, e sua cara de choque era muito melhor do que minha cabeça podia projetar. Rebolei mais e ainda olhei para ela, sua cara de indignação ao ver os comentários dos meninos e ver como eles me olhava, me fez ganhar a noite.



Quando ela saiu com aquela cara de cadela indignada, deu para ver ele, que estava bem atrás dela, e assistia a tudo de camarote. Eu não sabia que expressão banhava suas feições, se era surpresa, raiva, ou desejo.  Era mais raiva por eu estar atraindo tanto olhares masculinos, mas eu conhecia aquela cara, aquela feição escondia, sabia exatamente que era desejo, porque ele me olhara assim quando estava nua embaixo de si.



I feel like sinnin'

You got me in the zone

DJ, play my favorite song

Turn me on

Sinto vontade de pecar

Você me deixou nesse estado mental

DJ, toque minha canção favorita

Excite-me



Dei um sorriso de canto bem em sua direção, ele ficou sem entender, mas logo eu joguei meus cabelos me balançando ainda mais, e senti alguém passando a mão em mim, vi de imediato sua mão se fechar em um punho, mas eu não liguei, só queria lhe dizer “Você me ensinara a rebolar tão bem, que tal isso?”. Sem pensar peguei Taylor que estava a minha frente, comecei a dançar o mais colado de seu corpo o que podia, me virei de costas e escorrei meu corpo no dele, e pude ouvir as pessoas delirarem, mas nada era melhor que sua cara de raiva. Mas eu queria que ele sentisse mais, queria que ele sentisse magoa. Alguma coisa dentro de mim sabia que ele sentia algo a mais do que desejo, ele sentia uma possessão, queria vê-lo magoado por perder o seu brinquedinho.



Virei-me para Taylor e agarrei a gola de sua camisa, ele pareceu estar ofegante, dei um sorriso e beijei seus lábios com volúpia, eram quentes, mas tudo o que eu pensava era que ele estava vendo isso agora. “É assim Justin, é assim que me senti”. Uma magoa contida me abateu, mas eu não chorei, não iria mais chorar, não por ele.  Nossos lábios se separaram e quando olhei sem sua direção, ele não estava mais lá. Mas Taylor me beijou de novo, e eu correspondi. Por que tudo o que eu queria era esquecer.



A girl gone wild

A good girl gone wild

I'm like a girl gone wild

A good girl gone wild

Uma garota que ficou descontrolada

Uma garota boa que ficou descontrolada

Sou como uma garota que ficou descontrolada

Uma garota boa que ficou descontrolada

Ainda dançamos mais, mas dessa vez todos dançavam na pista, bebi mais um pouco dos drinks que estavam servindo, e eu e Taylor nos beijamos mais. Só quando a manhã estava dando seus primeiros sinais, é que fomos embora.  Mas antes de sairmos por aqueles portões, eu olhei em direção aquela janela, a janela do seu quarto, e sem me sentir surpresa vi que ele estava lá, e pude ver o copo cheio de liquido âmbar em sua mão. Mas tudo o que eu queria agora, era ir pra casa.  Entramos no carro de Taylor, mas pálpebras pesavam tanto que não resisti cai no sono.

2 comentários:

  1. Aaaaaaaaaaav você não sabe o quanto eu pirei pq vc estava demorando a postar la no AS, e quando vi q tinha mudado de lá, corri pra ca, e MEU DEUUUS, como amo essa fic, li tudo de novo pq é simplesmente perfeita!!! To quase pirando com a bipolaridade do Justin, e tmb a Selena, pq to com muito medo da Ashley descobrir da pior maneira e acabar ficando com odio da Sel... E awwnn o Tay é super fofo, mas apesar de tudo o Justin tmb é (as vezes, mas é)E essas mudanças de humor dele me fascina.. Mas tadinha da minha pequena, sofre tanto e ainda tem q aguentar tudo calada :( Só. por favooor posta logo, senão eu vou ter um enfarte de curiosidade. POSTA POSTA

    ResponderExcluir
  2. Posta logo e vc bem que poderia fazer o JB sofrer um pouquinho ne ?

    ResponderExcluir